Por que a JiveMauá topou financiar a Azevedo & Travassos (AZEV3), que “simplesmente não dá dinheiro”?
A gestora enxerga oportunidade no financiamento de duas concessões importantes para a Azevedo, a Rota Verde e a Rota Agro. Crédito faz parte de aposta em infraestrutura da JiveMauá

A JiveMauá, gestora independente com R$ 25 bilhões sob gestão, deu a mão que a empresa de engenharia Azevedo & Travassos (AZEV3) precisava para conseguir fazer melhorias em duas concessões rodoviárias importantes para a companhia no Centro-Oeste: a Rota Verde e a Rota Agro. Por mão entenda-se um financiamento de R$ 454 milhões para o grupo que até então era controlado pela Reag Investimentos, investigada na operação que liga o PCC à Faria Lima.
A Azevedo & Travassos teve que dar adeus à controladora para poder ver a cor desse dinheiro — urgente para as operações, uma vez que a holding precisa realizar pagamentos que somam R$ 400 milhões já nos próximos meses. Apesar de pouco conhecida do público, a empresa é centenária e está por trás de obras icônicas, como a Rodovia Rio-São Paulo (a atual Via Dutra), a Ferrovia do Aço e a Usina Hidrelétrica de Furnas.
Você pode entender essa história completa nesta matéria do Seu Dinheiro.
O acordo para o financiamento até fez as ações AZEV3 saltarem um pouco ao longo do pregão da quarta-feira (24), mas hoje já devolvem os ganhos, com queda de 12% por volta das 14h, a R$ 0,36. Até porque os papéis não têm muita simpatia no mercado e a empresa não é conhecida por gerar lucros consistentes:

Segundo o analista Bruce Barbosa, a Azevedo simplesmente não dá dinheiro: as operações são muito caras e, com os juros na casa dos 15% como estão atualmente, fica ainda mais difícil.
O Seu Dinheiro conversou com duas pessoas envolvidas na operação na JiveMauá: Bruno Gomes, sócio e head da estratégia de Distressed & Special Sits, e Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado e soluções de capital na estratégia de Distressed & Special Sits.
Leia Também
Cabe lembrar que a gestora é conhecida por atuar em casos de empresas mais estressadas, como é o caso da Azevedo. Em entrevista, Gomes e Guterres afirmam que o acordo é uma oportunidade para a gestora. No entanto, a dúvida do mercado é: como a holding vai conseguir pagá-los de volta.
- CONFIRA: O podcast Touros e Ursos leva analistas de investimentos para um bate-papo sobre mercado financeiro e oportunidades; veja agora
O que a JiveMauá quer com a Azevedo & Travassos
“Essa operação é super interessante para nós, porque mistura elementos de que gostamos muito: a possibilidade de fazer financiamento de um ativo de infraestrutura super resiliente e mistura um pouco do nosso DNA, que é fazer transações em um ambiente de algum estresse”, diz Gomes.
Ele destaca que a maior parte dos recursos (R$ 414 milhões) é destinada às concessões da Rota Verde e da Rota Agro, que são desconectadas do business de construção do grupo — onde pode morar o maior problema, segundo analistas, principalmente pela taxa de juros — e já estão operantes.
“O dinheiro vai para financiar uma parte dos investimentos e operações dessas rodovias, que precisam passar por melhorias para haver cobrança de pedágio incremental. Então, a gente está dando financiamento para uma operação que já gera receita”, afirma Gomes.
E, segundo ele, é daí que vem o capital para pagar o financiamento.
“Se, ao longo do tempo, a empresa vai captar outras dívidas ou ter a capacidade operacional de se realavancar para nos pagar, são coisas que podem acontecer. A gente fez o investimento pensando nesse fluxo perene de pedágio das rodovias e os incrementos que advém das melhorias nas rotas”, conta o sócio da Jive.
De acordo com Guterres, o financiamento também faz sentido pela região onde as rotas se encontram (Goiás e Mato Grosso), por ser um polo do agronegócio, com uma malha ferroviária que complementa a da própria Rumo (RAIL3).
Eles ressaltam que todo o arcabouço logístico foi planejado para escoar grande parte da produção brasileira de soja e milho que vem do Centro-Oeste em direção aos portos de exportação no Sudeste ou no Norte.
A dupla não abriu as condições do financiamento. No entanto, foram unânimes em dizer: “temos garantias muito sólidas” — até para o caso dos outros R$ 50 milhões emprestados ao grupo, com vencimento em até nove meses.
Esse montante será destinado para pagamento de custos e despesas correntes da companhia e suas subsidiárias, bem como para investimentos no projeto Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), a ser desenvolvido junto à Petrobras (PETR4), em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
“"Há um fluxo de receita esperado do contrato com a Petrobras, uma condição essencial para o nosso desembolso. A margem é considerada apropriada para o negócio, mas, ainda assim, se algo sair do previsto, a transação conta com garantias muito sólidas que cobrem todo o valor do investimento”, afirma Gomes.
A aposta da JiveMauá em infraestrutura
Além disso, o acordo com a Azevedo faz parte de uma das grandes apostas que a gestora tem feito: em infraestrutura, que é o setor para o qual a JiveMauá está olhando com mais carinho.
Os gestores da JiveMauá destacaram a crescente importância do mercado de capitais para financiar projetos de infraestrutura, uma vez que bancos tradicionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições públicas, não conseguem suprir toda a demanda.
Para atender a essa necessidade, houve um aumento nos fundos de investimento em infraestrutura e nos papéis incentivados, como as debêntures. A gestora, segundo eles, tem se preparado para esse cenário, desenvolvendo produtos que garantem o capital necessário para impulsionar o mercado de infraestrutura.
Gomes e Guterres também ressaltaram que a JiveMauá oferece soluções de capital híbrido. Eles explicaram que é possível fornecer crédito para infraestrutura por meio de fundos de distress e special situations, que lidam com situações mais desafiadoras, ou por meio de fundos de crédito privado. A combinação dessas duas fontes de capital, segundo o entrevistado, é frequentemente a melhor maneira de oferecer uma solução eficiente para os concessionários.
VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL