O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Quatro anos após a morte de Leonardo Del Vecchio, desacordos entre oito herdeiros colocam em xeque o futuro da EssilorLuxottica, dona de marcas como a Ray-Ban, Oakley e Persol

O plano de sucessão criado por Leonardo Del Vecchio tinha um objetivo claro. Ele queria manter unido o grupo empresarial que levou décadas para construir. A estratégia, no entanto, não saiu como o esperado.
Desde a morte do fundador da EssilorLuxottica, aos 87 anos, em 2022, os oito herdeiros travam uma disputa pelo controle da holding familiar Delfin, responsável por administrar um patrimônio superior a 40 bilhões de euros (cerca de R$ 233 bilhões na cotação atual). Em 2021, a companhia se tornou a maior empresa de óculos do mundo após concluir a compra da rival GrandVision.
A disputa, porém, preocupa o mercado porque a Delfin é a maior acionista da EssilorLuxottica, dona de marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, e também possui participações relevantes em bancos e seguradoras italianas. Agora, as negociações para encerrar o impasse podem resultar na separação dos investimentos da família, uma medida que mudaria a estrutura criada por Del Vecchio.

A rixa envolvendo a família Del Vecchio está longe de ser um caso isolado. Segundo a associação italiana de empresas familiares Aidaf, mais de um terço dessas companhias deverá passar por uma mudança de comando até 2034. O cenário se repete em grupos tradicionais como o francês Grupo Castel, um dos maiores produtores de vinho do mundo, que também enfrenta incertezas sobre sua sucessão à medida que seu fundador, Pierre Castel, se aproxima dos 100 anos. Um drama que parece saído da série Succession.
Leonardo Del Vecchio tentou impedir que uma disputa pelo patrimônio colocasse seu legado em risco, de acordo com a Bloomberg. No testamento, ele dividiu igualmente a participação na Delfin entre oito herdeiros: seus seis filhos, a viúva Nicoletta Zampillo e Rocco Basilico, filho dela de outro casamento. Cada um recebeu 12,5% da holding.
Ao mesmo tempo, o empresário decidiu que nenhum deles assumiria sozinho o comando do grupo. A gestão ficou nas mãos de executivos de sua confiança. O advogado Francesco Milleri tornou-se presidente da Delfin e CEO da EssilorLuxottica, enquanto Romolo Bardin permaneceu à frente da holding.
Leia Também
Na prática, porém, a estrutura acabou criando outro problema. Como decisões estratégicas exigem apoio quase unânime, qualquer divergência passou a funcionar como um poder de veto.

No início deste ano, parecia que a disputa caminhava para uma solução. Leonardo Maria Del Vecchio, de 31 anos, apresentou uma proposta para comprar as participações dos irmãos Luca e Paola em uma operação avaliada em € 10 bilhões. Caso fosse concluída, ele passaria a controlar 37,5% da Delfin, tornando-se o principal acionista da holding.
A proposta chegou a receber aprovação da família em abril, mas perdeu força nos meses seguintes. Um dos principais motivos foi a forte desvalorização das ações da EssilorLuxottica. Depois de anos impulsionadas pelo entusiasmo em torno da parceria com a Meta para o desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial, as ações acumulam queda de cerca de 49% em relação ao pico registrado em novembro.
A perda de valor reduziu significativamente os ativos usados como garantia para financiar a operação. Além disso, Leonardo Maria tentou incluir aproximadamente 1 bilhão de euros em dívidas pessoais na negociação, o que encontrou resistência dentro do conselho da Delfin.

Os dois principais protagonistas da disputa são Leonardo Maria Del Vecchio e seu meio-irmão Rocco Basilico. Leonardo ocupa o cargo de diretor de estratégia da EssilorLuxottica e reúne investimentos em empresas de luxo, tecnologia, mídia e entretenimento. No ano passado, o herdeiro, inclusive, comprou a rede de casa noturnas Twiga, com unidades em Mônaco e Itália.
Já Basilico, que vive em Los Angeles, trabalhou na fabricante de óculos até este ano e ficou conhecido por aproximar Leonardo Del Vecchio de Mark Zuckerberg, movimento que abriu caminho para a parceria entre a EssilorLuxottica e a Meta no desenvolvimento dos óculos inteligentes.

Embora a Ray-Ban seja o ativo mais conhecido do grupo, ela representa apenas parte do patrimônio da família Del Vecchio. A EssilorLuxottica nasceu em 2018 da fusão entre a italiana Luxottica e a francesa Essilor, formando a maior fabricante de óculos do mundo.
Além de controlar marcas tradicionais como Ray-Ban, Oakley, Persol e Oliver Peoples, o grupo opera redes de varejo como a LensCrafters, especializada em óculos de grau, e se tornou um dos protagonistas do mercado de óculos inteligentes graças à parceria com a Meta.
Enquanto isso, a Delfin também acumulou participações relevantes no setor financeiro italiano. Os investimentos incluem fatias da seguradora Assicurazioni Generali, do UniCredit e do Banca Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Somados, esses ativos financeiros são avaliados em aproximadamente 16 bilhões de euros.

Sem consenso entre os herdeiros, uma das alternativas em discussão é separar o negócio de óculos dos investimentos financeiros.
A proposta prevê manter a participação na EssilorLuxottica enquanto bancos e seguradoras poderiam ser vendidos ou reorganizados para facilitar a divisão do patrimônio entre os familiares. A ideia foi apresentada por Rocco Basilico, mas enfrenta resistência dentro da família.
Parte dos herdeiros acredita que vender ativos financeiros neste momento não seria vantajoso, especialmente porque o setor bancário italiano passa por uma fase de consolidação que pode elevar o valor dessas participações. Diante do impasse, a família busca contratar um consultor externo para mediar as negociações.
Enquanto isso, qualquer mudança na estrutura acionária da Delfin ainda dependerá da aprovação da Justiça de Luxemburgo, onde a holding está registrada. Pelo menos cinco dos oito herdeiros já solicitaram autorização para transferir suas participações para holdings pessoais, um passo que pode facilitar futuras reorganizações societárias.
ASTROTURISMO
MAIS AGILIDADE
AO SOM DE BEETHOVEN
PROJETO SOCIAL
BELLE ÉPOQUE AMAZÔNICA
CRUELDADE ANIMAL
SET-JETTING
IGUARIA
BRASIL NO CIRCUITO
DE HOLLYWOOD AOS NEGÓCIOS
GIGANTE DE CONCRETO
TREINO DE ELITE
DA SERRA PARA O MUNDO
VÍTIMA DO SUCESSO
VIAJAR PARA OS EUA
JORNADA ÉPICA
ANVISA
DEU PAU