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A gigante de chips está no centro da corrida pela inteligência artificial entre EUA e China; saiba o que pesou para as ações da empresa caírem 5% após da divulgação do balanço nesta quarta-feira (27)

O S&P 500 terminou a quarta-feira (27) renovando recorde em uma aposta dos investidores de que os resultados da Nvidia (NVDC34) no segundo trimestre fiscal de 2026 seriam um divisor de águas para o bull market nos EUA. E, de fato, a gigante dos chips entregou lucro e receita maiores do que o esperado, mas quem olhou para o after hours em Nova York viu as ações NVDA recuando cerca de 5% na esteira da divulgação do balanço.
O mercado torceu o nariz para o desempenho de data centers — que inclui chips e sistemas voltados para computação de inteligência artificial (IA). A receita do segmento somou US$ 41,1 bilhões entre abril e junho ante estimativa de US$ 41,3 bilhões da FactSet. No mesmo período do ano anterior, a divisão teve receita de US$ 26,2 bilhões.
Segundo a empresa, as vendas de data center não incluíram a comercialização do H20 na China. Em abril, Donald Trump proibiu a venda desse tipo de chip para o mercado chinês. Ele acabou cedendo parcialmente neste mês e liberando a comercialização para os chineses, mas com um custo: a Nvidia terá que repassar 15% de sua receita para o governo norte-americano.
Em meio a esse imbróglio, a Nvidia também está preparando um novo chip para o mercado chinês baseado na arquitetura Blackwell, mas a empresa precisará da aprovação de Trump para vendê-lo na região.
Enquanto o chip não chega na China, o governo de Xi Jinping segue tentando acabar com o domínio da gigante norte-americana em seu país. Nas últimas semanas, a administração chinesa alertou as empresas locais contra o uso dos chips da Nvidia, afirmando que podem conter riscos de segurança. A Nvidia nega a acusação e disse que está trabalhando com o governo chinês para resolver a questão.
No segundo trimestre fiscal de 2026, a Nvidia reportou um lucro líquido de US$ 26,42 bilhões, o que correspondeu a um aumento de 59% em relação a igual período do ano anterior. O lucro por ação diluído ajustado foi de US$ 1,05, ante US$ 0,68 no segundo trimestre fiscal de 2025. Analistas consultados pela FactSet previam US$ 1,01 por ação.
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A receita total da companhia somou US$ 46,7 bilhões no trimestre, crescimento de 56% na base anual e ligeiramente acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam US$ 46 bilhões.
A Nvidia atribuiu o desempenho à demanda pela acelerada plataforma de computação usada para modelos de linguagem de grande porte, aplicações de IA generativas e outros fatores. "Continuamos a impulsionar nossa arquitetura Blackwell, que cresceu 17% sequencialmente, incluindo nossa arquitetura mais recente, Blackwell Ultra", disse a empresa.
A companhia citou ainda que se beneficiou de uma liberação de US$ 180 milhões de estoque de H20, relacionado à venda de cerca de US$ 650 milhões desses chips para um cliente irrestrito fora da China.
Enquanto Xi Jinping acelera os planos de alcançar pelo menos 70% de autossuficiência em chips até 2027 em uma tentativa de acabar com o domínio da Nvidia no país, a gigante norte-americana dos chips promete entregar ainda mais aos seus investidores.
Junto com os resultados de hoje, a Nvidia projetou que seu faturamento no terceiro trimestre fiscal deve ser de US$ 54 bilhões, com uma variação para mais ou para menos de 2% em relação a esse valor.
A companhia disse que não levou em conta dados de embarques do H20 para a China nesta projeção. O H20 é uma versão menos potente dos principais chips de IA da companhia.
A expectativa pelo resultado da Nvidia nesta quarta-feira (27) levou o S&P 500 a renovar recorde: o índice mais amplo de Nova York subiu 0,24%, para 6.481,40 pontos. Os ganhos foram acompanhados pelo Nasdaq, que avançou 0,21%, aos 21.590,14 pontos; e pelo Dow Jones, que teve alta de 0,32%, aos 45.565,23 pontos.
Mas as ações NVDA não chamaram tanta atenção assim, terminando praticamente no zero a zero hoje — os papéis caíram 0,09%, cotados a US$ 181,60. No after hours, assim que os resultados trimestrais saíram, as ações da Nvidia chegaram a cair 4,9%.
No ano, no entanto, o desempenho é bem diferente. Os papéis da Nvidia acumulam 35,25% de alta e mais de 42% nos últimos 12 meses. Vale lembrar que em julho, a fabricante de chips se tornou a primeira empresa a ver sua capitalização de mercado ultrapassar US$ 4 trilhões. Atualmente, a Nvidia vale US$ 4,43 trilhões.
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