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Durante a Brazil Climate Investment Week 2025, gestoras nacionais e internacionais discutiram como o investimento climático pode gerar lucros, reduzir emissões e destravar o potencial ambiental do Brasil

A transição climática é inevitável e pode ser altamente lucrativa — e o Brasil pode liderar a economia climática global se liberar o capital certo, no tempo certo. Essa foi a principal mensagem deixada por gestores em evento sobre financiamento climático promovido pela Converge Capital e a Capital for Climate.
Em meio à crise ambiental e à demanda crescente por soluções sustentáveis, representantes de gestoras nacionais e internacionais se reuniram para discutir estratégias, gargalos e oportunidades do mercado climático no Brasil.
Com moderação de Nina Vieira e Filipe Borsato, ambos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), os dois painéis contaram com a participação de gestores da GEF Capital, Patria Investimentos, Rise, Just Climate, Lightrock, Perfin Climate, Régia Capital, fama re.capital e KPTL.
Um ponto unânime entre os participantes: investir em soluções climáticas não significa abrir mão de retorno financeiro — muito pelo contrário.
“Nosso papel é entender, precificar e mitigar riscos. Green premium sem benefício real para o cliente não tem valor”, afirmou Estevan Taguchi, diretor da GEF Capital.
O foco, segundo Taguchi, está em negócios que combinem impacto ambiental e geração de receita recorrente.
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Tatiana Sasson, head de impacto da Lightrock, reforçou essa visão com um exemplo concreto: a ComBio Energia, empresa que entrou no portfólio da gestora em 2023, substitui o uso de gás natural por biomassa em processos industriais.
“Reduz até 50% das emissões de carbono e ainda corta custos. É tecnologia nacional com escala e retorno”, disse Sasson.
Os setores mais citados pelos gestores como prioritários foram bioenergia, agricultura sustentável, economia circular e eficiência energética.
Pedro Vilela, CEO e cofundador da Rise, destacou que o Brasil tem uma oferta abundante de bons empreendedores no segmento de transição climática, mas o maior gargalo é o capital intermediário.
“O pipeline existe. O que falta é dinheiro paciente, especialmente no estágio de early growth.”
Essa lacuna também é sentida por Danilo Zelinski, head de investimentos para a natureza e inovação climática da KPTL, que destacou a necessidade de aproximar ciência, tecnologia e capital de risco.
Para Zelinski, “há um descompasso entre o potencial de inovação climática e os mecanismos de financiamento disponíveis no país”.
Os gestores também debateram sobre as soluções baseadas na natureza, com destaque para conservação florestal e projetos de créditos de carbono.
Alexandre Bossi, sócio e diretor da Perfin Climate, defendeu que o Brasil deve liderar o mercado global de conservação florestal e créditos de carbono, mas precisa fazer isso direito.
“Hoje perdemos uma São Paulo por mês em desmatamento. E todos os projetos de reflorestamento certificados somam menos que isso. É insano”, afirmou Bossi.
Bossi explicou a aposta da gestora em atuar como proprietária direta da terra para controlar riscos de documentação, integridade e certificação.
Cláudio dos Anjos, analista de finanças sustentáveis da Régia Capital, reforçou a importância de evitar projetos dependentes exclusivamente de receita com carbono.
A solução? Diversificar fontes de receita e aproximar modelos já consolidados da infraestrutura ao contexto climático.
“É preciso trazer o que o mercado já entende para dentro da nova economia verde. E isso só se faz com colaboração e modelagens financeiras robustas”, disse dos Anjos.
Do outro lado do mercado, Caroline Prolo, da fama re.capital, explicou como a gestora atua no engajamento com empresas de setores com alta emissão de carbono.
“Não somos consultoria, mas nos tornamos uma extensão do time de sustentabilidade [das investidas]. Trabalhamos lado a lado com as empresas para traçar e executar seus planos de transição climática.”
Segundo Prolo, o sucesso está em construir relações de confiança e alinhar a criação de valor ambiental com retorno para os acionistas.
Na conclusão dos painéis, Marina Tennenbaum, sócia e COO do Pátria no Brasil, apresentou os impactos das iniciativas do grupo — incluindo a eletrificação de frotas, energia renovável e o fundo Reforest, que recentemente anunciou uma rodada de captação de R$ 100 milhões para financiar sistemas agroflorestais.
“O desafio climático é uma oportunidade competitiva. Ele virou uma ponte entre gerações: entre quem formou o capital e quem quer gerar impacto com ele”, disse Tennenbaum.
Já Raphael Falcioni, diretor da Just Climate, defendeu o papel do Brasil como elo entre inovação, biodiversidade e capital global.
“Clima não tem fronteiras. Cada ação local importa. Sustentabilidade é uma classe de ativo — e o clima também. O melhor momento para investir em soluções climáticas é agora. Estamos no país certo, na hora certa”, sintetizou.
Ambos os painéis reforçaram o papel do BNDES como ator fundamental para alavancar capital e fomentar a estruturação do mercado de investimento climático.
“Temos hoje no pipeline do banco cerca de R$ 6,5 bilhões em fundos, sendo 70% direcionados à agenda verde”, afirmou Nina Vieira, chefe de departamento do banco.
Segundo Vieira, novas chamadas para fundos de transição ecológica devem ser lançadas em breve, com foco em estruturar o ecossistema climático brasileiro.
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