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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

MEDO DA GUERRA

Combate em novos ares: Embraer (EMBJ3) fortalece divisão de defesa com parceria nos EUA para aprimorar o KC-390

Em meio à escalada das tensões globais, a fabricante brasileira reforça sua presença no mercado internacional de defesa com novos acordos estratégicos e aposta no KC-390 como peça-chave

Karin Salomão
Karin Salomão
20 de fevereiro de 2026
10:53
Aeronave de transporte militar da Embraer, KC-390
Imagem: Divulgação

A Embraer (EMBJ3) tem uma estrela nos ares. Conhecida pelos jatos executivos e aviões de médio porte, a fabricante de aeronaves brasileiras tem fechado diversos acordos envolvendo a sua divisão de defesa.

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A companhia informou em nota ontem (19) que firmou uma parceria com a Northrop Grumman Corporation, empresa norte-americana de defesa que desenvolve sistemas para a aeronáutica, defesa e exploração espacial.

O projeto é voltado a aprimorar as capacidades de reabastecimento da aeronave KC-390 Millennium para a Força Aérea dos Estados Unidos e de nações aliadas.

Entre os recursos que farão parte das melhorias, estão um sistema de reabastecimento aéreo autônomo avançado para a aeronave de transporte militar, comunicações aprimoradas, consciência situacional e opções de autoproteção, disse a brasileira.

“A Northrop Grumman, em conjunto com a Embraer, está realizando investimentos estratégicos para suprir uma lacuna existente em relação a soluções avançadas de mobilidade aérea em nível global”, disse Tom Jones, vice-presidente corporativo e presidente da Northrop Grumman Sistemas Aeronáuticos.

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Maior tensão global aumenta demanda por aviões de defesa

A recente escalada global de tensões, como o avanço da Rússia na Europa, impulsiona os pedidos de novos aviões de defesa.

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Em novembro, a fabricante anunciou uma nova função para o A-29 Super Tucano: atuar como um caçador de drones mais barato e eficiente que caças de última geração.

A aeronave foi adaptada aos padrões da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e a brasileira quer expandir suas vendas para países membros da organização.

No último trimestre, a Embraer assinou uma carta de intenções para avaliar a possível instalação de uma linha de montagem final do A-29N em Portugal, visando atender à crescente demanda europeia por aeronaves na configuração Otan.

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No início de fevereiro, anunciou que o Uzbequistão também entrou na lista de países com pedidos para aeronaves da linha de transporte militar C-390 Millennium, sendo o primeiro país da Ásia Central a operar o jato. A ausência da letra K indica que a aeronave não tem capacidade de reabastecimento em voo.

Também neste mês, a Coreia do Sul tornou-se o primeiro país asiático a operar um C-390. A aeronave também foi selecionada pelo Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Eslováquia e Lituânia.

Divisão pequena, mas poderosa para a Embraer

O segmento de defesa e segurança é o menor da fabricante na sua carteira de pedidos: são apenas US$ 3,9 bilhões, enquanto a de aviões comerciais soma US$ 14,5 bilhões e a carteira de aviação executiva é de US$ 7,6 bilhões em pedidos.

Também responde por apenas 14% das receitas da Embraer. É a menor taxa de book to build, de 1,4. Ou seja, para cada aeronave entregue, há 1,4 novo pedido.

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No entanto, é uma das divisões que mais cresce, com alta de 18% no quarto trimestre em relação ao trimestre anterior — a carteira de pedidos de maneira geral aumentou apenas 1% de um trimestre para o outro.

No acumulado de 2025, foram entregues três KC-390 e oito A-29 Super Tucano.

Na comparação anual, a divisão de defesa cresceu 10%, enquanto a carteira total subiu 20%, puxada principalmente pela aviação executiva. No quarto trimestre do ano, a carteira de pedidos da Embraer atingiu US$ 31,6 bilhões, alta de 20% e recorde histórico.

Fabricação de peças na Índia

A Embraer assinou ontem (19) um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) com a Hindalco Industries Limited para avaliar e explorar oportunidades de negócios na Índia.

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Segundo a fabricante brasileira, a atuação conjunta visa identificar parceiros locais que possam tornar-se fornecedores da companhia, principalmente na produção de matérias-primas de alumínio aeroespacial.

A ideia é, ao mesmo tempo, apoiar as iniciativas industriais da Embraer, e acelerar o desenvolvimento da base industrial indiana.

"Ao longo desse ciclo de avaliação, a empresa avaliou diversas capacidades industriais no país, incluindo montagem de aeroestruturas, usinagem, forja e fundição, compostos, cablagem, desenvolvimento de hardware e software", diz a empresa.

A Índia representa um mercado estratégico para a Embraer em todos os seus segmentos de negócios. Atualmente, a companhia mantém uma frota de 47 aeronaves operando no país, atendendo clientes nas áreas de Aviação Comercial, Executiva e Defesa & Segurança.

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O total inclui cinco jatos VIP da Embraer operados pelo governo indiano e três aeronaves EMB 145 AEW "Netra" usadas pela Força Aérea Indiana.

Com Money Times

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