JHSF (JHSF3) mira R$ 4,6 bilhões com venda de imóveis de luxo e pode destravar preço das ações na Bolsa
Recursos da venda devem turbinar projetos futuros e trazer maior segurança financeira à empresa, com impacto positivo potencial nas ações

A JHSF (JHSF3), dona de marcas e empreendimentos de alto padrão como Fasano e Fazenda Boa Vista, anunciou uma transação de peso. A companhia vai levantar R$ 4,6 bilhões com a venda de um pacote de imóveis de luxo — um montante que supera o valor de mercado da própria empresa na B3, hoje em torno de R$ 3,8 bilhões.
Na prática, o movimento mostra que os ativos da JHSF valem mais do que a cotação de suas ações JHSF3 reflete atualmente.
A estruturação do negócio será por meio da criação de um veículo de investimento — muito provavelmente um fundo imobiliário. Segundo a empresa, essa será a maior oferta já realizada no setor de construção.
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O acordo já conta com garantia firme de colocação dos bancos responsáveis pela oferta. Ou seja, mesmo que falte demanda dos investidores, as instituições financeiras assumem o compromisso de aportar os R$ 4,6 bilhões. Esse modelo, comum em operações desse porte, dá praticamente como certa a conclusão da transação.
O prospecto da oferta deve ser divulgado nas próximas semanas e a expectativa é de que tudo seja finalizado ainda em 2025.
Quais imóveis da JHSF estão no pacote
Inicialmente, a JHSF chegou a considerar um spin-off (desmembramento) de negócios para a bolsa, mas recuou diante da perspectiva de baixa liquidez. A alternativa escolhida foi a criação do veículo de investimento próprio, que garante acesso direto ao capital.
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A venda contempla ativos do segmento de incorporação imobiliária da JHSF, que abrange compra de terrenos, desenvolvimento de projetos, construção e vendas. Entre os empreendimentos incluídos estão:
- Apartamentos do Reserva Cidade Jardim, em construção na Marginal Tietê;
- Unidades do São Paulo Surf Club, também na região próxima a Marginal;
- Lotes do Complexo Boa Vista, em Porto Feliz (SP); e
- Lotes da Fazenda Santa Helena, em Bragança Paulista (SP).
Ficam de fora os ativos de renda recorrente — como shoppings, hotéis, restaurantes e o Aeroporto Catarina. Segundo fontes do Broadcast, o interesse dos investidores está concentrado nas incorporações, onde há potencial de valorização mais expressiva.
Impacto no caixa e na dívida
Caso a operação termine até o fim do ano, os recursos já entrarão no balanço do quarto trimestre. Isso dará à JHSF uma injeção de liquidez relevante para enfrentar seu atual nível de endividamento.
No fim do segundo trimestre, a companhia tinha dívida líquida de R$ 1,6 bilhão — equivalente a 1,8 vez o lucro operacional (Ebitda). Com a entrada dos R$ 4,6 bilhões, a JHSF passará a ter mais dinheiro em caixa do que dívida, ganhando fôlego para novos investimentos.
Segundo a empresa, a transação moderniza sua estrutura de capital e abre espaço para que os futuros projetos de incorporação sejam desenvolvidos junto a investidores, em veículos dedicados.
Mas os recursos não servirão apenas para reforçar o caixa. Eles também vão financiar novos empreendimentos, como o Boa Vista Village Town Center, que reunirá marcas de luxo como Gucci e Chloé; a Usina São Paulo, um complexo cultural e corporativo sobre o Rio Pinheiros e a expansão do Aeroporto Catarina e do outlet vizinho, em São Roque (SP).
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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