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Não é só a tensão no Estreito de Ormuz que faz os mercados operarem no vermelho nesta segunda-feira (13) — o investidor brasileiro também olha para os EUA com apreensão

A corda esticou e o mercado global foi arrastado para o vermelho. Em um cabo de guerra entre o otimismo econômico e a escalada de tensões no Estreito de Ormuz, o risco geopolítico vence a primeira rodada nesta segunda-feira (13). Com o temor de um estrangulamento da principal rota marítima de petróleo do mundo, o Ibovespa e as bolsas globais operam em forte baixa, enquanto os investidores correm para o lado mais seguro da disputa.
O principal ponto de tensão do dia foi uma publicação do presidente norte-americano, Donald Trump, na rede social Truth Social, afirmando que os EUA devem assumir o controle Estreito de Ormuz como “guardiões”.
A ideia de Trump é reinstaurar o bloqueio marítimo sobre o Irã e realizar uma cobrança de 20% sobre toda carga transportada na região. Do outro lado da corda, o Irã reforçou que, com a falta de cooperação norte-americana, deixará de cumprir o acordo que previa o fim da guerra.
A resposta a esse estica e puxa foi imediato: os preços do petróleo voltaram a subir e os índices do mercado de ações recuam.
Por volta de 13h20, tanto o petróleo Brent — referência internacional, usado inclusive pela Petrobras (PETR4) — como WTI, referência do mercado norte-americano, subiam mais de 4%.
Em Wall Street, o Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuam — no caso da bolsa tecnológica, a queda também está relacionada à correção de papéis ligados ao setor de semicondutores.
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No Brasil, o sentimento de cautela é o mesmo: o Ibovespa perdeu a marca de 177 mil pontos e registra um recuo de 0,77%, com 176.490,94 pontos. O dólar, por sua vez, volta a ser porto seguro e sobe 0,23%, cotado a R$ 5,1198.
Os efeitos do conflito entre os Estados Unidos e Irã respingam entre os investidores a partir do preço do dólar, expectativas de inflação global e performance das bolsas do mundo todo.
A consequência imediata costuma ser o avanço dos preços do petróleo.
A qualquer faísca entre os dois países que cite o Estreito de Ormuz, canal de passagem de boa parte do petróleo exportado globalmente, os valores cobrados por barril tendem a disparar. Foi o que aconteceu nesta segunda.
No fim de semana, Teerã informou que o Estreito de Ormuz estava, novamente, fechado para tráfego marítimo por tempo indeterminado.
Já Trump afirmou que a região continua operando, e o governo norte-americano realizou uma nova ofensiva com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações, além das declarações sobre se tornar guardião de Ormuz.
No Ibovespa, apesar da queda do índice, ações ligadas ao petróleo avançam com a escalada do conflito.
Entre as maiores valorizações está a Petrobras: as ações preferenciais PETR4 avançam 2,72%, enquanto as ordinárias PETR3 sobem 3,10%. Prio (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3) têm alta de 1,55% e 0,49%, respectivamente.
Na contramão estão as ações mais sensíveis a juros. O petróleo mais caro eleva as pressões inflacionárias e colocam as expectativas de juros em alta. Como reflexo, papéis das construtoras Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3) caem 3,54% e 3,19%, respectivamente, figurando entre as maiores baixas do Ibovespa.
Além das preocupações com o Oriente Médio, os investidores locais também seguem monitorando a as tensões comerciais entre o Brasil e Estados Unidos.
Na próxima quarta-feira (15), deve ser divulgada a conclusão da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apura supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas.
A depender do resultado, novas tarifas de 25% podem ser aplicadas sobre os produtos brasileiros importados pelos EUA.
Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão temas ligados ao ambiente digital, serviços financeiros e barreiras regulatórias. O Brasil contesta as acusações e mantém conversas com Washington na tentativa de evitar a adoção de novas sobretaxas.
Para os mercados, o principal risco é que uma escalada da disputa comercial afete setores exportadores e aumente a incerteza sobre o fluxo de comércio entre as duas maiores economias do continente.
Caso as tarifas avancem, o impacto pode ser sentido em empresas com forte exposição ao mercado norte-americano, enquanto um eventual acordo tende a reduzir a pressão sobre os ativos brasileiros.
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