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Bancos que avaliaram o negócio não tem uma posição unânime sobre o efeito da venda no caixa da empresa, mas são unânimes sobre a recomendação para o papel
A ação da Neoenergia (NEOE3) engatou forte alta nesta quarta-feira (23), sendo negociada a R$ 21,41 (+5,47%) — o maior valor intradia desde fevereiro de 2020. O avanço do papel encontrou respaldo em uma transação avaliada em R$ 127,5 milhões fechada no dia anterior com um fundo canadense.
O acordo firmado com o fundo Unique Power, controlado pela Warrington Investment, prevê a venda de 50% das novas ações da Neoenergia Transmissão — essas ações serão emitidas por meio de um aumento de capital.
O acerto prevê ainda a transferência da participação da Neoenergia na subsidiária Itabapoana e estabelece o controle conjunto com o Unique Power e a Warrington na Neoenergia Transmissão.
Com a conclusão da transação, o Unique Power vai atuar em parceria com a Warrington — ambas terão 50% da Neoenergia Transmissão, que continuará sendo co-controlada pela Neoenergia.
Para o Itaú BBA, a entrada limitada de caixa proveniente da venda do ativo e o fato de a Neoenergia já ter desconsolidado a dívida relacionada à transação resultarão em um efeito de desalavancagem mínimo.
“No entanto, elogiamos a disposição da empresa em reduzir sua alavancagem, que se encontra em 3,45x no quarto trimestre de 2024 — um nível abaixo de nossas projeções no momento de nossa última atualização, apesar de um cenário macroeconômico difícil”, diz equipe de analistas liderada por Fillipe Andrade.
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O BBA lembra ainda que a desconsolidação adicional dos projetos de transmissão em desenvolvimento, que serão transferidos para a holding de transmissão no âmbito da joint venture com o fundo canadense poderá acelerar ainda mais o processo de desalavancagem da Neoenergia.
Diante desse cenário, o banco manteve a recomendação de compra para a ação da Neoenergia, com preço-alvo de R$ 37,55 — o que representa um potencial de valorização de 79,3% em relação ao último fechamento.
Já a equipe de análises do Santander manteve uma visão positiva sobre a desalavancagem da Neoenergia e a relação estratégica com o fundo canadense.
Em relatório os analistas Andre Sampaio, Guilherme Lima e João Pedro Herrero, destacam que o negócio considera um patrimônio líquido de R$ 127,5 milhões para a participação e uma dívida de R$ 577 milhões.
O valor presente líquido estimado é de R$ 9 milhões para a Neoenergia e taxa interna de retorno (TIR) de 7,8% para o comprador, devido ao tamanho do negócio.
O Santander também tem recomendação de compra para a ação NEOE3, com preço-alvo de R$ 34,21 — o que representa um potencial de valorização de 68,5% sobre o último fechamento.
Na mesma linha, o Citi tem indicação de compra para as ações da Neoenergia. O preço-alvo é de R$ 34, o que representa um potencial de valorização de 67,49% em relação ao último fechamento.
Segundo o banco norte-americano, a venda de 50% de Itabapoana pela Neoenergia deve resultar em uma TIR real implícita de 9,5% — abaixo da taxa implícita atual de 13% da companhia.
“Em uma transação similar e recente, a Equatorial vendeu seu braço de transmissão com uma TIR real implícita de 8,5%”, comparam os analistas João Pimentel e Felipe Lenza.
A dupla recorda que, em outubro de 2024, a Neoenergia já havia reclassificado seu investimento na Itabapoana como um ativo mantido para venda, desconsolidando sua dívida líquida do balanço da empresa.
“Olhando para o futuro, linhas de transmissão adicionais poderiam ser monetizadas sob esta mesma parceria, apoiando a estratégia de reciclagem de capital da empresa”, dizem os analistas.
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