Moody’s dá três golpes na Azul (AZUL4) após pedido de recuperação judicial: no rating, na perspectiva e na cobertura da empresa
A agência de classificação de risco rebaixou o rating da companhia aérea dias após a Fitch e a S&P fazerem o mesmo

A turbulência pela qual a Azul (AZUL4) passa está longe do fim e se complicou mais um pouco.
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating da Azul de “Caa2” para “Ca”, com perspectiva negativa.
Em comunicado divulgado na noite de segunda-feira (2), a Moody’s avalia que há alguma perspectiva de recuperação para os credores, no entanto, com grandes perdas.
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Além disso, a perspectiva negativa reflete a visão pela agência de risco de um período de recuperação judicial prolongado para a Azul, como parte de sua reorganização e flexibilidade financeira limitada.
Por fim, a Moody’s anunciou o cancelamento das avaliações sobre a Azul, conforme política interna após o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Fitch e S&P colocaram Azul na classificação de calote (default)
A Moody’s foi a última agência de risco a rebaixar a Azul — e a mais benevolente, pois ainda não rebaixou a empresa para seu último nível de risco, que é C.
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A Fitch e a S&P são mais negativas.
Na última semana, as duas agências de classificação de risco rebaixaram o rating da Azul para D, último degrau na escala de risco de ambas as agências, que já caracteriza um estado de calote ou inadimplência (default).
Anteriormente, as agências já haviam rebaixado os ratings da aérea para CCC-, diante da possibilidade de a empresa entrar com um pedido de recuperação judicial.
Ao solicitar de fato a RJ, ambas as agências reviram o rebaixamento para default, que é padrão diante da situação.
- Uma empresa em recuperação judicial recebe proteção contra a execução das dívidas por parte de credores, o que, na prática, se traduz em um calote (suspensão do pagamento das dívidas, que, assim, não serão mais pagas na data inicialmente acordada).
Embora a Moody’s não tenha rebaixado a companhia aérea para a sua última classificação, que é C, o nível Ca também é altamente especulativo e já indica um grande risco de perda financeira para o credor.
Recuperação judicial
A Azul anunciou na última semana que deu entrada no pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, chamado Chapter 11, com acordos já firmados entre parceiros.
A aérea iniciou um processo de reestruturação pré-acordada para viabilizar renegociações de aproximadamente US$ 1,6 bilhão em financiamento DIP (debtor in possession).
- O DIP é uma modalidade de crédito específica para empresas em processo de recuperação judicial, que visa fornecer os recursos financeiros necessários para que a empresa opere e atinja seu objetivo.
No caso da Azul, a busca é pela redução da dívida e melhoria da estrutura financeira.
A Azul acredita que esse compromisso de financiamento pagará parte da dívida existente e irá fornecer aproximadamente US$ 670 milhões de capital novo para reforçar a liquidez durante e após o processo.
Na última quinta-feira (29), a companhia passou pela audiência inicial do Chapter 11 nos EUA e conseguiu uma aprovação para ter acesso imediato a US$ 250 milhões de seu financiamento DIP.
A expectativa é que a Azul deixe o processo até o início de 2026.
*Com informações do Money Times.
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