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O investidor que previu a crise de 2008 não se intimidou com o apoio do republicano à empresa de software, e reafirma que a queridinha da IA vale menos da metade do preço de tela

Se existisse um ringue no mercado financeiro nesta sexta-feira (10), de um lado estaria Michael Burry, o investidor imortalizado pelo filme A Grande Aposta, e do outro, Donald Trump. O objeto da discórdia? A Palantir Technologies.
Mesmo após um endosso público e entusiasmado do presidente norte-americano, que fez as ações da companhia respirarem no pregão de hoje, Burry deixou claro: não vai recuar.
Em uma publicação no Substack, o gestor da Scion Asset Management confirmou que continua detendo opções de venda (puts), apostando fichas pesadas na queda da empresa de software e inteligência artificial (IA).
A tensão subiu de tom após Trump utilizar sua rede, a Truth Social, para exaltar as capacidades de combate da Palantir, afirmando que a empresa possui "grandes equipamentos" e sugerindo que "basta perguntar aos nossos inimigos".
O comentário serviu como um balão de oxigênio para os papéis, que vinham de uma sangria de 18% em apenas três dias. No entanto, para Burry, o rali provocado pelo presidente norte-americano é mero ruído de curto prazo.
"A publicação de Trump impulsionou a ação. O papel pode ter engatado, mas continuo mantendo as puts, pois acredito que o valor fundamental desta empresa está bem abaixo de US$ 50 por ação", disse Burry.
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Atualmente, o papel está sendo negociado na casa dos US$ 127. Na visão de Burry, significa uma queda de 60% para atingir o "valor justo".
O posicionamento de Burry em relação à queda da Palantir não é de hoje. Ele revelou que vem rolando suas posições pessimistas desde o outono de 2025.
O arsenal atual do investidor inclui puts com strike de US$ 100 para dezembro de 2026 e puts com strike de US$ 50 para junho de 2027.
Para Burry, a Palantir — que chegou a tocar os US$ 200 no ano passado — continua "extremamente supervalorizada".
Nem mesmo a proximidade da empresa com o Pentágono e os novos contratos governamentais garantidos sob a segunda administração Trump parecem demover o investidor de sua tese de que a bolha da IA está perdendo o ar.
A Palantir não é o único alvo no radar de baixa de Burry. Ele aproveitou a situação para avisar que também aumentou sua posição vendida na Nvidia, a grande expoente do rali tecnológico global.
Ele adquiriu novas opções de venda com preço de exercício de US$ 115 para janeiro de 2027.
"Eu prefiro que a perda máxima seja limitada", disse Burry, demonstrando cautela com a volatilidade, mas mantendo a convicção de que o setor de chips e software está esticado demais.
A postura de Burry tem irritado o alto escalão da Palantir. No ano passado, o CEO Alex Karp não poupou críticas às posições da Scion, classificando as apostas do investidor de "super estranhas" e "loucas".
Até agora, 2026 tem sido um ano difícil para os acionistas da Palantir, com uma queda acumulada de cerca de 28%.
Se a profecia de Burry se concretizar como em 2008, o mercado pode estar diante de mais um capítulo no qual o pessimismo solitário de um homem vence o otimismo do Salão Oval.
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