Conheça os dois teatros da Amazônia que acabam de entrar para a lista de Patrimônio Mundial da Unesco
Construídos no auge da riqueza da borracha, Teatro Amazonas e Theatro da Paz foram reconhecidos como Patrimônio Mundial quase 150 anos depois de abrirem as portas

Antes de a Amazônia se tornar sinônimo de biodiversidade e conservação ambiental, ela viveu um período de riqueza tão extraordinária que permitiu a construção de alguns dos teatros mais sofisticados do continente e que, agora, são patrimônios mundial pela Unesco.
A decisão foi aprovada nesta segunda-feira (27) pelo Comitê do Patrimônio Mundial da organização, reunido na Coreia do Sul. Os Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, se tornam o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.
Quase 150 anos depois de construídos, os edifícios passaram a integrar a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco sob a designação conjunta "Teatros da Amazônia". Com a inclusão dos teatros, o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco: 16 culturais, nove naturais e um misto.
O luxo no coração da floresta
Na segunda metade do século 19, a demanda internacional pelo látex transformou a Amazônia em um dos principais motores da economia brasileira. Antes da produção asiática dominar o mercado, a borracha extraída das seringueiras amazônicas abastecia a revolução industrial e movimentava fortunas.
Assim, surgiu o desejo das elites locais de aproximar as duas cidades dos grandes centros culturais europeus. Inspirados pelos ideais da Belle Époque, governantes e empresários investiram em projetos monumentais que simbolizassem prosperidade e sofisticação.

O primeiro deles foi o Theatro da Paz, inaugurado em 1878, em Belém. Quase duas décadas depois, em 1896, abriu as portas o Teatro Amazonas, em Manaus, que rapidamente se tornou um dos maiores símbolos arquitetônicos do país.
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Na época, assistir a uma ópera na Amazônia não era tão improvável quanto parece hoje. Companhias líricas da Europa viajavam pelo Atlântico para realizar temporadas que incluíam apresentações nas duas cidades, conectadas pelos rios amazônicos.
Um teatro construído com materiais vindos do mundo inteiro
O Teatro Amazonas talvez seja o exemplo mais emblemático dessa ambição cosmopolita. Sua famosa cúpula reúne cerca de 36 mil peças de cerâmica esmaltada nas cores da bandeira brasileira. Para erguer o edifício, os idealizadores importaram mármore da Itália e ferro da Inglaterra. Os lustres vieram da ilha italiana de Murano, enquanto parte do mobiliário foi produzida em Paris.
Ao mesmo tempo, o edifício preserva marcas da identidade amazônica. Artesãos usaram madeiras nobres da região na estrutura e na decoração, enquanto pinturas e detalhes ornamentais celebram a fauna e a flora locais.

O teatro mais antigo da Amazônia
Embora o Teatro Amazonas seja o mais famoso, o Theatro da Paz guarda o título de mais antigo da Amazônia. Belém inaugurou o edifício em 1878, em pleno auge da economia da borracha, para acompanhar o crescimento e a sofisticação que tomavam conta da cidade. Inspirado no estilo neoclássico, o teatro recebeu esse nome em homenagem ao fim da Guerra do Paraguai, encerrada poucos anos antes do início das obras.
Ao longo de quase 150 anos, o palco inclusive recebeu óperas, concertos, companhias internacionais e, mais recentemente, manifestações culturais brasileiras que vão do carimbó ao cinema.

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