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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

IMPACTO NO LUCRO

Até o Banco do Brasil (BBAS3) pode pagar a conta das tarifas de Trump: Moody’s revela o impacto da guerra comercial para os bancos brasileiros

Para a Moody’s, o setor financeiro já vivia um cenário complexo, dadas as taxas de juros elevadas e as tendências de inadimplência — e as tarifas dos EUA devem ajudar a complicar a situação

Camille Lima
Camille Lima
17 de julho de 2025
15:44
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Imagem: Divulgação / Montagem: Bruna Martins

Quando Donald Trump anunciou tarifas de 50% contra o Brasil, ninguém imaginava que o impacto da guerra comercial dos EUA chegaria até os bancos brasileiros, mas até o Banco do Brasil (BBAS3) pode ser forçado a pagar a conta dessa tensão comercial.

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Na avaliação da Moody’s, o setor financeiro brasileiro já estava em rota de colisão com um cenário mais complexo, dadas as taxas de juros elevadas no Brasil e as tendências de inadimplência — e agora as tarifas dos EUA devem ajudar a complicar a situação.

Isso porque os bancos brasileiros podem sentir os efeitos de uma desaceleração no comércio exterior, com a pressão do endividamento crescente, um cenário inflacionário e um risco iminente à qualidade dos ativos.

  • LEIA TAMBÉM: Quer se atualizar do que está rolando no mercado? O Seu Dinheiro liberou como cortesia uma curadoria das notícias mais quentes; veja aqui

Qual será o impacto das tarifas dos EUA para os bancos brasileiros?

Embora os bancos brasileiros tenham uma exposição direta limitada ao crédito voltado para o comércio exterior, o aumento das tarifas de Trump pode afetar as condições operacionais para o setor. 

Isso porque, mesmo com a natureza de baixo risco de muitos novos empréstimos, os efeitos da inflação — impulsionada pelas novas tarifas dos EUA — devem forçar o Banco Central a manter a taxa Selic elevada por mais tempo, segundo a Moody’s.

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Esse cenário pode enfraquecer a qualidade e a lucratividade dos ativos dos bancos, de acordo com a agência de classificação de risco.

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Segundo as projeções, a pressão inflacionária seria intensificada pelas tarifas de importação, o que levaria ao aumento dos custos operacionais e ao risco de deterioração da qualidade do crédito.

Além disso, como os exportadores brasileiros devem enfrentar dificuldades adicionais com o aumento das tarifas, isso afetaria a concessão de novos empréstimos para clientes de setores mais vulneráveis às tarifas, como os produtores de café, celulose e carne bovina. 

A avaliação da Moody’s é que, com o mercado enfraquecido pela desaceleração nas exportações e os volumes de negócios reduzidos, as empresas devem ver um impacto sobre as receitas futuras. 

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“A natureza de baixo risco dos novos empréstimos protegeria sua qualidade. No entanto, a pressão inflacionária provavelmente obrigaria o Banco Central a manter os juros elevados por um longo período, o que prejudicaria a qualidade dos ativos dos bancos, uma vez que o endividamento das famílias já está em níveis elevados”, afirmou a agência.

Como as tarifas de Trump podem afetar o Banco do Brasil (BBAS3)

A Moody’s avalia que o Banco do Brasil (BBAS3) teria uma exposição mínima à nova tarifa de 50% imposta pelos EUA. 

A instituição financeira possui uma carteira de empréstimos rurais que soma R$ 366 bilhões (aproximadamente US$ 66 bilhões), e, dentro desse total, apenas 2,9% são direcionados a produtores de café e 0,3% a produtores de celulose. 

Já o setor de carne bovina, que representa 17% dos empréstimos agrícolas do BB, também não deve ser impactado pelas tarifas de Trump de forma significativa, segundo a Moody’s.

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Apesar dessa exposição limitada, a tendência geral é que os bancos brasileiros optem por reduzir o financiamento ao comércio exterior em 2025.

Vale lembrar que o alto endividamento e o aumento da inadimplência tornaram os bancos mais conservadores quanto à concessão de novos empréstimos ao consumidor, e altas taxas de juros prolongadas desencorajariam a atividade comercial. 

“As altas taxas de juros podem prejudicar a lucratividade dos credores nos próximos meses, à medida que os bancos reduzirem os empréstimos a famílias que já lutam para pagar suas dívidas em meio à inflação elevada e às taxas de juros altas”, afirmou a Moody’s.

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