Magalu (MGLU3) passou no ‘teste de fogo da Selic’ enquanto outras sucumbiram, diz Fred Trajano
CEO destaca que Magalu teve lucro em ambiente de juros altos, enquanto analistas veem desempenho misto e pressão no e-commerce

O Magazine Luiza (MGLU3) sentiu os efeitos dos juros elevados no Brasil nos resultados do quarto trimestre de 2025, divulgados na última quinta-feira (12) — mas isso não significa que a empresa não tenha passado no "teste de fogo da Selic”, na visão do CEO Fred Trajano.
Em teleconferência coma analistas nesta sexta-feira (13), o executivo destacou que o fato de a varejista ter dado lucro em um ambiente macro tão complicado é prova disso. A companhia registrou lucro líquido de R$ 204,4 milhões em 2025, com R$ 65 bilhões em vendas.
“Estamos atravessando um momento muito delicado, em que várias empresas icônicas e que tinham liderança de mercado estão pedindo recuperação judicial ou extrajudicial. O Magalu cresceu no meio disso. O mais importante é que cerca de 70% do nosso volume de vendas vem do online, que vive hoje um ambiente muito competitivo, até irracional”, afirmou Trajano.
Por volta das 16h20, as ações da companhia caíam cerca de 0,4%, negociadas a R$ 9,36. No entanto, nas primeiras horas do pregão os papéis chegaram a acelerar 9%, entre as maiores altas do Ibovespa.
A concorrência 'irracional' a qual Fred Trajano se refere
A referência foi feita em relação aos players internacionais, como Mercado Livre e Shopee, que estão indo para o tudo ou nada em busca do market share no Brasil, mesmo que isso signifique sacrifício de rentabilidade no momento. Já o Magalu busca o crescimento sustentável.
“Eu estou há 25 anos no e-commerce e já vi muitos exemplos de deseconomia de escala no Brasil. Já vi empresas que eram até 15 vezes maiores do que a gente no e-commerce ganhando mercado com produtos de contribuição negativa, com a ideia de que, um dia, isso se transformaria em margem de contribuição positiva. Isso não aconteceu”, afirmou o CEO.
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Vale lembrar que a varejista brasileira escolheu tirar o pé do marketplace (3P), causando uma forte desaceleração nas vendas em 2025. Neste ano, o Magalu pretende focar em produtos de qualidade por maios canais online para reverter o resultado ruim. Confira detalhes desta estratégia aqui.
O que o mercado achou dos resultados do Magalu?
Na visão do JP Morgan, o Magalu reportou tendências operacionais fracas no 4T25, em linha com o esperado. Você pode conferir os números em detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
“O volume de vendas (GMV) caiu 1% na comparação anual, refletindo a fraqueza do e-commerce (tanto no 1P quanto no 3P), que mais do que compensou o crescimento das lojas físicas, cujas vendas em mesmas lojas avançaram 8,4%, mesmo sobre uma base comparativa forte”, escrevem os analistas em relatório. O banco manteve recomendação neutra para os papéis.
Para o BTG Pactual, a companhia apresentou tendências operacionais mistas, com desempenho sólido nas lojas físicas e na Luizacred, mas mais fraco no e-commerce, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou ligeiramente acima das expectativas.
O banco destaca que a rentabilidade do varejo do Magazine Luiza permaneceu praticamente estável no 4T25, apesar de impactos de itens não recorrentes.
A margem bruta ajustada ficou em 30%, queda de 10 pontos-base (pbs) na comparação anual. No resultado reportado, porém, a margem foi pressionada por provisões de estoque de R$ 299 milhões, recuando para 27,3%. As despesas operacionais cresceram 6%, passando a representar 23,4% da receita líquida.
“Mesmo assim, o lucro líquido ajustado chegou a R$ 125 milhões, impulsionado principalmente por uma reversão maior de imposto de renda no período. A geração de caixa também melhorou: o fluxo de caixa operacional atingiu R$ 2,2 bilhões, enquanto o fluxo após capex ficou em R$ 1,9 bilhão”, escreve o BTG em relatório.
Para o time de análise, apesar do ambiente desafiador — com crescimento mais fraco do e-commerce, juros elevados e concorrência intensa — a companhia tem mostrado tendências consistentes de rentabilidade e geração de caixa, o que sustenta a visão positiva de analistas sobre a estratégia focada em eficiência e disciplina financeira. A recomendação para os papéis é de compra.
Já o Itaú BBA não gostou do que viu nos resultados.
“O que mais chamou a atenção dos investidores foi a constituição de R$ 300 milhões em provisões de estoque, com impacto integral no Ebitda. O mercado deve observar possíveis reversões ao longo de 2026”, diz o time de análise.
O Itaú BBA também ressalta que lojas físicas tiveram bom desempenho, com crescimento de 8,4% nas vendas, mas o e-commerce segue pressionado e perdeu ritmo em relação aos concorrentes. Enquanto rivais continuam avançando no comércio eletrônico, as vendas online do Magalu caíram na comparação anual.
Outro ajuste importante veio da Luizacred, braço financeiro da empresa, que registrou uma baixa contábil relacionada a créditos antigos que provavelmente não serão recuperados. Com isso, eventuais recuperações futuras podem aparecer como ganho no resultado.
“Apesar da operação mostrar alguma resiliência, a geração de caixa continua pressionada. Além disso, o principal desafio segue sendo o e-commerce, onde concorrentes como Mercado Livre e Casas Bahia estão crescendo mais rápido e ampliando a disputa em categorias importantes para o Magalu, como eletrodomésticos e eletrônicos”, diz o BBA em relatório. A recomendação para os papéis é neutra.
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