Ibovespa entra no ‘modo Bolt’ e dispara 3.400 pontos em um minuto após IPCA surpreender. A Selic cai de vez?
Entenda por que o Ibovespa viveu um pregão digno de recordista olímpico nesta sexta-feira (10) com o alívio da inflação — e o que isso significa para os juros

Em uma arrancada digna de Usain Bolt, o Ibovespa precisou de apenas 60 segundos para cravar uma alta de 3.400 pontos nesta sexta-feira (10). O combustível para esse sprint foi um dado de inflação abaixo do esperado, que funcionou como o tiro de largada para o mercado correr em direção à expectativa de juros mais baixos no Brasil.
Com esse desempenho de corredor de elite, o principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia aos 177.866,37 pontos, com alta de 2,97%, no maior patamar desde 14 de maio. Com a arrancada, apenas a Prio (PRIO3) fechou o pregão em queda, com desvalorização de 0,38%, negociada a R$ 55,40.
Na avaliação do Citi, é negativa a prorrogação do imposto de exportação sobre o petróleo, que afeta empresas como Prio, mas pode beneficiar a Petrobras (PETR4) devido aos subsídios recebidos.
A maior alta do Ibovespa ficou com a CSN (CSNA3) que avançou de 7,92%, a R$ 5,18, em meio a notícias sobre o avanço das negociações para a venda da CSN Cimentos.
Em Nova York, os índices também fecharam no positivo, mas com menos vigor. O Dow Jones encerrou o dia em alta de 0,29%, aos 52.637,01 pontos. O S&P 500, por sua vez, se valorizou 0,42%, aos 7.575,39 pontos, já o Nasdaq ganhou 0,29%, aos 26.281,11 pontos.
O sprint do Ibovespa é patrocinado pelo IPCA
O forte desempenho do Ibovespa nesta sexta-feira (10) é patrocinado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação no país.
Leia Também
O indicador fechou junho com alta de 0,16%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de subir 0,58% em maio.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,64%, ainda acima da meta do Banco Central, de 4,50%.
Habitação teve a maior variação positiva (0,63%) e o maior impacto (0,10 p.p.). Na outra ponta, o grupo de alimentos e bebidas, com queda de 0,24%, registrou a maior variação negativa e o maior impacto negativo (-0,05 p.p.).
Para o Bradesco, a maior surpresa veio de alimentos, com recuo amplo dentro da categoria. Segundo o banco, as sondagens diárias não indicavam uma queda de preços tão forte.
"Esse resultado mensal favorável provavelmente reduzirá nossa projeção de curtíssimo prazo", afirma o time de economistas em relatório.
Em contrapartida, o Bradesco acredita que pressões vindas dos preços de fertilizantes e a alta probabilidade de um El Niño forte devem influenciar para cima os alimentos a partir do segundo semestre.
No cenário do Inter, as expectativas de El Niño forte ainda este ano mantêm projeções elevadas para a inflação para 2026.
O economista sênior do banco, André Valério, reforça que a surpresa de baixa foi muito além do esperado, indicando que o processo inflacionário subjacente da economia brasileira não aparenta estar reacelerando.
Segundo ele, a pressão altista recente foi amplamente influenciada pelas condições adversas de oferta em combustíveis e em alimentos.
- Leia mais: Selic pode cair mais em 2026? BTG Pactual revisa projeção, mas mantém cautela com inflação e dólar
Para onde os juros vão agora?
O dado de inflação alimenta expectativas de que há espaço para os juros, atualmente em 14,25% ao ano, caírem mais — ou, pelo menos, não subirem mais, uma tendência que começa a ser vista globalmente.
"A surpresa inflacionária para baixo provavelmente dará confiança ao Copom para entregar outro corte de 0,25 ponto na próxima reunião, em 5 de agosto, embora muito vá depender dos dados de inflação e atividade até lá", diz a Capital Economics em nota.
Para a consultoria britânica, o panorama mais amplo, porém, é que a inflação ainda elevada e a atividade econômica resiliente limitam o espaço para novos cortes neste ano, mas reconhece que deve haver margem para um ciclo de afrouxamento maior em 2027.
O economista do ASA, Leonardo Costa, afirma que o resultado do IPCA aumenta a probabilidade de um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto.
Ainda assim, ele ponderou que medidas em média móvel continuam rodando em patamar elevado e "incompatível com uma convergência confortável" da inflação para a meta.
Segundo Costa, o resultado de junho representa alívio moderado, mas não o bastante para alterar de forma relevante o diagnóstico do Banco Central sobre os preços.
“A inflação segue acima do teto do regime de metas, as expectativas continuam desancoradas e a atividade doméstica permanece resiliente”, diz.
A XP também espera um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na reunião do Copom em agosto. Segundo o economista Alexandre Maluf, os passos seguintes dependerão do ambiente externo e interno.
Tesouro IPCA+ a 8%: mina de ouro ou bomba-relógio?
Ibovespa sobe, dólar cai
O comportamento do dólar no mercado à vista desta sexta-feira (10) também foi influenciado pelo resultado do IPCA de junho — e pelas implicações nos juros brasileiros.
A moeda norte-americana encerrou as negociações a R$ 5,1084, com queda de 0,28%. Na semana, o dólar acumulou recuo de 1,17% ante o real.
A leitura do mercado é que a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto favorece ativos de risco como o Ibovespa e o próprio real.
TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3