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Do Marrocos à Sicília, longa de Christopher Nolan transforma paisagens reais em destinos cobiçados, inclusive em um roteiro de iate pelo Mediterrâneo

Christopher Nolan poderia ter construído palácios gregos em estúdios ou recorrido a cenários digitais para adaptar A Odisseia, um dos poemas mais influentes da literatura ocidental. O diretor, porém, preferiu fazer o caminho mais longo.
Gravado inteiramente com câmeras IMAX, o novo longa percorreu desertos, ilhas, falésias e praias de cinco países, além do Saara Ocidental, para dar vida à jornada de Ulisses. Em vídeo de divulgação, o próprio Matt Damon chegou a brincar ao dizer que parecia estar filmando "seis ou sete filmes diferentes", diante da variedade de paisagens.
O resultado é um roteiro cinematográfico que já inspira experiências para viajantes de alto padrão. O interesse pelos cenários de A Odisseia começa a impulsionar o turismo de luxo, com roteiros de iate pelo Mediterrâneo que passam por algumas das locações do filme.
A operadora britânica Pelorus lançou um roteiro de 14 noites inspirado na jornada de Ulisses, com preços a partir de 75 mil libras por pessoa (cerca de R$ 509 mil, na cotação atual).
A experiência inclui navegação em um iate particular pelo Mediterrâneo, passando por ilhas que aparecem no filme de Nolan, como Favignana e Levanzo, além de visitas à antiga cidade de Troia, na Turquia, e a outros locais ligados à mitologia grega.
O itinerário ainda oferece passeios privativos com historiadores, traslados de helicóptero e jantares temáticos.
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A decisão de Nolan, aliás, acompanha uma tendência que movimenta o turismo global: o chamado set-jetting, quando viajantes escolhem seus próximos destinos inspirados por filmes e séries. O fenômeno já impulsionou visitas a cenários de produções como Game of Thrones, The White Lotus e Harry Potter, por exemplo.
Segundo a plataforma de passeios Civitatis, produções desse porte costumam aumentar a procura por destinos que servem de cenário para as filmagens. A empresa afirma que registrou um crescimento de 20% nas reservas de atividades relacionadas ao universo de Harry Potter após a divulgação do trailer da nova série da Warner Bros., em abril deste ano.
"O que torna A Odisseia interessante para o turismo é que Nolan não inventou paisagens: ele foi atrás de lugares que já existem e que o viajante pode visitar. O filme funciona como uma porta de entrada para roteiros que já estavam ali", afirma Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis no Brasil.
Uma outra pesquisa da plataforma de viagens alemã Get Your Guide revelou que 77% das pessoas visitariam um destino depois de vê-lo em um filme, programa de TV, videoclipe ou livro. Os americanos lideram com 84%, seguidos pelos britânicos (81%), alemães (78%) e franceses (65%).
A viagem começa em Marrocos, onde Nolan transformou a histórica cidadela de Aït Benhaddou, Patrimônio Mundial da Unesco, na cidade de Troia. O local, apelidado de "Hollywood da África", inclusive, já serviu de cenário para produções como Gladiador e Game of Thrones. Já as cenas envolvendo o Cavalo de Troia foram gravadas em Essaouira. A cidade costeira é conhecida por sua medina murada e pelos ventos que atraem praticantes de kitesurfe.

Na Grécia, Nolan filmou em alguns dos locais mais associados aos poemas homéricos. A Caverna de Nestor deu vida ao esconderijo do ciclope Polifemo. Enquanto o Castelo de Methoni, a praia de Voidokilia e a fortaleza de Acrocorinto também aparecem na produção. Todos fazem parte da península do Peloponeso, região rica em sítios arqueológicos ligados à Grécia Antiga.

Já a Ítaca imaginada pelo diretor fica, na verdade, na Sicília, na Itália. A escolhida foi Favignana, uma ilha de águas cristalinas e falésias calcárias, onde o Castello di Santa Caterina representa o palácio de Ulisses.

Entre os cenários mais impressionantes está a Islândia, usada para retratar a descida ao reino de Hades. As gravações, inclusive, passaram pelas famosas praias de areia negra islandesas. Além disso, aparecem campos de lava e penhascos da costa sul do país, aproveitando a luz do sol da meia-noite durante o verão.

Na Escócia, as Terras Altas deram forma à ilha da feiticeira Circe. Falésias à beira-mar, ruínas medievais e florestas densas criam a atmosfera mística da sequência, gravada nas regiões de Moray Firth e da floresta de Culbin.

O roteiro termina nas White Dunes, perto de Dakhla, no Saara Ocidental, onde foram filmadas cenas entre Ulisses e Atena. A região, ainda pouco explorada pelo turismo internacional, é conhecida principalmente entre praticantes de esportes à vela, como o kitesurfe.

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