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RESUMO SEMANAL

CSN Mineração (CMIN3) dispara 20% na semana e lidera ganhos do Ibovespa, que também subiu após surpresa na inflação

IPCA abaixo do esperado reforçou as apostas de corte da Selic em agosto e ajudou a bolsa brasileira a superar a volatilidade causada pelo petróleo, pelo Fed e pela saída de investidores estrangeiros

Ações da CSN Mineração dispararam 20% apoiadas pelo crescimento de 18% das exportações de minério de ferro. Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/zhaojiankang

A premissa de Shakespeare “tudo bem quando termina bem”, em uma de suas famosas peças, se encaixa como uma luva ao Ibovespa nesta semana. Depois de dias pressionado pela saída de capital estrangeiro, pelas tensões no Oriente Médio e pelo tom duro do Federal Reserve (Fed), as ações brasileiras encontraram alívio nos dados de inflação doméstica, na sexta-feira (10), e a bolsa encerrou a semana em alta.

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Entre segunda e sexta, o Ibovespa avançou 2,1% em reais e fechou aos 177.866,38 pontos, enquanto o ganho chegou a 3,4% em dólares, favorecido pela valorização de 1,2% do real frente à moeda norte-americana.

A virada aconteceu principalmente na reta final da semana, quando a divulgação do IPCA de junho mostrou que a inflação desacelerou e subiu apenas 0,16% no mês passado, abaixo das expectativas do mercado.

O resultado reforçou a percepção de que a inflação brasileira continua perdendo força, aumentando as apostas de um novo corte da taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Ainda assim, a palavra da semana foi incerteza. O Fed, banco central dos EUA, reforçou seu discurso cauteloso em relação à inflação nos Estados Unidos, enquanto as tensões entre EUA e Irã voltaram a movimentar os preços do petróleo ao longo da semana.

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Agenda econômica continua intensa

Na próxima semana os agentes financeiros terão uma nova rodada de indicadores para digerir.

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No Brasil, os investidores acompanharão os dados de atividade de maio, com destaque para a Pesquisa Mensal de Serviços, as vendas do varejo e o IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB.

No campo político, o mercado seguirá atento às discussões no Congresso antes do recesso parlamentar e a uma nova rodada de pesquisas eleitorais.

No exterior, o foco estará nos Estados Unidos, com a divulgação dos índices de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), além das vendas do varejo. A semana também marca o início mais forte da temporada de balanços, com grandes bancos e empresas de tecnologia no radar.

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Por fim, na China, saem os números do PIB do segundo trimestre e indicadores de atividade econômica.

O que mexeu com o Ibovespa na semana

IPCA surpreende para baixo e anima apostas de corte da Selic

O principal catalisador positivo para a bolsa brasileira nesta semana foi a inflação.

O IPCA subiu 0,16% em junho, abaixo das projeções do mercado, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,7% para 4,6%. A melhora foi puxada principalmente pela queda dos preços dos alimentos, especialmente frutas e verduras.

O resultado reforçou a leitura de que a desinflação continua em curso e levou investidores a aumentarem as apostas de um novo corte de juros na reunião de agosto. Como consequência, a curva de juros fechou ao longo da semana, favorecendo ativos mais sensíveis ao cenário doméstico.

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Outro dado que contribuiu para essa percepção foi o IGP-DI de junho, um outro indicador de inflação que recuou na leitura de junho, em 0,79%. A deflação foi impulsionada pela queda dos preços no atacado, especialmente de commodities como petróleo e minério de ferro.

Fed continua duro e reduz expectativas de alívio nos EUA

No exterior, a política monetária norte-americana continua no foco. A ata da reunião de junho do Fed reforçou a preocupação dos dirigentes com a inflação, ainda pressionada por tarifas, energia e investimentos ligados à inteligência artificial.

O documento mostrou um comitê dividido e sem sinalização de cortes de juros no curto prazo.

A leitura dos agentes financeiros é de que os juros norte-americanos devem permanecer elevados por mais tempo, o que tradicionalmente reduz a atratividade de mercados emergentes.

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Apesar disso, o desempenho das bolsas internacionais seguiu positivo. O S&P 500 subiu 1,3% na semana, enquanto o Nasdaq 100 ganhou 1,7%, impulsionados mais uma vez pelo entusiasmo com inteligência artificial.

Não por acaso, os investidores estrangeiros continuam de saída do Ibovespa e retiraram cerca de R$ 1,1 bilhão da bolsa na semana, acumulando saídas líquidas de cerca de R$ 34,6 bilhões desde meados de abril, quando começou o movimento.

Petróleo voltou a oscilar com o Oriente Médio

O cessar-fogo acabou e a instabilidade no Oriente médio voltou a mexer com o preço do petróleo. Após as quedas observadas nas semanas anteriores, a cotação do Brent voltou a subir e chegou a superar os US$ 80 por barril.

Apesar da volatilidade, o mercado encontrou algum alívio com a continuidade das negociações diplomáticas, o que ajudou a limitar movimentos mais extremos na commodity. Na sexta-feira, a alta já tinha arrefecido para US$ 76.

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Ganhou e perdeu no Ibovespa

O principal destaque positivo do Ibovespa na semana foi a CSN Mineração (CMIN3).

As ações dispararam 20,2%, apoiadas pelo crescimento de 18% das exportações de minério de ferro da companhia em junho na comparação anual.

Além disso, o Citi afirmou em relatório que o trimestre da CSN (CSNA3) e da CSN Mineração deve vir misto, com duas das matérias-primas exploradas com potencial de elevar as receitas, enquanto uma deve ter resultados mais fracos.

Também figuraram entre as maiores altas Magazine Luiza (MGLU3), com avanço de 16,4%, Ultrapar (UGPA3), que subiu 11,8%, e Azzas 2154 (AZZA3), com valorização de 11,5%.

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Em termos de setores, a agropecuária teve o melhor desempenho da semana, subindo 7,7%, seguida por óleo, gás e petroquímicos (+3,7%), na esteira da disparada pontual do petróleo com a retomada dos ataques no Oriente Médio.

Entre as ações do Ibovespa que tiveram as maiores quedas individuais na semana estiveram MRV (MRVE3), que recuou 8,1%, Direcional (DIRR3), com baixa de 7,2%, e Marfrig (MRFG3), que perdeu 7%.

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