Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
Queda da Marcopolo na bolsa foi intensificada após os resultados do segundo trimeste; por que o clima azedou para a ação?

A Marcopolo (POMO4) vive um ano bem difícil na bolsa. Desde o início de 2026, a ação da líder global na fabricação de carrocerias para ônibus despenca mais de 26%. E na visão da XP, a recuperação dos papéis não deve aparecer tão cedo.
Com expectativas mais pessimistas sobre a empresa no segundo semestre do ano, os analistas da corretora rebaixaram a recomendação de compra para neutra.
Além disso, definiram o preço-alvo de R$ 5 para o final de 2027. Em relação ao último fechamento, o valor representa um potencial de alta de 10,4%.
Nesta quinta-feira (17), o papel POMO4 cai 4,42%, por volta das 12h15. O Ibovespa, principal índice da bolsa, estava praticamente no zero a zero no mesmo horário.
A XP tinha expectativas positivas para a Marcopolo na segunda metade do ano graças ao programa do governo Move Brasil 2, que dá incentivos para a renovação das frotas de transporte, e à sazonalidade do período, que costuma ser positiva para a companhia.
Porém, os números mais recentes de produção vão na contramão dessas perspectivas positivas. Segundo a XP, os dados preliminares de produção da Marcopolo no terceiro trimestre apontam para uma queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
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E a desaceleração da empresa vai além do Brasil. Embora a operação na Austrália continue apresentando um desempenho favorável, na visão dos analistas, mercados importantes como o México também seguem pressionando os resultados internacionais.
Lucros podem ter ficado para trás
Na visão da XP, entre os fatores que pesam sobre os resultados da Marcopolo estão a valorização do real frente a outras moedas, a fraqueza de mercados internacionais e a inflação nos custos de matérias-primas.
Com isso, "as tendências recentes apontam para menor lucratividade e retornos entre 2026 e 2028", afirmaram os analistas.
Diante desse cenário, a XP revisou as projeções para os próximos anos. Agora, a expectativa é de uma margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 14,9% e de lucro líquido de R$ 950 milhões para 2027, 19% abaixo do consenso.
Ação está barata, mas não é suficiente
Apesar da visão mais cautelosa, a corretora diz que o nível de preço do papel é um ponto que joga a favor da Marcopolo. Além disso, calcula um pagamento de dividendos próximo de 9%.
O problema, segundo os analistas, é que o fato de a ação estar barata não é o suficiente para impulsionar uma valorização relevante quando os lucros seguem sendo revisados para baixo.
Por isso, mesmo após a queda expressiva das ações ao longo do ano, a XP acredita que o papel deve continuar pressionado enquanto houver dúvidas sobre a recuperação dos resultados.
O que pode mudar essa visão
Embora tenha adotado uma postura mais conservadora, o banco destaca dois fatores que poderiam melhorar as perspectivas para a fabricante.
Entre os potenciais gatilhos positivos estão um ambiente macroeconômico mais favorável após as eleições e uma aceleração acima do esperado do Move Brasil 2.
Ainda assim, mesmo a Marcopolo espera um segundo semestre mais difícil em rentabilidade.
Segundo André Armaganijan, CEO da fabricante de ônibus, o principal fator por trás da pressão nos resultados não é apenas a retração da demanda, mas a mudança na composição das vendas.
O mercado de ônibus urbanos e rodoviários caiu entre 18% e 20% no período analisado pela companhia, ainda que ela tenha preservado uma participação relevante nesses segmentos.
Ao mesmo tempo, o mercado de micro-ônibus apresentou crescimento, puxado principalmente por programas como Caminho da Escola e Caminho da Saúde.
O problema é que os micro-ônibus vendidos nesses programas têm menor valor agregado e margens inferiores às de outros produtos do portfólio.
“Essa mudança de mix afeta muito a nossa rentabilidade, porque são produtos de menor valor agregado, são produtos que têm uma margem menor”, afirmou Armaganijan.
*Com informações de Money Times
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