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CENÁRIO NO 2º SEMESTRE

ASA diz que ‘bifurcação’ pode fazer a bolsa brasileira chegar a 300 mil pontos ou levar otimismo água abaixo

Especialistas defendem que os ativos de risco têm espaço para valorizar, mas o país precisa arrumar a casa; entenda quais são as oportunidades no segundo semestre

Bandeira do Brasil e gráfico de ações para representar o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira
Ibovespa - Imagem: iStock/Gilnature

O cenário macroeconômico brasileiro no segundo semestre de 2026 se vê diante de uma bifurcação. Em um dos caminhos, os investidores podem ter um ambiente positivo para os ativos de risco, com espaço para o Ibovespa chegar a 300 mil pontos em um intervalo de 12 a 18 meses. Já o outro pode se traduzir em um país com endividamento insustentável, com pressão inflacionária e juros altos por mais tempo.

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Essa é a visão de Rogerio Freitas, head de investimentos do ASA, em bate-papo com a imprensa nesta terça-feira (14).

Para o especialista, a condição principal para que o Brasil saiba qual é o caminho que será percorrido é a definição das eleições presidenciais em outubro e a escolha de um candidato que priorize a responsabilidade fiscal, popularmente considerada o calcanhar de Aquiles brasileiro.

“No primeiro semestre do ano, os fatores globais [como a guerra entre os Estados Unidos e o Irã e o aumento do fluxo estrangeiro nos países emergentes] influenciaram o mercado brasileiro. Mas agora, no segundo semestre, os vetores domésticos são mais importantes. Precisamos discutir política fiscal”, explicou.

As eleições deste ano devem ditar a performance dos ativos nos próximos meses. Freitas espera que, à medida que as urnas se aproximam, a bolsa brasileira tenha uma maior volatilidade de curto prazo devido aos ruídos políticos.

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Neste período, inclusive, é possível que haja também a valorização do dólar.

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Porém, mais importante do que essas movimentações de curto prazo, o especialista destaca o papel do resultado das eleições daqui para frente.

As pesquisas eleitorais mais recentes mostram um empate técnico em um eventual segundo turno entre os candidatos mais cotados: a reeleição de Lula, e o senador Flávio Bolsonaro.

O head de investimentos da instituição financeira defende que, com esse ambiente eleitoral totalmente polarizado, os sinais mais claros de quem vencerá as eleições devem surgir cerca de três semanas antes das urnas — e ser decidido por 3% da população brasileira, que fica em cima do muro até lá.

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O que importa para o investidor é que, a depender do resultado, o país pode ter no poder um presidente mais responsável do ponto de vista fiscal, que poderia levar o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, para um patamar de 300 mil pontos.

Em relação ao último fechamento (13), de 175.739 pontos, o potencial de valorização chegaria até 70%.

Caminho ainda é nebuloso até lá

Embora haja espaço para uma alta expressiva dos ativos de risco, considerar somente esse cenário é como uma aposta de cara ou coroa.

Freitas explica, por exemplo, que no caso de uma política fiscal mais disciplinada, as small caps — papéis de empresas com menor valor de mercado — tendem a performar muito bem. Outras ações que devem chamar a atenção na bolsa são as estatais.

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Porém, por esse não ser o cenário base, o ideal no segundo semestre deste ano é “fazer o básico” e não cair na cilada de tentar escolher os papéis com maior potencial de valorização, defende o especialista.

Embora não indique papéis preferidos, o ASA recomenda, entre ativos da bolsa de valores, um equilíbrio entre gestão ativa e o investimento por meio de Exchange Traded Funds (ETFs) — os fundos de índice.

No caso dos ETFs, Freitas destaca que investir no Ibovespa se traduz em uma proteção natural pela exposição do índice em empresas do setor financeiro e exportadoras de commodities.

Já na parte ativa da carteira, o mais recomendado é manter empresas maduras e com características de boas pagadoras de dividendos: companhias com contratos de longo prazo, previsibilidade de receita e endividamento baixo.

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E na renda fixa?

O especialista do ASA também recomenda uma parcela em renda fixa neste segundo semestre. Porém, deixar todo o dinheiro em ativos atrelados ao CDI pode dar uma “falsa sensação de segurança”, na visão de Freitas.

Os títulos preferidos na renda fixa são os indexados à inflação com duração de cerca de seis anos, tanto o Tesouro IPCA+ no caso dos títulos públicos, quanto ativos de crédito privado isentos de Imposto de Renda.

Neste segundo caso, o especialista destaca a importância da seletividade. “O mercado de crédito privado está mais arriscado. Eu brinco que não queremos mais empresas Triple A, queremos Quadruple A. Precisamos focar onde é mais defensivo”, diz.

Não é só a bolsa brasileira que oferece oportunidade

Mas enquanto o investidor brasileiro lida com uma bifurcação no cenário doméstico, no ambiente internacional o ASA mantém uma maior convicção com o otimismo sobre as bolsas norte-americanas.

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Segundo Charles Ferraz, diretor global de investimentos do ASA, as bolsas dos Estados Unidos têm um bom espaço de compra para o investidor.

Contrário às visões do mercado que apontam para uma possível bolha nas bolsas norte-americanas, Ferraz defende que as altas recentes se sustentam graças aos resultados das empresas nos Estados Unidos, que têm avançado acima das expectativas.

A grande tese, na visão do especialista, é a inteligência artificial. O “hype” deve continuar tanto para as ações que são diretamente relacionadas à IA quanto no caso dos papéis que oferecem insumos para a tecnologia, como empresas de cobre, energia e infraestrutura, por exemplo.

“Não é uma boa tentar apostar em uma empresa específica. O ideal é estar em vários setores para aproveitar esse movimento econômico como um todo”, destaca.

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