IA põe Nova York no topo: Dow Jones supera os 53 mil pontos, mas Ibovespa vai na direção oposta e cai
O dólar engatou a terceira queda consecutiva, cotado a R$ 5,1320 — o menor patamar de fechamento desde 17 de junho

Após uma pausa para os fogos do Dia da Independência, Wall Street voltou nesta segunda-feira (6) disposta a estourar o próprio rojão de recordes. O destaque do dia foi o Dow Jones, que renovou máximas ao longo do dia e rompeu a barreira dos 53 mil pontos no fechamento pela primeira vez. O Ibovespa, por sua vez, não acompanhou os ganhos e encerrou a sessão no vermelho.
O Dow Jones subiu 150 pontos para fechar o dia em alta de 0,29%, aos 53.055,91 pontos. O S&P 500 avançou 0,72% (7.537,48 pontos) e o Nasdaq teve alta de 1,12% (26.121,16 pontos),
O rali que empurrou as bolsas norte-americanas teve como combustível o apetite dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e chips.
O renascimento dos chips e os empurrões de Trump e da IA
O movimento representou uma forte recuperação para o setor de tecnologia, que vinha cambaleando na semana anterior com investidores reduzindo a exposição a fabricantes de chips. Mas o desânimo durou pouco.
A Advanced Micro Devices (AMD) capitaneou os ganhos ao saltar mais de 6%, impulsionada pelo Goldman Sachs, que elevou o preço-alvo da ação de US$ 450 para US$ 640, mantendo a recomendação de compra.
Outras gigantes de chips e softwares pegaram carona: a Broadcom subiu 3,73%, a Intel avançou 1,54% e a Micron Technology ganhou 0,94%. O ETF VanEck Semiconductor (SMH), que vinha de duas semanas seguidas de perdas, respirou aliviado e chegou a subir mais de 2%.
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A Dell ganhou um garoto-propaganda de peso. As ações subiram 4,43% forte após o presidente dos EUA, Donald Trump, tocar o sino de abertura dos mercados e, mais tarde na Casa Branca, pedir publicamente para que as pessoas "comprem um Dell", agradecendo aos investimentos da companhia nas chamadas Trump Accounts — uma espécie de conta para crianças com foco na aposentadoria.
A Terawulf também brilhou ao anunciar um contrato bilionário de US$ 19 bilhões com a Anthropic para a criação de um campus de infraestrutura voltado à IA.
Mas nem todo mundo teve a mesma sorte no Vale do Silício. A Microsoft recuou quase 1% após anunciar o corte de 4.800 postos de trabalho. Você pode conferir aqui os detalhes das demissões.
No horizonte, os investidores agora aguardam a ata do Federal Reserve na quarta-feira (8), que pode trazer o tom mais duro do novo presidente do banco central norte-americano, Kevin Warsh, indicando juros altos por mais tempo para controlar a inflação.
Dolarização dos investimentos? A estratégia para lucrar com a Selic e diversificar no exterior
Ibovespa descola das bolsas de Nova York
Se Nova York estendeu o tapete vermelho para a festa, a bolsa brasileira preferiu o isolamento. O Ibovespa operou na contramão do exterior e fechou em queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos, registrando um giro financeiro de R$ 16,94 bilhões.
De acordo com especialistas, a saída do capital estrangeiro — que detém mais da metade do volume financeiro da B3 — pesa contra o índice. Embora o dia 2 de julho tenha registrado entrada de R$ 567,6 milhões, o acumulado do mês ainda amarga uma retirada de R$ 22,223 milhões em recursos externos.
Somado a isso, o cenário doméstico adicionou uma boa dose de cautela, com a proximidade das eleições presidenciais trazendo volatilidade para a bolsa brasileira.
Até o futebol fez preço. A eliminação do Brasil na Copa do Mundo no domingo (5) derrubou as ações da Ambev (-2,39%), com a perspectiva de menor consumo de bebidas no país.
Houve ainda uma correção técnica após o frenesi de sexta-feira, quando Nova York estava fechada e o mercado brasileiro sonhava com corte na Selic.
Papéis cíclicos lideraram as perdas: Totvs, Lojas Renner e Yduqs recuaram mais de 4%, ignorando o fechamento da curva de juros.
As blue chips, como são conhecidas as ações peso-pesado do Ibovespa, também puxaram o índice para baixo, com os bancos caindo em bloco, além de recuos superiores a 1% para Petrobras e Vale.
Dólar fura piso e renova mínimas
Se as ações caíram, o mercado de câmbio trouxe alívio. O dólar engatou a sua terceira queda consecutiva, recuando 0,71%, cotado a R$ 5,1320 — o menor patamar de fechamento desde 17 de junho. Na mínima do dia, a divisa norte-americana chegou a bater R$ 5,1279.
Sem grandes indicadores internos, o real se destacou graças a um ajuste nos prêmios de risco e ao bom momento das commodities agrícolas.
Com o resultado, o dólar acumula queda de 0,50% em julho, reduzindo os ganhos globais. No ano, o real se consolida como a segunda moeda mais líquida de melhor desempenho global, atrás apenas do peso colombiano.
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