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SEM BRINDE

Ambev (ABEV3) diz que consumo de cerveja em bares e restaurantes caiu com inverno rigoroso e orçamento apertado

A fabricante de cervejas está otimista com a Copa do Mundo e mais feriados em 2026; analistas enxergam sinais mistos no balanço

Copo de cerveja da Ambev em bar, usando gorro e cachecol, com frio
Imagem: IA/ChatGPT

Inverno mais prolongado e frio e orçamento mais apertado dos consumidores para festas, encontros e brindes afetaram as vendas da Ambev (ABEV3) no Brasil, líder no mercado de cervejas do país.

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No Brasil, o volume caiu 7,7% no segmento de cervejas. Os volumes totais caíram 5,9%, para 42,42 milhões de hectolitros, com resultados negativos em todas as unidades de negócio da companhia: Brasil, América Central e Caribe, América Latina Sul e no Canadá.

O lucro líquido ajustado, porém, foi de R$ 3,84 bilhões, crescimento de 7,4% em relação aos R$ 3,58 bilhões do mesmo período de 2024. O resultado foi impulsionado pela menor despesa com imposto de renda, que compensou uma maior despesa financeira líquida.

Frio e bolso vazio

Com frio e sem dinheiro no bolso, consumidores saíram menos de casa. As vendas no setor caíram 4,9% só em setembro, diz a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que cita a crise das bebidas destiladas adulteradas que se iniciou no início do mês passado e se estendeu por outubro.

A fabricante não mencionou a crise causada pelo metanol encontrado em bebidas destiladas adulteradas, que resultou na morte de 15 pessoas no Brasil e afastou consumidores de bares e restaurantes. Mas disse que a redução nas idas a bares a afetou --- assim como a toda a indústria.

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No entanto, afirmou que, durante os últimos seis meses, houve menos ocasiões de consumo para o consumidor, com um inverno mais frio no Sul e Sudeste --- especialmente em comparação com os anos de 2023 e 2024, que tiveram inverno mais quente já registrado para a região. O clima contribuiu com 70% da redução de volume para toda a indústria, diz a companhia.

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O restante da queda foi causado por um orçamento mais apertado dos consumidores, que estão com menos dinheiro disponível para gastar com supérfluos.

"A ocasião de consumo fora de casa é muito importante para o mercado de cerveja no Brasil, que engloba basicamente bares e restaurantes", disse Guilherme Fleury, diretor financeiro e de relações com investidores em conferência a analistas.

Mesmo assim, a empresa acredita que, com um portfólio que vai de bebidas populares a cervejas premium, conseguiu amortecer em parte a queda e que está bem posicionada para terminar bem o ano com a chegada do verão.

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Apesar do trimestre mais fraco, a Ambev não mudou o guidance para o ano.

Copa do Mundo e feriados à frente, mas analistas ainda estão desconfiados

Já para o ano que vem, a empresa está otimista.

"No ano que vem, teremos mais ocasiões de consumo para explorar. A Copa do Mundo coincide com o momento do ano mais difícil do ano para nós, e mais feriados nos ajudarão a criar mais ocasiões de consumo para nós", afirmou Carlos Lisboa, CEO da Ambev.

Analistas do Bradesco BBI apontam que os números vieram acima do esperado, mas trazendo sinais mistos.

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“Apesar do cenário desafiador para volumes, a companhia mostrou capacidade de proteger margens por meio de gestão eficiente de custos e de despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), além de iniciativas de premiumização e digitalização”.

Apesar disso, a casa segue atenta à fraqueza estrutural do consumo no Brasil e à volatilidade na Argentina, que podem limitar ganhos operacionais à frente.

O BBI mantém recomendação Neutra para ABEV3, com preço-alvo de R$ 13,00 para 2026, dado que o valuation ainda apresenta prêmio frente aos pares globais e a recuperação de volumes permanece como principal catalisador para revisões positivas.

A XP Investimento tem um sentimento mais pessimista sobre o balanço. Os analistas apontam que, após um segundo trimestre decepcionante, a Ambev apresentou outro desempenho fraco, ainda impactado negativamente pelas condições climáticas adversas e pelo enfraquecimento da indústria.

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“Pelo lado positivo, os segmentos premium, opções equilibradas e cervejas sem álcool superaram os segmentos core e core-plus, e agora a AmBev lidera em todas as frentes, enquanto a gestão de custos continua encorajadora”, dizem os analistas.

No geral, apesar da perspectiva de clima mais quente e do novo programa de recompra da companhia, a XP vê a Ambev negociada a um exigente múltiplo de 13,9 vezes o preço sobre lucro, considerando as fracas perspectivas de crescimento do lucro por ação, e, portanto, reforçam a recomendação de venda.

Com Money Times

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