Small cap que trata e ‘valoriza’ o seu lixo sobe 145% desde o IPO e sonha em ser grande; CEO da Orizon (ORVR3) conta como pretende chegar lá
Em entrevista ao Seu Dinheiro, o CEO Milton Pilão apresenta a empresa, conta o segredo para dobrar de valor na bolsa e lista as avenidas de crescimento daqui em diante

Das mais de 70 empresas que abriram capital no boom de 2020 e 2021, muitas viram seu valor de mercado despencar com o passar dos anos, algumas até na casa dos 90%. Na contramão, uma empresa pequena vem se destacando: a Orizon (ORVR3), de gestão e valorização de resíduos.
A empresa estreou na B3 em fevereiro de 2021, cotada a R$ 22. Hoje opera na casa dos R$ 54, o que representa um salto de mais de 145%. Somente neste ano, a ação ORVR3 acumula alta de 43% e tem seis recomendações de compra, incluindo do Itaú BBA.
Qual o segredo para tal desempenho na bolsa? Como andam os negócios e quais as avenidas de crescimento para o futuro? Quem nos conta é o próprio CEO da Orizon, Milton Pilão, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.
O lixo que vale dinheiro: o que faz a Orizon
O negócio da Orizon gira em torno de algo nada glamouroso: o lixo. A empresa não faz a coleta de resíduos, mas, sim, cuida da sua destinação e tratamento adequado.
“A indústria, a população, os supermercados, todo gerador de resíduo nos paga para receber o resíduo dele e dar a ele o destino correto, porque o resíduo é uma biomassa que gera um gás e um chorume, e isso pode gerar passivos ambientais se você não o trata”, conta Pilão.
Esta é a primeira vertical de negócios da empresa. A outra é a geração de novos produtos a partir dos resíduos. É aí que o lixo se transforma em múltiplas receitas adicionais, como:
Leia Também
- Gás e energia: o biogás gerado pela decomposição do lixo é capturado e transformado em energia elétrica ou biometano (gás natural renovável).
- Reciclados: materiais que podem ser reinseridos na cadeia industrial.
- Combustível derivado de resíduos (CDR): uma alternativa energética para indústrias.
Atualmente, a Orizon tem 17 ecoparques em 12 estados diferentes, recebendo o resíduo de aproximadamente 30 milhões a 35 milhões de brasileiros.

E o que são os ecoparques? “São áreas gigantescas, na ordem de 2 a 3 milhões de metros quadrados, onde você tem o aterro e todas as indústrias de valorização no entorno”, explica o executivo.
Um dos exemplos é o ecoparque de Paulínia, que recebe cerca de 700 caminhões de resíduos por dia de todas as cidades da região metropolitana de Campinas (SP). Uma parte passa por valorização e gera novos produtos. A parte que não pode ser reaproveitada é aterrada de forma ambientalmente correta, tratando o chorume e retirando os gases gerados.
Nada se cria, tudo se copia: de onde veio o modelo da Orizon
A Orizon foi criada em 1999, mas atuava em diferentes frentes de negócio, incluindo tratamento de água e esgoto e serviços de engenharia. Com a chegada de Milton Pilão ao comando, em 2013, passou a se concentrar especificamente no tratamento e beneficiamento de resíduos.
O modelo foi inspirado no de empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos — como Waste Management e Republic Services, que hoje valem US$ 90,5 bilhões e US$ 73 bilhões na bolsa norte-americana, respectivamente.
- LEIA TAMBÉM: Novo episódio do Touros e Ursos no AR! Acompanhe as análises e recomendações de especialistas do mercado; acesse já
“A gente não está inventando a roda, a gente está imitando um modelo que já foi executado lá fora e que criou empresas bilionárias”, conta o CEO.
Portanto, o objetivo é ambicioso. “A beleza aqui é ser uma small cap, mas com o drive de se tornar uma grande empresa, uma top 10 do Brasil em cinco ou seis anos pelo potencial do mercado e pelo advento de ser a primeira consolidadora nesse setor, a primeira empresa de capital aberto também no setor.”
Diferença para a Ambipar (AMBP3)
Apesar de ter alguns pontos em comum com a Ambipar (AMBP3), Pilão explica que o modelo de negócio das duas é diferente.
Primeiro, a Ambipar tem metade da empresa focada em resposta a incidentes, setor no qual a Orizon não atua.
- LEIA TAMBÉM: Analistas da Empiricus Research estão disponibilizando gratuitamente uma carteira para buscar ganho de capital com investimentos; acesse já
Segundo, porque, no lado ambiental, a Ambipar atua exclusivamente com resíduo industrial.
“Dentro do espectro de resíduos gerados no Brasil, o resíduo industrial representa 5% a 6%. Então, o espectro de atuação deles é muito menor. A gente vai em todos os resíduos gerados na cadeia.”
O segredo da Orizon para dobrar de tamanho na bolsa
Pilão afirma que, ao abrir capital em 2021, diferentemente do que aconteceu com muitos players em meio ao otimismo exagerado da época, a Orizon foi “bastante penalizada no seu valuation” pela novidade do negócio em si.
O IPO foi precificado a R$ 22 por ação, o que resultou numa avaliação da empresa de R$ 1,6 bilhão. “É normal, o setor não estava educado. Para o investidor brasileiro era difícil precificar ali”, diz o CEO.
- CONFIRA: Quer saber onde encontrar os melhores rendimentos da renda fixa hoje? O Seu Dinheiro disponibilizou uma seleção gratuita de oportunidades; veja agora
Somado a isso, Pilão afirma que a empresa sempre buscou ser muito conservadora nas suas previsões. “A gente preferiu entregar primeiro, para deixar depois as casas [de análise] começarem a colocar para dentro do valuation.”
Para o executivo, a combinação desses dois fatores fez a Orizon ganhar credibilidade nas suas entregas ao longo dos anos e deu tempo para o mercado financeiro entender a dimensão do negócio.
Hoje o papel ORVR3 opera na casa dos R$ 54, e a empresa tem um market cap de R$ 5,6 bilhões. Somente neste ano, a ação acumula alta de 43% — contra 21% do índice Small Caps (SMLL) da B3, do qual faz parte.
Pergunto a Pilão sobre o que falta para o índice das pequenas empresas voltar às máximas de 2021, e ele é taxativo: “É muito mais do macro.”
“Uma vez que a gente saia desse ciclo ruim, que ninguém sabe quando, mas em algum momento vamos sair, com certeza as small caps vão ter um crescimento maior do que o índice Ibovespa.”
Avenidas de crescimento para a Orizon
O CEO da Orizon destaca que uma das grandes vantagens competitivas da empresa é que ela atua em um mercado com alta barreira de entrada, pois o processo de licenciar um aterro sanitário é complexo e demorado.
Uma vez licenciado, esse ativo se torna quase exclusivo em sua região de atuação, com um raio de cerca de 100 quilômetros, garantindo também perenidade ao negócio.
Além disso, inicialmente, a receita de um ecoparque vem principalmente da destinação do lixo. Contudo, com a implantação das indústrias de beneficiamento junto aos aterros, a Orizon multiplica a receita da empresa em aproximadamente quatro vezes.
- LEIA TAMBÉM: Tenha acesso às recomendações mais valorizadas do mercado sem pagar nada; veja como receber os relatórios semanais do BTG Pactual com o Seu Dinheiro
A expectativa é que, em cinco anos, a receita de valorização, que hoje representa 35% a 40%, se inverta e possa chegar a 75% a 80% do total.
“A Orizon é realmente um dos poucos ativos únicos com essa característica de um business de infraestrutura, que tem receita perene, com altas margens, aliado ao business de valorização, que empilha crescimento orgânico de altos dígitos anualmente”, diz o executivo.
Além disso, a legislação do país prevê o fechamento (que já deveria ter acontecido) de todos os lixões, que ainda recebem cerca de 35% dos resíduos produzidos pelos brasileiros. Quando a regra for colocada em prática totalmente, há mais espaço de atuação para empresas como a Orizon.
Outro fator que pode impulsionar os negócios da empresa é a implementação do mercado regulado de carbono, que está em curso. Desde 2005, a Orizon vende créditos de carbono no mercado voluntário, onde o preço gira em torno de US$ 7 a tonelada. No mercado regulado, esse valor pode chegar aos US$ 30, diz Pilão.
Sem crise do ESG
A “crise” enfrentada pelo setor de ESG nos últimos tempos, com empresas e governos tirando o pé de projetos focados nas áreas ambiental, social e de governança, não chega a afetar o negócio da Orizon, segundo o CEO.
Ele afirma que os negócios que sofreram mais foram aqueles que, de alguma forma, dependiam de algum tipo de subsídio “só pelo mote ESG”.
“Diariamente, a população está gerando um passivo. A gente vai lá e ganha dinheiro resolvendo um problema ambiental e social, que é o impacto que o lixo traz quando não é tratado corretamente ou não é valorizado para voltar para a cadeia industrial, substituindo ou salvando recursos naturais do planeta”, afirma o executivo.
O segredo, para ele, é aliar a visão de sustentabilidade sem esquecer do retorno. “A gente sempre foi ESG, mas sempre com um olho na rentabilidade e no financeiro.”
SAÚDE NA BOLSA
Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
13 de outubro de 2026 - 19:51DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?
Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
13 de outubro de 2026 - 19:21ESPAÇO PARA FATURAR BILHÕES
O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
13 de outubro de 2026 - 12:45DESALAVANCAGEM EM FOCO
CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
12 de outubro de 2026 - 10:59ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO
Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia
12 de outubro de 2026 - 10:03NA ERA DA IA
Seu próximo gerente pode ser uma IA: veja como Bradesco e Santander estão se preparando e se os apps de banco vão acabar
12 de outubro de 2026 - 7:02O QUE ESTÁ EM JOGO?
Raízen (RAIZ4) quer listar subsidiária na B3 em meio a plano bilionário de reorganização
10 de outubro de 2026 - 9:08ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: Santander (SANB11) distribuirá R$ 1,5 bilhão aos acionistas; saiba quem mais paga
9 de outubro de 2026 - 19:34Conteúdo Market Makers
Bancos vão investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial e soluções de dados em 2026: O que eles já descobriram que você ainda não aplica?
9 de outubro de 2026 - 13:00Conteúdo Empiricus
Qual a importância de saber o valor real da sua empresa? Conheça uma forma gratuita de calculá-lo
9 de outubro de 2026 - 12:00ENERGIA NA MIRA
Não é a Taesa (TAEE11): Ação paga bons dividendos, mas não é a favorita do Itaú BBA; veja as elétricas preferidas do banco
9 de outubro de 2026 - 9:37NOVAS FRONTEIRAS
Quer investir na China sem sair da B3? BTG Pactual Asset fecha parceria com gigante chinesa para preparar novos ETFs
9 de outubro de 2026 - 5:01RECOMENDAÇÃO
O pior já passou para a SLC Agrícola (SLCE3)? Bancos elevam projeções para 2027, mas fazem alerta aos investidores
8 de outubro de 2026 - 17:33Conteúdo Empiricus
Com R$ 210 bilhões em operações em 2026, mercado de M&A mira as médias empresas, mas este erro pode comprometer o valor da negociação
8 de outubro de 2026 - 17:01A VENCEDORA DOS JUROS BAIXOS
XP (XPBR31) pode ganhar um empurrão da Selic mais baixa; UBS BB eleva preço-alvo e vê até 25% de alta
8 de outubro de 2026 - 16:07AINDA ESTÁ BARATO?
A festa da bolsa ainda não acabou: BTG aponta onde a queda dos juros pode abrir espaço para mais altas
8 de outubro de 2026 - 13:33SINAL VERDE
GPA (PCAR3) vai virar a página? Justiça dá aval a plano de recuperação extrajudicial; ação dispara até 10% na B3
7 de outubro de 2026 - 14:17VAI VIRAR O JOGO?
Hora de comprar JBS (JBSS32)? Dor de cabeça pode virar trunfo — e fazer ação saltar até 70%, diz XP
7 de outubro de 2026 - 8:46O RALI ESTÁ SÓ COMEÇANDO
Bolsa brasileira disparou após o 1º turno; agora, UBS BB revela onde ainda pode haver espaço para ganhar
6 de outubro de 2026 - 19:43PROJEÇÃO PARA O BALANÇO