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Enquanto Trump tenta mostrar força como negociador e Putin busca legitimar seus ganhos de guerra, Zelensky chega a Washington para não perder espaço na mesa de conversas
Donald Trump recebeu o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na base conjunta Elmendorf-Richardson, no Alasca, em sua tentativa mais ambiciosa até agora de encerrar a guerra na Ucrânia. O presidente dos EUA abriu a reunião com uma recepção calorosa ao líder russo, que não visitava o país há mais de uma década.
O resultado, porém, ficou aquém das expectativas. Trump e Putin não anunciaram nenhum cessar-fogo ou avanço concreto. O russo falou em um “entendimento” e alertou a Europa para não atrapalhar o processo. Trump respondeu que “não há acordo até que haja um acordo”.
“Tivemos uma reunião extremamente produtiva, e muitos pontos foram acertados”, disse Trump ao lado de Putin em pronunciamento posterior ao encontro. "Restam apenas alguns poucos [pontos]. Alguns não são tão significativos. Um é provavelmente o mais significativo, mas temos boas chances de chegar lá.”
No fim, os dois encerraram a coletiva sem responder a perguntas. Para Trump, a responsabilidade de “concretizar” um acordo pode recair sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Putin, por sua vez, buscou consolidar os ganhos da Rússia no campo de batalha neste encontro com Trump, e reforçar a posição de Moscou contra a entrada da Ucrânia na Otan.
A guerra, iniciada em fevereiro de 2022, já dura mais de três anos e meio. Kiev resiste, mas enfrenta dificuldades diante do poder militar russo.
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Nos últimos dias, Moscou intensificou os bombardeios com drones e mísseis contra regiões como Sumy, Dnipropetrovsk, Donetsk e Chernigov. Essa ofensiva ampliou a pressão por uma solução, mesmo que distante.
No dia seguinte ao encontro no Alasca, Trump falou por telefone com o presidente da Ucrânia e confirmou que os dois se reunirão em Washington na segunda-feira (18). Será a primeira visita do líder ucraniano aos EUA desde que Trump o repreendeu publicamente por ser "desrespeitoso" em fevereiro.
Zelensky agradeceu o convite e disse que a conversa foi “longa e substancial”. Ele afirmou que discutirá com o americano “todos os detalhes sobre o fim da matança e da guerra”. Segundo informações da AFP, os EUA propuseram à Ucrânia uma garantia de segurança semelhante à prevista no Artigo 5 da Otan.
A garantia estaria vinculada a um acordo prévio com a Rússia, com a contrapartida de não ter um ingresso formal da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A proposta foi feita a Kiev neste sábado (16), durante a ligação entre Trump e Zelensky, e "reiterada" depois, em conversa com dirigentes europeus. Trump também acenou com a possibilidade de agendar um novo encontro, desta vez com a presença de Putin.
O presidente ucraniano apoia a ideia de uma negociação trilateral entre EUA, Rússia e Ucrânia, considerando-a o formato mais adequado para tratar das “questões-chave”.
Moscou, no entanto, ainda não confirmou interesse nessa configuração. Yuri Ushakov, assessor de Putin, disse que o tema “não foi abordado” nas conversas no Alasca.
Enquanto diplomatas discutem os próximos passos, os ataques seguem. A Força Aérea Ucraniana informou que a Rússia lançou um míssil balístico e 85 drones Shahed durante a noite, e que abateu 61 deles. Já o Ministério da Defesa russo disse ter interceptado 29 drones ucranianos sobre seu território e o Mar de Azov.
Entre gestos de aproximação diplomática e novas ofensivas no front, a guerra continua sem perspectiva imediata de cessar-fogo.
*Com informações da Associated Press
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