BofA está otimista e tem nova projeção para a Selic; banco já elegeu suas ações preferidas para investir em cenário mais positivo para juros
BofA vê Selic mais baixa até 2027 e aponta as ações preferidas para investir tanto em cenário de juros menores quanto em ambiente mais defensivo

O Banco Central deve decidir a nova taxa de juros após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, mas o Bank of America já tem sua previsão para a trajetória da Selic até o fim do ano que vem. E, com essas novas projeções, o banco já escolheu suas ações favoritas para surfar nesse cenário mais positivo para a bolsa de valores.
"Esperamos um ciclo de cortes mais profundo no Brasil, o que favorece posições em empresas com maior sensibilidade à taxa de juros", escreveu o banco em relatório.
Segundo o BofA, o Copom deve cortar 0,25 ponto percentual da taxa Selic na próxima reunião, e manter esse nível de afrouxamento para as decisões seguintes.
Com isso, a Selic deve chegar em 13,25% ao ano ao final de 2026 — a estimativa anterior era de 13,75% ao ano — e em 11,25% ao ano ao final de 2027, ante 12,75% ao ano.
Já o mercado acredita que a Selic chegue a 13,75% ao final de 2026 e a 12% ao ano em 2027, segundo o Boletim Focus divulgado hoje (14).
Em quais ações investir com a queda da Selic
A análise do banco inclui ações com dois perfis diferentes. De um lado, estão empresas que têm um potencial de alta relevante com a queda da Selic. De outro, companhias com perfil mais defensivo e conhecidas por serem bond proxies, ou seja, por se comportarem como ativos de renda fixa, com previsibilidade e pagamento de proventos.
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Entre as ações com maior potencial de alta, estão Equatorial (EQTL3) e Ecorodovias (ECOR3). Já ISA Energia Brasil (ISAE4) e Motiva (MOTV3) são as preferidas quando o assunto é montar uma posição defensiva. A Axia (AXIA3) transita bem entre os dois cenários.
Assim, é possível ganhar dos dois lados, ao capturar ganhos com uma queda mais forte da Selic, mas sem deixar a carteira totalmente exposta caso os juros permaneçam elevados.
As ações de energia preferidas do BofA
A Equatorial é a preferida na aposta mais otimista do banco. É uma maneira de aumentar um pouco o risco da carteira, mas com grande potencial de alta.
A empresa de utilities, segmento que agrega companhias dos setores de gás, eletricidade, água e saneamento, tem um histórico de dar inveja. Ela tem 12 anos de geração positiva de fluxo de caixa e tem a possibilidade de crescer por meio de fusões e aquisições em distribuição de energia. Também é a companhia com a maior sensibilidade às taxas de juros de curto prazo.
Já a Axia (AXIA3) joga nos dois times: o papel pode ter bom desempenho tanto em cenários de maior apetite a risco quanto em cenários defensivos. É o maior beta da cobertura do banco - indicador que mede a volatilidade de um papel em relação ao mercado, normalmente em comparação com o Ibovespa.
O papel também enche os olhos dos acionistas quando o assunto é renda passiva: tem o maior dividend yield do segmento, entre 11% e 15% em 2026 e 2027, segundo a estimativa do banco.
Para quem ainda não está tão otimista, a ISA Energia é a principal escolha defensiva, com uma taxa interna de retorno real (acima da inflação) de aproximadamente 10% e potencial de valorização superior a 15% caso seu passivo atuarial seja resolvido. Como é uma empresa vinda de uma privatização de uma antiga estatal paulista, ela ainda tem compromissos com fundos de pensão, por exemplo.
Transportes e shoppings centers
Já no segmento de transportes e logística, Motiva e Ecorodovias são as preferidas.
A Motiva é considerada defensiva e tem um valuation atraente, com uma taxa interna de retorno (TIR) real de cerca de 11%. Ela ainda pode ser beneficiada com gatilhos vindos de revisões contratuais e discussões pendentes nos próximos meses.
A Ecorodovias é a ação mais barata na avaliação do banco: tem o valuation mais atraente entre as ações consideradas substitutos de renda fixa (bond proxies). Tem TIR real de aproximadamente 17%, e pode superar o desempenho esperado caso os cortes de juros sejam maiores ou mais rápidos do que o previsto, diz o banco.
No segmento de shoppings, as TIRs continuam pouco atrativas quando comparadas às de outros bond proxies, embora o setor ainda ofereça maior previsibilidade de resultados.
O banco também está mais cauteloso com o setor, depois que os últimos resultados divulgados mostraram indicadores financeiros saudáveis, mas tendências operacionais mais fracas, deixando pouco espaço para uma nova reprecificação relevante das empresas de shopping centers no Brasil.
Ainda assim, "a Allos (ALOS3) se destaca como nossa principal recomendação e a empresa com melhor relação risco-retorno do setor". Ela é negociada a 9 vezes o preço da ação sobre o fluxo de caixa vindo das operações (FFO) estimado para 2027 e com um dividend yield projetado de 13% para 2027.
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