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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

O FUTURO EM JOGO

Compra do Banco Master pode render lucro de R$ 1,5 bilhão para o BRB em 5 anos — pelo menos, é o que prevê a instituição estatal

A aquisição da fatia do Master pode permitir que o BRB alcance um resultado de quase R$ 3 bilhões em 2029

Camille Lima
Camille Lima
22 de agosto de 2025
9:29
Banco Master e Banco de Brasília (BRB)
Banco Master e Banco de Brasília (BRB). - Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

A compra do Banco Master pode render um lucro de R$ 1,5 bilhão para o Banco de Brasília (BRB) nos próximos cinco anos. Pelo menos, é o que indicam as projeções iniciais da estatal.

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De acordo com o BRB, a aquisição da fatia do Master pode permitir que o banco estatal alcance um resultado superior a R$ 2,7 bilhões em 2029. Para colocar em perspectiva, em 2024, o lucro líquido recorrente do banco somou R$ 282 milhões. 

Para este ano, a expectativa do BRB é chegar a R$ 1,2 bilhão. Já para 2026, a projeção sobe para R$ 1,251 bilhão; R$ 2,375 bilhões em 2027; e R$ 2,639 bilhões em 2028.

Essas informações foram antecipadas pelo Valor Econômico. Após a repercussão, o BRB precisou se explicar junto à CVM, afirmando que os números divulgados eram sigilosos e “possivelmente extraídos de reunião reservada” na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nos últimos dias.

Segundo a instituição, as projeções apresentadas aos deputados distritais são apenas estimativas no plano de negócios, baseadas em premissas de mercado e cenários macroeconômicos.

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“Tais projeções podem não se concretizar, total ou parcialmente, em razão de fatores externos, conjunturais ou de mercado, alheios ao controle da instituição”, escreveu o BRB, em comunicado enviado ao mercado. 

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Ou seja, não se trata de um guidance formal, mas de um plano de viabilidade econômico-financeira elaborado para avaliação do Banco Central sobre a compra da fatia do Master pelo BRB, afirmou o banco estatal.

O que vai ficar de fora da compra do Banco Master pelo BRB

Nesta sexta-feira (22), o BRB também revelou quais ativos do Master realmente passarão para o banco estatal. Inicialmente, a expectativa é que, dos R$ 75,2 bilhões em ativos do Master, o Banco de Brasília fique com apenas R$ 23,9 bilhões

Isso significa que R$ 51,2 bilhões não entrariam na aquisição — boa parte composta por fundos de investimento em direitos creditórios e ações considerados “não aderentes” às políticas do BRB, totalizando cerca de R$ 19,5 bilhões.

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Outros ativos excluídos incluem:

  • R$ 12,28 bilhões em créditos, incluindo recebíveis de ativos judiciais;
  • R$ 9,43 bilhões em precatórios;
  • R$ 7,59 bilhões em operações de crédito concentradas ou sem garantias reais; e
  • R$ 2,47 bilhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

Além disso, do lado do passivo, além de depósitos interfinanceiros entre empresas do conglomerado Master, o BRB também excluiu cerca de R$ 33 bilhões em depósitos a prazo. 

Com isso, o banco ficará apenas com R$ 4,6 bilhões em CDBs da instituição comandada por Daniel Vorcaro.

De acordo com o com o fato relevante enviado à CVM, o trabalho de auditoria também destacou ajustes de R$ 601,9 milhões no patrimônio líquido do Master, concentrados em exposições tributárias, trabalhistas e valores a receber, que serão liquidados antes do fechamento da venda para o BRB.

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Além disso, os acionistas do Master reforçaram as provisões de crédito em cerca de R$ 2 bilhões, o que elevou a cobertura sobre a carteira de crédito do banco. 

Outros detalhes da compra do Banco Master

Dessa forma, o ativo de partida do Banco Master na operação foi estabelecido em cerca de R$ 24 bilhões. Somado ao BRB, isso dará origem a um conglomerado prudencial com aproximadamente R$ 100 bilhões em ativos, disse o BRB.

O BRB pagará pelo Banco Master um valor equivalente a 75% do patrimônio líquido consolidado, ajustado pelas baixas de ativos.

Segundo o banco, metade do pagamento será feito à vista na data de fechamento da operação. 

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Já os 50% restantes serão retidos em conta escrow, por um período de seis anos, para garantir eventuais indenizações previstas no contrato. 

Além disso, se o valor retido for inferior a 50%, a diferença será paga no segundo aniversário da conclusão da transação. 

Assim que a compra for concluída, o BRB e os acionistas vendedores assinarão um acordo de acionistas para regular a governança do Master — visto que as instituições manterão suas estruturas próprias, mas compartilharão governança para garantir um alinhamento estratégico e eficiência operacional. 

O acordo também estabelecerá a formação de um novo grupo de controle, que definirá que os atuais controladores do Master não poderão deter poderes políticos nem participarão da gestão do banco. 

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O que falta para a operação sair do papel 

Nesta semana, a CLDF aprovou o projeto de lei que dá aval para o BRB comprar o Master. O governador Ibaneis Rocha também sancionou o texto nos últimos dias.

Segundo o UOL, a saída de Augusto Lima, ex-sócio do Master, e sua aquisição do Banco Voiter (agora Banco Pleno) foram cruciais para fechar o acordo.

Com o sinal verde, o Banco de Brasília foi autorizado a adquirir 58% do capital social do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais.

Agora, a operação depende da aprovação final do Banco Central. Além disso, ainda pende a finalização da reorganização societária do Banco Master e a realização de auditoria para confirmar o preço no momento do fechamento.

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É importante lembrar que, como o BRB não assumirá a totalidade da operação, Daniel Vorcaro ainda precisará garantir liquidez para os compromissos que não serão absorvidos pelo banco estatal.

A expectativa do mercado é que Vorcaro precise de uma nova ajuda do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para honrar com os passivos que não forem comprados pelo BRB.

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