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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

MERCADOS HOJE

Ibovespa bate os 171 mil pontos pela primeira vez: o que está por trás da disparada do índice?

Entrada recorde de capital estrangeiro, rotação global de dólares para emergentes e alta de Petrobras e Vale impulsionaram o índice, em meio a ruídos geopolíticos nos Estados Unidos e com eleições brasileiras no radar dos investidores

Bia Azevedo
Bia Azevedo
21 de janeiro de 2026
14:04 - atualizado às 19:07
Touro da bolsa de valores surfando
Touro da bolsa de valores surfando - Imagem: Imagem gerada por IA

O dia começou com o Ibovespa batendo os 170 mil pontos pela primeira vez. Mas o principal índice da bolsa brasileira foi além e fechou a quarta-feira (21) no recorde de 171.816,67 pontos (+3,33%). No pico do sessão, chegou a flertar com a máxima histórica de 172 mil pontos (171.969,01 pontos).

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No dia anterior, o Ibovespa havia encerrado no nível dos 166 mil pontos. Esse desempenho faz o índice subir 4,26% na semana, colocando o ganho acumulado até aqui no mês e no ano em 6,64%.

O dólar à vista, por sua vez, terminou o pregão baixa. A moeda norte-americana recuou 1,11%, cotada a R$ 5,3208.

O que está por trás da forte alta do Ibovespa?

O impulso no Ibovespa veio do forte fluxo de capital estrangeiro para os mercados emergentes, em meio a uma rotação global de dólares.

O movimento reflete o aumento da aversão ao risco em relação ao mercado norte-americano, com investidores reduzindo exposição e promovendo a venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasurys).

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O ajuste vem em meio à escalada das tensões geopolíticas, intensificadas por declarações do presidente Donald Trump no contexto da disputa pela Groenlândia.

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Segundo o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, muitos investidores estão se afastando desses índices das Bolsas de Nova York, devido à agressividade de Trump.

Durante sua fala no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos voltou a defender a ideia de adquirir a Groenlândia, adotou um discurso mais duro em relação à Europa e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e afirmou que apenas os EUA teriam capacidade de garantir a segurança do território, que hoje integra o Reino da Dinamarca.

Apesar do tom elevado e das insinuações sobre uma possível ação militar na Groenlândia, Trump afirmou que não pretende recorrer ao “uso da força” para assumir o controle da ilha, mas voltou a ameaçar a aliança militar com possíveis retaliações.

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“Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia", discursou Trump”, disse Trump.

Eleições no radar

Há também o fator “eleições” no radar. Mais cedo, a pesquisa AtlasIntel mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de outubro deste ano, com chances inclusive de vencer já no primeiro turno, e mantém a liderança nas simulações de segundo turno.

De acordo com o levantamento, encomendado pela Bloomberg, os dois possíveis candidatos do campo bolsonarista — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — registram desempenho idêntico contra o petista em um segundo turno.

Em destaque, no cenário em que apenas Flávio é o candidato bolsonarista, Lula tem 49% e o senador aparece com 35%, uma redução da distância em relação à pesquisa anterior.

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Petrobras e Vale subindo com força

No meio disso, as ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4) operaram em forte alta nesta quarta-feira (21) no Ibovespa. As ações preferencias da petroleira subiram 3,53%, negociadas a R$ 33,43, enquanto as ordinárias (PETR3) avançaram mais de 4,59%, a R$ 36,03. A mineradora, por sua vez, avançou 3,02%, a R$ 82,50.

Os papéis estiveram entre os principais pilares de sustentação do Ibovespa. Isso porque essas ações concentram boa parte do fluxo estrangeiro: são as mais líquidas da B3, têm peso relevante na composição do índice e oferecem exposição direta a commodities precificadas em dólar — um combo que facilita a alocação de investidores globais em momentos de maior apetite por mercados emergentes.

As ações da Vale lideraram o apetite por tomada de risco com R$ 6,575 bilhões, o maior giro financeiro do papel em um ano. Destaque também para o Itaú PN, que disparou 4,38%, e para a Petrobras, que voltou a romper R$ 450 bilhões em valor de mercado depois de nove meses.

A lanterninha do pregão

Apenas uma ação terminou o dia no vermelho dentro do Ibovespa: a TIM (TIMS3). O papel caiu 1,11%, cotado a R$ 23,98.

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A operadora de telefonia não conseguiu se descolar do rebaixamento do Citi de compra para neutro e absorver esse fluxo comprador.

O banco norte-americano avalia que, embora as tendências de fluxo de caixa da TIM continuem a se desenvolver bem, dados recentes deixaram sua visão menos construtiva em relação ao estado da concorrência no mercado de telefonia móvel.

Com informações do Money Times

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