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A volatilidade dos juros no Brasil aumenta o interesse por ações defensivas, com fluxo de caixa estável e dividendos

Juros vai cair; juros vai ficar; corta 0,25 ponto percentual; não corta nada. O cenário para a política monetária do Brasil não poderia ser mais incerto. A expectativa em relação à Selic já mudou tanto desde janeiro que nem a melhor bola de cristal teria ajudado a dar clareza sobre as expectativas do mercado.
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã tinha melhorado as projeções para os juros e a inflação. Mas eis que os países voltaram a se atacar e tudo ficou nublado de novo.
O receio é que uma nova escalada do conflito afete a produção e o transporte de petróleo, pressionando os preços da commodity de novo e reacendendo os temores de inflação ao redor do mundo.
No Brasil, os dados de inflação vieram melhores do que o esperado em junho e alimentaram a expectativa de mais cortes na Selic. Ao mesmo tempo, a piora do ambiente geopolítico cria uma camada extra de incerteza sobre os próximos passos da trajetória dos preços.
Enquanto isso, o mercado está tendo dificuldade para responder a pergunta mais importante do momento: os juros vão cair mais ou permanecer elevados por bastante tempo?
Diante dessa incerteza, os analistas do Bank of America (BofA) escolheram as ações consideradas proxies, algo como representantes, da renda fixa brasileira por oferecerem geração de caixa estável e, muitas vezes, dividendos recorrentes — ambas características defensivas em períodos de dúvidas.
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O termo pode soar complicado, mas a ideia é simples.
São empresas que operam em setores pouco sensíveis às oscilações da economia, como transmissão e distribuição de energia, concessões de rodovias, saneamento e shoppings.
Esses negócios costumam ter receitas contratadas, reajustadas pela inflação e relativamente previsíveis. Por isso, são vistos como alternativas para investidores que buscam uma combinação de renda e menor volatilidade na bolsa de valores.
Segundo o BofA, justamente em momentos de dúvida sobre os juros essas ações tendem a se destacar.
Dentro do setor elétrico, o BofA prefere uma estratégia equilibrada entre empresas menos sensíveis aos juros e companhias que podem se beneficiar caso os agentes financeiros voltem a esperar cortes mais intensos na Selic.
A principal aposta de curto prazo é a AXIA Energia (AXIA3).
O banco argumenta que a ação está descontada e destaca o potencial de distribuição de dividendos. A estimativa é de um retorno próximo de 30% em dividendos ao longo dos próximos três anos — uma das maiores projeções dentre as ações da cobertura.
No valuation, o BofA trabalha com preço-alvo de R$ 74 para a AXIA3, ante cotação de R$ 53,80 nesta terça-feira (14). Isso implica um potencial de valorização próximo de 38%, sem considerar dividendos.
Outra escolhida é a Isa Energia (ISAE4).
A companhia tem receitas corrigidas pela inflação e pode ganhar valor adicional caso avance uma disputa ligada a passivos previdenciários, segundo relatório do banco.
O preço-alvo para os papéis ISAE4 é de R$ 35, com um potencial de alta de cerca de 16% em relação a cotação atual, de R$ 27,78.
Já a principal recomendação entre os nomes mais sensíveis à trajetória dos juros é a Equatorial (EQTL3).
O BofA vê espaço para crescimento da companhia, apoiado pela redução do endividamento e por possíveis aquisições no setor elétrico.
O preço-alvo é de R$ 50, ante cotação de R$ 40,90, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 22%.
O setor de infraestrutura também aparece com destaque no relatório.
A favorita é a Ecorodovias (ECOR3), apontada como a ação mais barata entre todas as bond proxies analisadas. Segundo o banco, a empresa seria uma das maiores beneficiadas por um cenário de queda dos juros.
O BofA tem preço-alvo de R$ 15, ante cotação próxima de R$ 7,80, sugerindo um potencial de valorização superior a 90%.
A outra aposta é a Motiva (MOTV3), que chama a atenção por ter geração de caixa de prazo mais curto e baixa alavancagem, características que oferecem mais proteção caso os juros permaneçam elevados.
O banco estima um retorno de 13,2% e vê a ação chegando a R$ 21,50, frente aos R$ 15,10 observados nesta terça, um potencial de alta de cerca de 42%.
Entre as administradoras de shopping, o BofA enxerga menos potencial de valorização do que em energia e infraestrutura, mas considera o setor especialmente defensivo devido à previsibilidade dos resultados e ao baixo nível de endividamento esperado para os próximos anos.
A preferência fica com a Allos (ALOS3), e o principal argumento é a remuneração ao acionista. O banco projeta dividend yield em torno de 13% para 2026, um dos maiores entre todas as bond proxies brasileiras.
Além disso, o preço-alvo é de R$ 34, contra cotação de aproximadamente R$ 28,80, indicando potencial de valorização próximo de 18%.
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