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SD ENTREVISTA

Por que a JiveMauá topou financiar a Azevedo & Travassos (AZEV3), que “simplesmente não dá dinheiro”?

A gestora enxerga oportunidade no financiamento de duas concessões importantes para a Azevedo, a Rota Verde e a Rota Agro. Crédito faz parte de aposta em infraestrutura da JiveMauá

Um grupo de pessoas sentadas em uma plateia observa o palco principal de um evento. O palco é dominado por um telão horizontal extralongo que exibe imagens de rodovias e paisagens rurais. No telão, estão em destaque as palavras "LEILÃO DAS RODOVIAS BR-060/364/GO/MT" e "ROTA AGRO", indicando um leilão de concessão de rodovias. No centro do palco, dois homens estão falando em um púlpito com o logotipo da B3 (bolsa de valores do Brasil). Uma mulher sentada à esquerda, na primeira fila, também está visível. O ambiente é formal, com iluminação azul e branca, e cadeiras brancas dispostas em fileiras para a audiência. Algumas pessoas na plateia estão usando crachás.
Imagem: Agência Brasil

A JiveMauá, gestora independente com R$ 25 bilhões sob gestão, deu a mão que a empresa de engenharia Azevedo & Travassos (AZEV3) precisava para conseguir fazer melhorias em duas concessões rodoviárias importantes para a companhia no Centro-Oeste: a Rota Verde e a Rota Agro. Por mão entenda-se um financiamento de R$ 454 milhões para o grupo que até então era controlado pela Reag Investimentos, investigada na operação que liga o PCC à Faria Lima.

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A Azevedo & Travassos teve que dar adeus à controladora para poder ver a cor desse dinheiro — urgente para as operações, uma vez que a holding precisa realizar pagamentos que somam R$ 400 milhões já nos próximos meses. Apesar de pouco conhecida do público, a empresa é centenária e está por trás de obras icônicas, como a Rodovia Rio-São Paulo (a atual Via Dutra), a Ferrovia do Aço e a Usina Hidrelétrica de Furnas.

Você pode entender essa história completa nesta matéria do Seu Dinheiro.

O acordo para o financiamento até fez as ações AZEV3 saltarem um pouco ao longo do pregão da quarta-feira (24), mas hoje já devolvem os ganhos, com queda de 12% por volta das 14h, a R$ 0,36. Até porque os papéis não têm muita simpatia no mercado e a empresa não é conhecida por gerar lucros consistentes:

Azevedo&Travassos só teve dois lucros anuais entre 2015 e 2024. Neste ano, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 13,5 milhões no primeiro trimestre e lucro de R$ 61,3 milhões no segundo. Fonte: TradeMap e divulgação trimestral de resultados da empresa

Segundo o analista Bruce Barbosa, a Azevedo simplesmente não dá dinheiro: as operações são muito caras e, com os juros na casa dos 15% como estão atualmente, fica ainda mais difícil. 

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O Seu Dinheiro conversou com duas pessoas envolvidas na operação na JiveMauá: Bruno Gomes, sócio e head da estratégia de Distressed & Special Sits, e Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado e soluções de capital na estratégia de Distressed & Special Sits.

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Cabe lembrar que a gestora é conhecida por atuar em casos de empresas mais estressadas, como é o caso da Azevedo. Em entrevista, Gomes e Guterres afirmam que o acordo é uma oportunidade para a gestora. No entanto, a dúvida do mercado é: como a holding vai conseguir pagá-los de volta.

O que a JiveMauá quer com a Azevedo & Travassos

“Essa operação é super interessante para nós, porque mistura elementos de que gostamos muito: a possibilidade de fazer financiamento de um ativo de infraestrutura super resiliente e mistura um pouco do nosso DNA, que é fazer transações em um ambiente de algum estresse”, diz Gomes.

Ele destaca que a maior parte dos recursos (R$ 414 milhões) é destinada às concessões da Rota Verde e da Rota Agro, que são desconectadas do business de construção do grupo — onde pode morar o maior problema, segundo analistas, principalmente pela taxa de juros — e já estão operantes.

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“O dinheiro vai para financiar uma parte dos investimentos e operações dessas rodovias, que precisam passar por melhorias para haver cobrança de pedágio incremental. Então, a gente está dando financiamento para uma operação que já gera receita”, afirma Gomes. 

E, segundo ele, é daí que vem o capital para pagar o financiamento. 

“Se, ao longo do tempo, a empresa vai captar outras dívidas ou ter a capacidade operacional de se realavancar para nos pagar, são coisas que podem acontecer. A gente fez o investimento pensando nesse fluxo perene de pedágio das rodovias e os incrementos que advém das melhorias nas rotas”, conta o sócio da Jive.

De acordo com Guterres, o financiamento também faz sentido pela região onde as rotas se encontram (Goiás e Mato Grosso), por ser um polo do agronegócio, com uma malha ferroviária que complementa a da própria Rumo (RAIL3). 

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Eles ressaltam que todo o arcabouço logístico foi planejado para escoar grande parte da produção brasileira de soja e milho que vem do Centro-Oeste em direção aos portos de exportação no Sudeste ou no Norte.

A dupla não abriu as condições do financiamento. No entanto, foram unânimes em dizer: “temos garantias muito sólidas” — até para o caso dos outros R$ 50 milhões emprestados ao grupo, com vencimento em até nove meses.

Esse montante será destinado para pagamento de custos e despesas correntes da companhia e suas subsidiárias, bem como para investimentos no projeto Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), a ser desenvolvido junto à Petrobras (PETR4), em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

“"Há um fluxo de receita esperado do contrato com a Petrobras, uma condição essencial para o nosso desembolso. A margem é considerada apropriada para o negócio, mas, ainda assim, se algo sair do previsto, a transação conta com garantias muito sólidas que cobrem todo o valor do investimento”, afirma Gomes.

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A aposta da JiveMauá em infraestrutura

Além disso, o acordo com a Azevedo faz parte de uma das grandes apostas que a gestora tem feito: em infraestrutura, que é o setor para o qual a JiveMauá está olhando com mais carinho.

Os gestores da JiveMauá destacaram a crescente importância do mercado de capitais para financiar projetos de infraestrutura, uma vez que bancos tradicionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições públicas, não conseguem suprir toda a demanda.

Para atender a essa necessidade, houve um aumento nos fundos de investimento em infraestrutura e nos papéis incentivados, como as debêntures. A gestora, segundo eles, tem se preparado para esse cenário, desenvolvendo produtos que garantem o capital necessário para impulsionar o mercado de infraestrutura.

Gomes e Guterres também ressaltaram que a JiveMauá oferece soluções de capital híbrido. Eles explicaram que é possível fornecer crédito para infraestrutura por meio de fundos de distress e special situations, que lidam com situações mais desafiadoras, ou por meio de fundos de crédito privado. A combinação dessas duas fontes de capital, segundo o entrevistado, é frequentemente a melhor maneira de oferecer uma solução eficiente para os concessionários.

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