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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

O MAPA DO TESOURO

Onde apostar na bolsa agora? Itaú BBA revela 26 ações que podem brilhar em meio ao caos de mercado em 2026

Mesmo com juros altos e volatilidade global, analistas veem um grupo seleto de empresas capaz de atravessar a turbulência e se valorizar na bolsa neste ano

Camille Lima
Camille Lima
5 de março de 2026
18:10 - atualizado às 16:35
B3, bolsa de valores, ações, mercados.
B3, a operadora da bolsa brasileira. - Imagem: iStock

Depois de meses de volatilidade e mudanças bruscas de humor nos mercados, muitos investidores passaram a olhar para a bolsa com mais cautela. Entre juros ainda elevados, dúvidas fiscais no Brasil e turbulências no cenário internacional — com direito à escalada das tensões geopolíticas —, o mercado de ações virou uma espécie de teste de nervos para o investidor. 

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Mas é justamente nesses momentos de maior ruído que costumam surgir as oportunidades mais interessantes. 

Na visão do Itaú BBA, a turbulência recente abriu espaço para identificar empresas que podem atravessar o cenário mais desafiador e entregar crescimento relevante nos próximos anos. 

Em um novo relatório, o banco reuniu 26 ações que considera bem posicionadas para 2026, espalhadas por diferentes setores da economia — de bancos e tecnologia a energia, commodities e consumo. 

A seleção mistura pesos-pesados do mercado, como Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e Mercado Livre (MELI34), e empresas menores que vêm ganhando destaque entre os analistas. 

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A “fórmula da resiliência” da carteira 

A ideia do Itaú BBA é identificar companhias que, mesmo em um ambiente macroeconômico mais complexo, tenham capacidade de continuar expandindo receitas, lucros e geração de caixa. 

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Embora não se limite a setores, o banco identifica alguns elementos em comum entre as empresas selecionadas. A primeira característica é a exposição a tendências estruturais da economia, como transição energética, crescimento do consumo global de proteínas e avanço da tecnologia. 

A segunda é a capacidade de gerar retorno consistente sobre o capital, mesmo em cenários mais desafiadores. 

Se todas as empresas listadas no relatório fossem reunidas em um portfólio igualmente ponderado, o conjunto teria potencial de apresentar: 

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  • crescimento de quase 19% no lucro por ação até 2026; e 
  • avanço superior a 26% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) agregado. 

Além disso, a carteira apresenta retorno médio sobre patrimônio (ROE) de cerca de 18,5%, com um dividend yield estimado em 4,3%. 

Tudo isso negociado a um múltiplo preço/lucro próximo de 14 vezes, considerado pelo banco próximo da média histórica e relativamente atrativo quando comparado a outros mercados globais, que hoje operam com prêmios de risco mais elevados. 

Em outras palavras: mesmo depois de tanta turbulência, ainda há empresas com espaço para acelerar resultados — e potencialmente recompensar investidores pacientes. 

26 ações para 2026: o mapa de oportunidades do Itaú BBA 

Para montar essa seleção, o Itaú BBA distribuiu suas apostas por diferentes setores, combinando empresas defensivas, geradoras de caixa e nomes de crescimento mais acelerado. 

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A ideia é equilibrar o portfólio entre negócios mais previsíveis e companhias com potencial de expansão mais forte. 

Veja a lista completa de ações para 2026:

  • Agronegócio e alimentos 

JBS 

A JBS é vista como uma exposição defensiva de alta qualidade, se beneficiando da plataforma global diversificada que reduz a volatilidade das margens.  

O principal gatilho para a empresa é a conclusão de sua listagem nos EUA, o que deve gerar uma reclassificação de seus múltiplos em relação aos pares globais e atrair fluxos de índices americanos, segundo o banco.  

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Além disso, a tese da JBS está ligada ao ciclo favorável das proteínas animais. O Itaú BBA vê espaço para melhora de margens em diferentes geografias, além de potencial valorização caso a companhia avance com sua estratégia de listagem internacional. 

3tentos (TTEN3) 

Enquanto isso, a 3tentos (TTEN3) se destaca por sua plataforma integrada que combina varejo, processamento de soja e trading, permitindo compensar momentos de baixa nas commodities.  

A companhia se beneficia da forte presença no agronegócio brasileiro, com atuação integrada em insumos, originação de grãos e produção de biodiesel.  

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A expectativa é de crescimento sustentado com expansão da base de clientes e ganho de escala. Seu plano de expansão agressivo para o Mato Grosso é o motor de crescimento para os próximos anos, segundo os analistas. 

  • Bancos e serviços financeiros 

Bradesco (BBDC4) 

O Bradesco (BBDC4) é a escolha principal entre os grandes bancos, impulsionado por uma recuperação acelerada da sua capacidade de receita com crédito e gestão de spreads.  

O banco está passando por uma reestruturação de custos e eficiência, enquanto a divisão de seguros mantém rentabilidades (ROE) sólidas entre 20% e 25%.  

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A expectativa dos analistas é de melhora da rentabilidade com normalização do crédito e ganhos de eficiência operacional. 

B3 (B3SA3) 

A B3 (B3SA3) surge como a grande beneficiária de uma eventual recuperação do mercado de capitais brasileiro, com alavancagem operacional significativa conforme o volume de negociações e a entrada de capital estrangeiro aumentam com a queda dos juros. 

Para o Itaú BBA, a tese da bolsa brasileira combina diversificação de receitas e crescimento estrutural do mercado de capitais. Além das negociações de ações, a companhia vem ampliando negócios em dados, tecnologia e serviços para o sistema financeiro. 

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  • Consumo e varejo 

Mercado Livre (MELI34) 

O Mercado Livre (MELI) continua sua trajetória de dominância no e-commerce latino-americano, utilizando a capilaridade de sua rede logística para ganhar participação de mercado.  

Além do comércio, a divisão Mercado Pago já representa 44% das receitas consolidadas, criando um ecossistema com fortes efeitos de rede, segundo os analistas. 

O banco vê forte expansão da base de usuários e monetização crescente do ecossistema. 

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Panvel (PNVL3) 

A Panvel (PNVL3) foi incluída como o melhor veículo para surfar o tema da "obesidade", devido ao crescimento robusto das vendas de medicamentos GLP-1, como o Ozempic, um mercado que pode atingir R$ 51 bilhões até 2030, de acordo com o Itaú BBA.  

A rede de farmácias tem apresentado crescimento consistente, impulsionado por expansão de lojas e fortalecimento da marca própria. O setor de saúde também tende a ser resiliente mesmo em cenários econômicos mais desafiadores, segundo os analistas. 

Smart Fit (SMFT3) 

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A Smart Fit (SMFT3) é a líder no modelo de academias de baixo custo, com retornos resilientes por unidade e expectativa de maior diluição de despesas operacionais a partir de 2026. 

Além disso, a rede de academias continua se beneficiando da expansão da cultura fitness e do modelo de negócios escalável. A tese inclui crescimento internacional e aumento da rentabilidade à medida que novas unidades amadurecem. 

  • Saúde e educação 

Rede D’Or (RDOR3) 

A Rede D’Or (RDOR3) demonstra resiliência em seu modelo de hospitais premium e deve aumentar seu poder de negociação no setor através da integração com a SulAmérica e parcerias com a Bradesco Saúde. 

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Além disso, a maior rede hospitalar do país segue ampliando sua presença por meio de aquisições e expansão orgânica.  

O banco vê potencial de crescimento com integração de ativos e aumento da demanda por serviços privados de saúde. 

Mater Dei (MATD3) 

Na mesma linha, o Mater Dei (MATD3) foca em ganhos de rentabilidade com a integração de ativos e melhoria na ocupação de leitos após um período de expansão orgânica e inorgânica. 

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A companhia vem expandindo sua rede hospitalar fora de Minas Gerais, estratégia que pode aumentar escala e rentabilidade ao longo dos próximos anos, segundo o banco. 

Yduqs (YDUQ3) 

No setor educacional, a Yduqs (YDUQ3) é aposta dos analistas pela sua forte geração de caixa e pela crescente relevância do segmento Premium (Ibmec e Medicina), que melhora o mix de receita e a visibilidade dos resultados. 

Após um período desafiador para o setor educacional, a empresa pode se beneficiar de maior disciplina de custos, crescimento do ensino digital e recuperação gradual da base de alunos, aposta o banco. 

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  • Petróleo e energia 

Prio (PRIO3) 

Para analistas, a Prio (PRIO3) oferece uma tese pura de crescimento em petróleo, focada na revitalização de campos maduros e no início da produção no campo de Wahoo.  

Segundo o banco, a forte geração de caixa da companhia dá flexibilidade para novos dividendos ou aquisições estratégicas.  

Vibra Energia (VBBR3) 

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A Vibra Energia (VBBR3), maior distribuidora de combustíveis do país, redirecionou seu foco para as operações principais e expansão da sua planta de lubrificantes, visando a expansão de margens.  

Para analistas, a empresa pode capturar valor com expansão de margens na distribuição de combustíveis e desenvolvimento de novos negócios ligados à transição energética.  

  • Papel e celulose 

Suzano (SUZB3) 

A Suzano (SUZB3) mantém sua posição como a produtora de celulose de fibra curta mais eficiente do mundo, com o projeto Cerrado já gerando frutos em termos de redução de custos e crescimento de Ebitda. 

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Para o Itaú BBA, a empresa continua posicionada para se beneficiar da demanda internacional e de ganhos de eficiência operacional, além de novos projetos industriais. 

  • Mineração  

Vale (VALE3) 

Já a Vale (VALE3) se destaca pela qualidade superior do seu minério de ferro, essencial para a descarbonização da siderurgia mundial, e negocia com um desconto atrativo de 20% frente aos pares australianos, segundo os analistas. 

Mesmo em meio à volatilidade das commodities, a mineradora segue como uma das principais geradoras de caixa da bolsa brasileira, com dividendos relevantes e forte exposição ao minério de ferro. 

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  • Setor imobiliário 

Allos (ALOS3) 

Resultado da fusão entre Aliansce Sonae e brMalls, a Allos (ALOS3) reúne um portfólio relevante de shopping centers e pode capturar sinergias operacionais e financeiras, segundo os analistas. 

A companhia foca em uma gestão disciplinada de capital, com reciclagem de ativos e um robusto plano de dividendos para 2026, sendo menos vulnerável ao cenário macro por possuir shoppings de alta performance.  

Tenda (TEND3) 

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No segmento de baixa renda, a Tenda (TEND3) se beneficia das melhorias no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), com a expectativa de que o segmento Alea atinja o equilíbrio financeiro (breakeven) em 2027.  

Moura Dubeux (MDNE3) 

A Moura Dubeux (MDNE3), líder no Nordeste, adota uma estratégia de crescimento no nicho de luxo e entrada no segmento de baixa renda, aproveitando o enorme déficit habitacional da região, segundo o Itaú BBA.  

  • Indústria e serviços 

Embraer (EMBR3) 

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Na leitura do Itaú BBA, a Embraer (EMBJ3) vive um "período de colheita" com demanda recorde em aviação comercial e executiva, além do potencial disruptivo da Eve, de carros voadores, cujos testes de voo em 2026 são aguardados como um grande catalisador.  

GPS (GGPS3) 

A GPS (GGPS3) é a líder em serviços terceirizados no Brasil, com um modelo de negócios de receitas recorrentes e alta resiliência, projetando retomar seu ritmo de aquisições (M&A) para impulsionar o valor. 

Para os analistas, a companhia de serviços terceirizados segue consolidando um setor altamente fragmentado, com crescimento via aquisições e contratos recorrentes. 

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  • Tecnologia 

Totvs (TOTS3) 

A Totvs (TOTS3) é descrita como uma "compounder" defensiva, com 90% de receita recorrente e altos custos de substituição para seus clientes (ERP), o que protege seus resultados em cenários voláteis.  

A empresa continua liderando o mercado de software corporativo no Brasil, com expansão do ecossistema de soluções financeiras e serviços digitais. 

Bemobi (BMOB3) 

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A Bemobi (BMOB3) foca na digitalização de pagamentos para setores tradicionais (como serviços públicos e telecomunicações), possuindo um mercado endereçável vasto e gerando caixa suficiente para pagar dividendos atraentes de 8%, segundo os analistas. 

  • Energia e utilities 

Axia Energia (AXIA3) 

Para os analistas, a Axia Energia (AXIA3) se tornou um dos melhores nomes para dividendos após resolver disputas regulatórias. 

A empresa se beneficia de tendências estruturais do setor elétrico e da demanda crescente por energia, especialmente com expansão de data centers e eletrificação da economia. 

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Eneva (ENEV3) 

A Eneva (ENEV3) possui uma correlação única com períodos de seca, que aumentam o despacho de suas térmicas, além de ter um leilão de reserva em 2026 como catalisador estrutural 

Equatorial (EQTL3) 

A Equatorial (EQTL3) é valorizada pela sua excelência operacional em concessões de distribuição e pela sua entrada estratégica no setor de saneamento através da Sabesp  

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Reconhecida pela eficiência operacional, a empresa segue expandindo presença em distribuição, transmissão e saneamento. 

  • Estratégia ESG 

Orizon (ORVR3) 

Para os analistas, a Orizon (ORVR3), que atua na gestão de resíduos e geração de biogás, está posicionada para lucrar com a regulação do mercado de crédito de carbono no Brasil e com a geração de biometano em seus aterros sanitários 

  • Bônus global 

TSMC 

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O Itaú também incluiu um nome internacional: a gigante taiwanesa de semicondutores TSMC, considerada peça central na cadeia global de tecnologia e inteligência artificial. 

A companhia possui poder de precificação único na fabricação de chips essenciais para a IA, mantendo uma base de clientes diversificada que vai além dos centros de dados, incluindo smartphones e automóveis. 

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