Do Guaraná Antarctica à Lacta: marcas centenárias brasileiras que deram a volta por cima
Nem só de tradição vive uma marca: conheça empresas centenárias que ousaram mudar para sobreviver
No Brasil, são poucas as marcas que, depois de perderem relevância, conseguiram se reinventar e voltar a ocupar espaço de destaque.
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Histórias como as de Guaraná Antarctica, Lacta, Nestlé e Antarctica mostram que não basta ter tradição: é preciso acompanhar o gosto do consumidor, identificar o momento certo de mudança e manter alma e identidade no processo.
Histórias de tradição, crise e reinvenção
Guaraná Antarctica: de refrigerante popular a símbolo nacional
O Guaraná Antarctica foi lançado em 1921 pela Companhia Antarctica Paulista como Guaraná Champagne Antarctica, um refrigerante criado com inspiração nacionalista a partir do guaraná da Amazônia.
Durante décadas, reinou soberano. Mas nos anos 1990, com a invasão da Coca-Cola e da Pepsi, o refrigerante parecia condenado ao esquecimento.
A Ambev reagiu com estratégia dupla: apostou na Seleção Brasileira como vitrine e se conectou à cultura jovem com campanhas bem-humoradas. O guaraná virou pop outra vez.
Um exemplo recente é o relançamento da "Caçulinha", uma garrafinha de 200 ml que fez sucesso no passado e agora vem acompanhada de brindes colecionáveis do personagem "Mãozinha", da série Wandinha da Netflix, o que conecta a marca à cultura pop e ao público jovem.
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Hoje, o Guaraná Antarctica é referência não apenas como refrigerante, mas como expressão cultural.
Lacta (São Paulo, 1912): quando o chocolate quase derreteu
Fundada em 1912 em São Paulo, inicialmente como Société Anonyme de Chocolats Suisses, por Achilles Isella e outros investidores, a Lacta nasceu com a proposta de fabricar chocolates com padrão suíço no Brasil.
Viveu tempos de glória, mas nas décadas seguintes perdeu mercado para a Nestlé e parecia destinada à irrelevância.
A virada veio com uma jogada simples: apropriar-se das datas comemorativas. Páscoa e Dia dos Namorados viraram sinônimo de Lacta.
Quem não se lembra das campanhas emotivas com Diamante Negro, Sonho de Valsa e Bis?
A associação com afeto garantiu sobrevida à marca. Hoje, sob o guarda-chuva da Mondelez, continua como uma das líderes do setor.
Nestlé Brasil: do império do leite condensado à reinvenção saudável
A história da Nestlé começa muito antes de seu desembarque no Brasil, com a fundação da Anglo-Swiss Condensed Milk Company na Suíça, em 1866, seguida pela criação da empresa Nestlé por Henri Nestlé.
No Brasil, a marca está presente desde 1876, quando começaram a ser importados produtos como a Farinha Láctea. Mas foi só em 1921 que a suíça Nestlé conquistou gerações com o Leite Moça, o Nescau e outras marcas icônicas.
No início dos anos 2000, em plena onda fitness, a marca, assim como outras gigantes do setor, enfrentou processos e críticas sobre ultraprocessados.
A reação veio com reposicionamento: linhas mais saudáveis, programas educativos e embalagens sustentáveis.
Hoje, iniciativas como o programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis e investimentos em produtos com menos açúcar e alternativas lácteas mostram que a marca segue se reinventando sem perder o apelo afetivo.
Antarctica: do risco de apagão à fusão que mudou o jogo
A Antarctica começou em 1885, em São Paulo, como produtora de gelo e logo entrou no mercado de cervejas e refrigerantes. Durante décadas, foi uma das maiores marcas do país.
Mas a concorrência acirrada, somada a problemas de gestão, fez a empresa perder espaço nos anos 1990. A solução foi drástica: a fusão com a rival Brahma, que deu origem à Ambev.
A marca se reinventou mantendo produtos icônicos, como a cerveja Original e o próprio Guaraná Antarctica, e sobreviveu dentro de um dos maiores conglomerados de bebidas do mundo.
Outras centenárias que se modernizaram sem perder essência
- Matte Leão (1901): modernizou sua linha de chás ao lançar o chá mate tostado pronto para consumo e ampliar o portfólio. Mesmo após a aquisição pela Coca-Cola, em 2007, manteve o nome tradicional e relevância no segmento.
- Batavo (origem em 1911, marca desde 1928): referência em laticínios, passou por diferentes grupos — BRF e Lactalis — e se modernizou em escala e distribuição, sem abandonar a identidade no mercado brasileiro.
- Ypióca (1846): uma das cachaças mais antigas do país, investiu em inovação no processo produtivo, em versões premium e em bebidas saborizadas. Hoje aposta em envelhecimento em madeiras variadas para atrair novos públicos.
Marcas brasileiras centenárias que seguem firmes no dia a dia
Nem todas precisaram renascer das cinzas. Algumas atravessaram o século se adaptando continuamente e permanecem líderes até hoje:
- Omo (1957, fabricado no Brasil pela Unilever): Nunca perdeu a liderança em sabão em pó. Atualizou sua narrativa de “lava mais branco” para sustentabilidade e liberdade das crianças.
- Ypê (São Paulo, 1950): Construiu relevância com preços competitivos e embalagens reconhecíveis. Hoje, disputa espaço de igual para igual com multinacionais.
- Granado (Rio de Janeiro, 1870): Nascida como botica, virou referência em cosméticos e perfumaria. Hoje, mistura tradição e sofisticação em lojas próprias e exportações.
- Phebo (Belém, 1930): O famoso sabonete preto quase sumiu, mas sobreviveu sob o guarda-chuva da Granado, reposicionado como clássico vintage.
Essas marcas centenárias brasileiras provaram que tradição, sozinha, não basta. Algumas estiveram na beira do apagão e voltaram com força; outras se mantiveram vivas ao se adaptar continuamente.
O ponto em comum é claro: a marca não é só produto, é uma história. E histórias bem contadas não envelhecem.
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