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Analistas dos dois bancos indicam onde investir em 2026 antes que os juros mudem o jogo; confira as estratégias
Depois de um 2025 que exigiu nervos de aço do investidor brasileiro — com a Selic no maior nível em duas décadas e o CDI funcionando como um colchão confortável —, 2026 começa com um sinal claro de virada. O ciclo de juros a 15% ao ano está com os dias contados. E é justamente essa transição que muda o jogo para os investimentos.
Para o BTG Pactual e o Santander, 2026 marca o ano de sair da inércia do CDI. A melhor janela para travar taxas elevadas na renda fixa prefixada, capturar ganhos e se posicionar para a retomada da bolsa já está aberta. E, segundo os analistas, ela pode não ficar assim por muito tempo.
A projeção do BTG é de que a Selic termine 2026 em torno de 12%. O Santander também antecipa o início dos cortes ainda no primeiro trimestre do ano.
Na prática, isso significa duas coisas: o CDI começa a desacelerar e o custo de oportunidade de ficar parado no pós-fixado aumenta — empurrando o investidor, aos poucos, para ativos de maior risco.
Há um consenso entre os analistas: o relógio está correndo para quem quer capturar os prêmios da renda fixa antes do início efetivo do ciclo de cortes de juros.
Se nos últimos anos o investidor pôde se dar ao luxo de ficar confortável no CDI, 2026 exige uma mudança de postura. Com juros em queda no horizonte, o pós-fixado perde atratividade relativa — e os analistas passam a defender uma migração gradual para títulos prefixados e atrelados à inflação.
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A aposta para 2026 está na recuperação da credibilidade do Banco Central, o que abre espaço para um ciclo de cortes bem recebido pelo mercado. Nesse cenário, os títulos públicos prefixados surgem como os grandes beneficiários do fechamento da curva de juros.
No radar do BTG, aparecem as LTNs com vencimento em 2028 e 2029, justamente por capturarem esse movimento. O Santander concorda: os níveis atuais ainda permitem “travar” taxas elevadas por vários anos antes que o novo ciclo reduza esses retornos.
Já nos títulos atrelados à inflação, há uma convergência sobre a NTN-B 2035. O título emerge como o favorito das duas casas, combinando juro real historicamente elevado com proteção contra eventuais solavancos inflacionários.
Para os analistas, trata-se de uma assimetria rara: proteção no curto prazo e potencial de ganho de capital no médio e longo prazo com a queda das taxas reais.
Se a renda fixa oferece o travamento de taxas, a bolsa entra em 2026 com outro apelo: valuation. Para os analistas, o mercado de ações brasileiro segue barato em termos históricos. A pergunta, portanto, não é “se”, mas “onde” buscar retorno.
Há consenso em algumas teses. A Copel (CPLE6) aparece como um nome recorrente, impulsionada pela eficiência pós-privatização. A Prio (PRIO3) também figura entre as preferidas, sustentada pelo baixo custo de extração e crescimento consistente de produção. A Minerva (BEEF3) também aparece como uma tese forte no setor de proteína animal.
O BTG adiciona à lista a Tenda (TEND3), apostando na recuperação do segmento de baixa renda dentro do Minha Casa, Minha Vida.
Já o Santander amplia o leque com nomes como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Telefônica Brasil (VIVT3) e Totvs (TOTV3).
Há também uma leitura clara de que setores sensíveis a juros devem ganhar tração com a queda da Selic. Construção civil aparece com força — com Cyrela (CYRE3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) —, além de shoppings, como Multiplan (MULT3), e empresas ligadas ao mercado de capitais, como o próprio BTG Pactual (BPAC11).
No crédito privado, o foco se desloca para qualidade e previsibilidade. O Santander destaca as debêntures incentivadas — especialmente nos setores de energia, saneamento e logística — como uma combinação atraente de retorno real elevado e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Por sua vez, o BTG mira emissores com "fôlego de sobra" e balanços mais robustos. A Minerva aparece novamente, beneficiada pelo apetite chinês por carne bovina.
A Eldorado Celulose surge como tese de desalavancagem após a consolidação do controle pela J&F, mesmo em um ambiente de preços de commodities menos favorável.
Em infraestrutura, a debênture da Rialma ganha destaque entre os analistas pela previsibilidade de receitas e pelo avanço antecipado das obras de transmissão, reduzindo riscos de execução.
Com a Selic ainda alta, os fundos seguem negociando com desconto — e isso, para os analistas, é oportunidade.
Entre os fundos imobiliários (FIIs), um nome aparece em consenso entre BTG e Santander: o BTG Pactual Real Estate Hedge Fund (BTHF11). O fundo é citado tanto pela flexibilidade de estratégia quanto pelo “duplo desconto” em relação ao valor patrimonial.
Na alocação em FIIs, o Santander sugere uma divisão de 60% em fundos de papel — priorizando high grade (ativos de alta qualidade e boas garantias), como HGCR11 e MCCI11, e 40% em tijolo, com foco em imóveis de qualidade com contratos longos nos segmentos de Renda Urbana, Logística e Shoppings, como TRXF11, GARE11, BRCO11 e XPML11.
Já o BTG foca em nomes como o KNSC11 (papel) e HGBS11 (shoppings) para capturar a retomada do consumo, além de destacar o JURO11 (infra) como alternativa para renda mensal isenta com potencial de marcação a mercado (valorização do título).
Fora do universo imobiliário, o banco também aponta oportunidades em fundos multimercados e de ações, como Genoa Sagres (Macro), Ibiuna Long Biased (Ações) e BTG Synergy Equity Hedge (Previdência).
No cenário internacional, a tese que une os analistas é a da Inteligência Artificial. Ambos elegem Microsoft (MSFT34) e Amazon (AMZO34) como as melhores formas de exposição à nuvem (cloud) e IA.
Do lado dos semicondutores, o Santander avalia que a Nvidia mantém a liderança tecnológica em chips (GPUs) para treinamento de IA, especialmente com a nova arquitetura Rubin, que deve expandir suas margens.
Já a Eaton é citada pelos analistas como uma tese complementar, beneficiada pela explosão da demanda energética dos novos data centers de IA.
Já no mercado de criptomoedas, o BTG defende o Bitcoin (BTC) como reserva de valor estratégica e a Solana (SOL) como infraestrutura de alta eficiência para a tokenização de ativos reais.
Veja outras duas apostas o BTG em ativos digitais:
Por sua vez, o Santander prefere uma abordagem mais defensiva, focado em alternativas como o ouro e a diversificação global por meio de fundos de índice (ETFs) com hedge (proteção) cambial.
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