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Com cerca de 700 alunos, iniciativa oferece gratuitamente atividades artísticas, esportivas e educacionais aos moradores de Manguinhos; projeto conta com o apoio do BTG Pactual

O nome entrega a origem, mas já não dá conta de tudo o que acontece por ali. Criado há 14 anos no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o Ballet Manguinhos nasceu com foco no balé clássico. Ao longo do tempo, porém, ele foi além, se transformando em um espaço multidisciplinar de arte, educação e cultura.
A grade é agitada. Além do balé, a programação das 9h às 21h inclui aulas de circo, jazz, teatro, boxe, danças urbanas, dança de salão e até mesmo inglês e chinês. De forma gratuita, o projeto atende cerca de 700 alunos, entre crianças, adolescentes e adultos moradores de Manguinhos e de outras regiões periféricas do Rio.

O Ballet Manguinhos está localizado em um dos territórios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado do Rio de Janeiro, um contexto marcado por inúmeros desafios sociais. Em um cenário como esse, a arte se torna uma poderosa ferramenta de transformação, explica Carine Lopes, presidente da instituição.
“A dança contribui para o fortalecimento da autoestima, da disciplina, da autonomia e do senso de pertencimento, além de ampliar o acesso à cultura, à educação e a novas perspectivas de futuro”, afirma Carine.
“Um dado que nos enche de orgulho é que a taxa de gravidez na adolescência entre nossas alunas é quase nula, um indicativo que demonstra o impacto positivo do projeto”, complementa.
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A formação também ultrapassa os limites da comunidade. Em 2026, o Ballet Manguinhos participa pelo quarto ano consecutivo do Festival de Dança de Joinville, que acontece de 20 de julho a 1ª de agosto em Santa Catarina. O evento é reconhecido pelo Guinness World Records como o maior festival de dança do mundo.
Pela primeira vez, a instituição levou ao evento coreografias de jazz e danças urbanas, além do ballet clássico. Outra novidade foi a apresentação de Andrielly Messias, aluna aprovada na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, ligada ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
A trajetória se soma a outros resultados alcançados pelo projeto. Em 2023, José Victor foi aprovado na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Há ainda ex-alunos que retornaram ao Ballet Manguinhos como professores, monitores ou integrantes da equipe.
“Mais do que bailarinos, o Ballet Manguinhos busca formar cidadãos”, diz Carine. “Nosso maior objetivo é ampliar horizontes e garantir que crianças e jovens tenham acesso à cultura, à educação e a oportunidades que muitas vezes lhes são negadas.”
A instituição também realiza festivais internos, mostras pedagógicas e apresentações abertas ao público ao longo do ano. O calendário termina com um espetáculo que reúne centenas de alunos. Depois de homenagear Elza Soares em 2025, o projeto prepara para este ano o espetáculo Tríade, inspirado nas obras de Milton Nascimento, Gilberto Gil e Emílio Santiago.

O ingresso acontece por meio de um processo de inscrição realizado anualmente. As vagas são divulgadas nas redes sociais da instituição.

O Ballet Manguinhos é mantido por meio das Leis de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, Lei do ISS e Lei do ICMS, nas quais empresas destinam parte dos impostos devidos para fomentar as atividades desenvolvidas pela instituição.
“Além disso, recebemos doações diretas de pessoas físicas e jurídicas, contamos com campanhas permanentes de arrecadação, como o programa Adote uma Bailarina, e buscamos continuamente novos parceiros e patrocinadores para garantir a sustentabilidade e a expansão do projeto”, explica Carine Lopes.
Entre os apoiadores do projeto estão instituições como Galp, Rio Brasil Terminal, Smart Fit, Delphos, Sondotécnica, Fiotec, Sinopec, Prefeitura do Rio e o banco BTG Pactual.
A aproximação entre o BTG Pactual e o Ballet Manguinhos começou em 2022, durante o Hackathon Social. No programa, colaboradores do banco dedicavam parte do tempo a ajudar organizações sociais a resolver desafios ligados à captação de recursos ou ao marketing.
O Ballet Manguinhos foi uma das instituições selecionadas. Depois desse primeiro contato, a relação avançou, e o BTG tornou-se patrocinador do projeto por meio das leis de incentivo à cultura.
Além do investimento cultural, a parceria também passou a incluir ações educacionais. Uma delas é o Finanças para o Futuro, programa de educação financeira do BTG Pactual com formatos digital e presencial.
A iniciativa busca apresentar conceitos financeiros antes que os jovens enfrentem problemas como dívidas, golpes, crédito mal utilizado e falta de planejamento. Dados do Serasa e SPC Brasil mostram que 11% dos jovens até 25 anos já estão endividados, percentual que sobe para 46% entre 25 e 29 anos. As apostas online só pioram o quadro: o Banco Central aponta que é justamente entre 20 e 30 anos que se concentra o maior número de apostadores do país.
Segundo a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro 2026, da Anbima, existe uma correlação de quem foi impactado por alguma iniciativa de educação financeira (curso, aula, palestra, treinamento) com mais investimento financeiro (57% Vs. 31%), maior uso de produtos financeiros (linhas 2 a 9 do gráfico abaixo) e menor consideração de bet como investimento (20,62% e 77,12%).

“Falar de dinheiro em territórios de vulnerabilidade social ainda é raro no Brasil”, afirma Giovanna Caminha, da área de Impacto Social e Filantropia do BTG Pactual. “Foi nessa brecha que o BTG viu uma chance de agir: chegar no jovem antes que ele acumule dívidas ou, pior, antes que nunca aprenda a lidar com o próprio orçamento.”
Na ação mais recente do Finanças para o Futuro no Ballet Manguinhos, 56 jovens de 15 a 22 anos participaram de uma atividade conduzida por Liau Chieh, educador financeiro do BTG. Ele começou a conversa com uma provocação: quem queria ser rico?
A partir da pergunta, a turma discutiu a diferença entre receber um salário alto e conquistar segurança e independência financeira. A atividade também abordou escolhas de consumo, investimentos e os riscos das apostas eletrônicas.
O tema das bets ganhou espaço a pedido da própria direção do Ballet Manguinhos, que identificou as apostas como uma questão financeira e emocional presente entre os jovens atendidos – inclusive entre as mulheres.

“Iniciativas como essa podem mudar a vida de crianças, jovens e o seu entorno, quando entendem que ganhar mais dinheiro não significa mais saúde financeira, e internalizam a importância da Educação Financeira (como ganhar mais, como gastar melhor, como guardar sem perder qualidade de vida, como investir, como tomar crédito e como gerir riscos)”, afirma Liao Chieh.
A previsão é que o Ballet Manguinhos continue participando do programa do BTG, avançando para assuntos como renda fixa e planejamento financeiro.
Para Carine Lopes, todas essas frentes fazem parte de um mesmo propósito. “Queremos que cada aluno descubra o seu potencial, fortaleça sua autoestima e compreenda que seus sonhos podem ultrapassar qualquer barreira social ou territorial”, diz.

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