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Decisão inédita do governo de Giorgia Meloni restabelece controles em voos e navios vindos da Espanha após a chegada de milhares de migrantes a Ceuta

A crise migratória em Ceuta, território espanhol no norte da África, escalou para um impasse diplomático entre dois dos maiores países da Europa. Nesta sexta-feira (31), a Itália anunciou a suspensão temporária das regras do Espaço Schengen com a Espanha. O país determinou o retorno dos controles de fronteira para passageiros que chegam por avião e por via marítima.
Na prática, a medida acaba com a livre circulação entre os dois países durante o período de vigência da decisão. Passageiros voltarão a passar por verificações de documentos ao viajar entre Itália e Espanha. O governo italiano informou que a suspensão vale inicialmente por um mês e foi adotada após a entrada de mais de 50 mil migrantes em Ceuta vindos de Marrocos.
A decisão foi anunciada pela primeira-ministra Giorgia Meloni ao lado dos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini. Poucas horas depois, o Ministério do Interior italiano formalizou a medida durante uma reunião sobre segurança de fronteiras.
Segundo o governo italiano, a suspensão temporária das regras de Schengen representa uma resposta necessária. A medida ocorre diante do aumento da pressão migratória sobre a fronteira externa da União Europeia.
Em uma publicação na rede social X, o chanceler Antonio Tajani afirmou que a decisão busca proteger a segurança dos cidadãos italianos e preservar as fronteiras europeias. "A suspensão temporária do espaço Schengen com a Espanha é uma decisão necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras da Europa. É uma medida prevista pelos tratados e que agora se tornou inevitável", escreveu.
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Embora Itália e Espanha não dividam fronteira terrestre, Roma teme que parte dos migrantes consiga chegar posteriormente ao território italiano por meio da livre circulação dentro da União Europeia. Além disso, a Itália informou que reforçou a cooperação com a França para ampliar a fiscalização na fronteira franco-italiana e evitar deslocamentos irregulares.
O Ministério do Interior da Espanha informou nesta sexta-feira (31) que cerca de 50 mil pessoas cruzaram a fronteira de Ceuta desde a manhã de quinta-feira (30). Segundo o governo, aproximadamente metade delas, cerca de 25 mil, já retornou ao território marroquino.
No local, a Reuterspresenciou policiais marroquinos em trajes de choque usando gás lacrimogêneo para dispersar grupos reunidos próximos às cercas da fronteira. As forças de segurança também recorreram a cassetetes e mais gás lacrimogêneo para conter as multidões nos portões de acesso ao enclave espanhol.
A resposta de Madrid veio rapidamente. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a decisão italiana e afirmou que "solidariedade e empatia são opcionais; o respeito pelos tratados europeus e pelos fatos não é". Segundo ele, dados da Frontex mostram que a Itália registrou mais entradas irregulares do que a Espanha entre 2021 e 2026.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também condenou a iniciativa e convocou o embaixador italiano em Madrid para prestar esclarecimentos.
O governo espanhol argumenta que a crise em Ceuta decorre da interpretação de uma decisão da Suprema Corte envolvendo migrantes que chegaram ao enclave nadando e afirma que organizações criminosas exploraram essa situação para incentivar novas travessias.
O Espaço Schengen é um acordo que permite a livre circulação de pessoas entre 29 países europeus. Na prática, quem viaja de um país membro para outro normalmente não passa por controle de imigração ou fiscalização de passaporte nas fronteiras.
Por isso, um turista pode desembarcar na Espanha e seguir para a Itália, França ou Alemanha sem novas verificações de documentos. Agora, a decisão do governo italiano interrompe temporariamente essa regra para quem chega da Espanha.
A partir deste sábado (1º), passageiros vindos de território espanhol voltarão a passar por controles de fronteira ao entrar na Itália. As autoridades verificarão passaportes ou outros documentos de viagem.
Vale destacar ainda que a medida não proíbe viagens entre os dois países. No entanto, ela pode aumentar o tempo de espera em aeroportos e portos. Além disso, a Itália também poderá barrar a entrada de pessoas que não cumpram os requisitos legais para ingressar no país.
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