Nova academia dos super-ricos da Faria Lima cobra até R$ 7 mil por mês e tem aparelhos que treinam corpo e cérebro
VICCI Studio aposta em equipamentos italianos, inteligência artificial e um método que combina exercícios físicos e estímulos cognitivos para atrair executivos, empresários e atletas

Em um espaço de 250 metros quadrados perto da esquina da Rebouças com a Faria Lima, em São Paulo, uma nova academia chama a atenção por propor um método próprio que foge do conceito tradicional de treino. Inaugurada em janeiro, o VICCI Studio aposta em exercícios físicos com estímulos cognitivos em uma abordagem voltada à mobilidade, recuperação e longevidade.
Não por acaso, o espaço prefere se apresentar como um centro de performance, e não como uma academia. A proposta já atrai um público disposto a pagar até R$ 7 mil por mês. "A ideia do VICCI é ser um complemento da academia. Somos um centro de performance, com método próprio focado em recuperação, mobilidade e longevidade", afirma ao Seu Dinheiro André Trombini, especialista em movimento e diretor do VICCI Studio.

Quem entra no local percebe rapidamente que a dinâmica foge do convencional. Em vez de fileiras de esteiras e dezenas de halteres, os alunos treinam em equipamentos que desafiam o equilíbrio, os reflexos e a coordenação.
As esteiras inclinam para os lados, simulando terrenos irregulares, por exemplo. Plataformas mudam de posição durante os exercícios para tirar o corpo da zona de conforto. Um saco de boxe acende luzes que indicam, em frações de segundo, onde o próximo golpe deve ser aplicado. Já pesos preenchidos com líquido alteram constantemente o centro de gravidade, exigindo estabilização contínua dos movimentos.
O estúdio recebeu investimento inicial de R$ 8 milhões e integra um plano de expansão que prevê cinco novas unidades em regiões estratégicas do país. O público-alvo reúne executivos, empresários, atletas e pessoas interessadas em investir em performance.

Equipamentos italianos e um método próprio
Grande parte da experiência gira em torno dos equipamentos da italiana Reaxing, empresa especializada em tecnologias de treinamento neuroreativo. Os aparelhos foram desenvolvidos para provocar respostas neuromusculares por meio de estímulos imprevisíveis, simulando situações que dificilmente acontecem em uma academia convencional.
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Um painel luminoso, por exemplo, desafia o aluno a reagir rapidamente a estímulos visuais, treinando foco, agilidade e tempo de resposta. Já os aparelhos de força trabalham com instabilidade controlada para ampliar a consciência corporal e tornar os movimentos mais eficientes.

Além disso, para quem prefere musculação, o estúdio oferece ainda o Amp System, equipamento com resistência digital e inteligência artificial que cria treinos personalizados, ajusta automaticamente a carga durante os exercícios e acompanha o desempenho em tempo real.

A sofisticação inclusive aparece no preço dos equipamentos. Apenas a esteira Reax Run custa cerca de 20 mil euros (aproximadamente R$ 116 mil).
Como funciona o treino
O método nasceu da experiência de André Trombini no esporte de alto rendimento. Antes de criar o estúdio, ele trabalhou com equipes de futebol profissional e visitou academias e centros de treinamento ao longo de vários anos. Segundo ele, até atletas deixam de desenvolver determinadas capacidades motoras ao longo da rotina de treinos. "Ao longo da vida, algumas partes do corpo ficam esquecidas porque não são trabalhadas."
Além disso, o estúdio também integra informações coletadas por dispositivos como Apple Watch, Garmin, Whoop, Oura Ring e outros wearables. "Boa parte do público conectado ao mercado de wellness já utiliza algum wearable de monitoramento, seja um relógio inteligente, um anel inteligente ou uma pulseira. A ideia é coletar esses dados para conhecer melhor o nosso aluno", diz Trombini.
O atendimento também segue uma lógica diferente da adotada pelas grandes redes. Cada turma reúne, no máximo, quatro alunos, que treinam durante 50 minutos com acompanhamento próximo dos profissionais. Quem contrata o plano de R$ 7 mil pode frequentar as aulas diariamente. Segundo a empresa, já existe fila de espera.
Durante os dois primeiros dias de aula, a equipe avalia mobilidade, limitações físicas, histórico de lesões e objetivos individuais para montar um protocolo personalizado. A empresa também pretende instalar uma banheira de gelo para ampliar a estrutura de recuperação muscular.
Uma experiência voltada ao público de alta renda
Embora a tecnologia seja o principal diferencial, o estúdio também investe na experiência. Além da localização entre Pinheiros e a Faria Lima, oferece café, frutas e bebidas à vontade, água com gás, armários com senha e banheiros equipados com secadores Dyson e amenities da Trousseau.

O VICCI Studio chega, aliás, em um momento em que São Paulo reúne um número cada vez maior de academias focadas no público de alta renda. A Six Sport Life, por exemplo, inaugurada neste ano na Vila Nova Conceição ganhou destaque ao cobrar mensalidades de até R$ 4 mil e oferecer uma estrutura que inclui spa, área de recovery e acompanhamento multidisciplinar. O segmento também reúne redes consolidadas, como Bodytech e Bio Ritmo, além de academias boutique, como a Les Cinq Gym, e estúdios especializados em treinamento personalizado.
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