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A conta do agro chegou — e continuará a pressionar: por que o Banco do Brasil deve ser o azarão da temporada de balanços outra vez?

O Banco do Brasil (BBAS3) chega à temporada de balanços do terceiro trimestre em meio a uma tempestade que há meses castiga sua carteira de crédito. A aposta do mercado é que a crise no agronegócio deve colocar o banco estatal diante de um dos resultados mais fracos em décadas.
Enquanto os rivais privados têm conseguido preservar, ao menos, um mínimo de previsibilidade nos resultados, o Banco do Brasil parece estar predestinado a ser o “destaque negativo” da safra de resultados do setor bancário outra vez.
A divulgação dos números do terceiro trimestre de 2025 do BB está marcada para esta noite, após o fechamento do mercado, e a avaliação é que será mais um balanço duro.
O mercado prevê um lucro líquido de cerca de R$ 4,03 bilhões entre julho e setembro, de acordo com o consenso Bloomberg — o que representaria uma queda 57,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
A rentabilidade deve refletir esse impacto de forma ainda mais brutal: o ROE projetado é de apenas 8,6%, o pior nível em décadas.
Vale lembrar que o último balanço do BB já havia sido pior do que o mercado temia — e analistas receiam que o terceiro trimestre de 2025 possa seguir na mesma linha.
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A Empiricus Research acredita que o trimestre será ainda mais fraco que o anterior, quando o banco já havia registrado um ROE em um dígito. Outras casas projetam rentabilidade um pouco maior, mas todas convergem na mesma direção: um trimestre fraco.
O Goldman Sachs, por exemplo, avalia que as provisões elevadas devem ser o principal limitador para os lucros do Banco do Brasil neste trimestre. Os analistas preveem que as despesas com provisões podem chegar a R$ 16,2 bilhões, pressionando o custo de risco e puxando os lucros para baixo.
O Itaú BBA prevê que o trimestre pode marcar o ponto mais baixo do ciclo de lucros do banco, antes de uma recuperação lenta a partir dos últimos três meses do ano. Ainda assim, os analistas acreditam que os desafios na rentabilidade devem durar até o segundo semestre de 2026.
A XP Investimentos também projeta um trimestre mais fraco, com desaceleração nas carteiras corporativa e agro, enquanto o crédito para pessoa física (PF) deve apresentar um alívio, especialmente nas linhas com garantias mais robustas, como o crédito consignado privado.
Embora o desempenho da carteira de agronegócio seja o principal ponto de preocupação no balanço do Banco do Brasil, o problema, porém, não se restringe ao campo. Há sinais de deterioração também nas carteiras de pessoa física e pequenas e médias empresas (PMEs).
Um dos poucos pontos capazes de amenizar a frustração do mercado neste trimestre é a BB Seguridade (BBSE3), divisão de seguros e previdência, que deve entregar um resultado positivo — embora insuficiente para compensar o impacto do crédito, segundo analistas.
O epicentro dessa crise está no agronegócio, responsável por cerca de 35% da carteira total de crédito do Banco do Brasil. E o terceiro trimestre coincide justamente com o período mais sensível do ano, quando vencem aproximadamente 40% das operações de crédito da safra de grãos.
Para a analista Larissa Quaresma, da Empiricus Research, o trimestre deve ser pior justamente porque muitas operações agro vencem neste período e não foram pagas.
Além disso, dados do Banco Central indicam que o índice de inadimplência do agro ainda não parou de subir.
O governo federal tentou oferecer um "respiro" ao agro com a Medida Provisória 1.314, que permite alongar dívidas rurais por até nove anos. No entanto, a ajuda está longe de resolver o problema.
Para o JP Morgan, a lentidão na execução da MP gerou um "risco moral" entre os produtores, que adiaram pagamentos esperando condições melhores de refinanciamento.
Segundo o banco norte-americano, quanto maior a demora no refinanciamento, maior o risco de migração para o estágio 3 — quando o crédito é oficialmente considerado inadimplente e exige provisões ainda mais elevadas.
Diante do quadro adverso, o Banco do Brasil vem tentando reorganizar sua carteira: concessões mais seletivas, mais garantias e renegociações ativas com clientes.
Mas analistas alertam que esse processo é lento — a “nova safra” de crédito mais conservadora só começa a ser paga em 2026.
A dúvida, portanto, é inevitável: vale antecipar o turnaround e comprar as ações BBAS3 agora?
A resposta predominante no mercado ainda é de cautela. Das oito recomendações registradas na plataforma TradeMap, seis são neutras e apenas duas são de compra.
Para a Empiricus Research, ainda não chegou o momento de entrar no papel. Isso porque a valorização das ações dependerá de uma melhora consistente da rentabilidade ou de um novo ciclo de crédito mais forte — algo que, na visão dos analistas, deve demorar.
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