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NÃO É HORA DE APOSTAR CONTRA

A ação que pode virar ‘terror’ dos vendidos: veja o alerta do Itaú BBA sobre papel ‘odiado’ na B3

Apesar da pressão dos vendidos, o banco vê gatilhos de melhora para 2026 e 2027 e diz que shortear a ação agora pode ser um erro

Investidor diante de um gráfico vermelho de queda
Investidor diante de gráfico vermelho de queda - Imagem: Canvas Pro

As ações da Vamos (VAMO3) figuram entre as mais shorteadas da bolsa brasileira, com cerca de 25% do free float (papéis em circulação) alugado para operações vendidas. Em outras palavras, há grandes apostas na queda do preço do papel. E, embora as coisas não estejam nada animadoras para a empresa, o Itaú BBA não acha uma boa ideia entrar nessa onda.

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E um dos motivos é justamente esse: com tanta posição vendida, os analistas enxergam que parte relevante do movimento negativo que a companhia vive já pode estar no preço. Assim, o jogo para a ação pode estar perto de virar, o que levaria os vendidos a perder dinheiro caso não desfaçam suas posições.

  • Para todos ficarem na mesma página: uma posição vendida é quando o investidor aposta que a ação vai cair: ele aluga os papéis de outro investidor, vende no mercado pelo preço atual e, se a cotação recuar, recompra mais barato para devolver ao dono, ficando com a diferença como lucro.

A empresa de locação de veículos de carga e equipamentos pesados, parte do Grupo Simpar, já cai quase 25% no ano na bolsa de valores neste ano.

Queda na Selic pode virar o jogo para a Vamos, diz Itaú BBA

Além disso, o banco aponta que investidores têm buscado ações que sofreram com a disparada na Selic nos últimos anos e que podem se beneficiar de um movimento de queda na taxa básica de juros. Essa é a exata situação da Vamos, segundo o relatório do BBA.

Com dívida líquida de aproximadamente R$ 12 bilhões atrelada aos juros, o Itaú BBA projeta que cada redução de 1 ponto percentual na Selic média prevista para 2026 pode elevar o lucro da empresa em cerca de 20% — o que mudaria rapidamente a percepção do mercado.

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Cabe lembrar que boa parte do mercado espera que os cortes na taxa comecem já no início de 2026, com a Selic encerrando o próximo ano em 12,25%, segundo o Boletim Focus desta semana.

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O Itaú BBA acrescenta ainda que, dentro de alguns meses, as discussões sobre os fundamentos de 2027 devem ganhar força — e esse novo horizonte pode ser mais favorável para a companhia. Em um cenário mais normalizado, o banco estima lucro de R$ 704 milhões para 2027, um salto de 76% em relação ao previsto para 2026.

A recomendação para os papéis é de compra, com preço-alvo de R$ 5,50, alta potencial de 46,7% em relação ao fechamento da última sexta-feira (14).

Apesar de não ser hora de shortear…

Apesar de os analistas não acharem que é um bom momento para shortear os papéis da Vamos, o banco revisou para baixo as estimativas para a companhia depois do balanço do terceiro trimestre de 2025.

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“Em resumo, chegamos ao piso do guidance de lucro líquido para 2025, em R$ 303 milhões. Os resultados podem ter uma leve melhora trimestral no quarto trimestre, com a implementação de novos contratos, levando o lucro para R$ 62 milhões, enquanto as margens devem permanecer próximas às do terceiro trimestre”, diz o relatório.

Para 2026, os analistas reduziram em 3% as estimativas para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação), para R$ 3,8 bilhões, devido a margens menores no negócio de locação — o que deve registrar custos mais altos de preparação dos ativos para venda. 

“Também reduzimos a margem de Seminovos para 1% (antes 6%) e ajustamos a taxa de depreciação anualizada para 6,3%, ante os 5,6% observados no 3T25. No total, isso resultou em uma projeção de lucro de R$ 400 milhões, queda de 15% em relação à nossa estimativa anterior”, diz o banco.

O mau momento da Vamos

A Vamos enfrenta uma série de desafios. Um deles é a Selic, que pressiona o custo da dívida da companhia, hoje em torno dos R$ 12 bilhões. Além disso, a cadeia de grãos permanece sob pressão. 

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“Essa combinação gera obstáculos tanto para o negócio de locação da empresa (com nível ainda elevado de retomadas de ativos) quanto para o segmento de Seminovos (cerca de 40% dos R$ 2 bilhões em ativos disponíveis para venda foram retomados do setor de grãos, indicando falta de compradores marginais). Isso se traduz em um momento fraco para os resultados e em risco de revisões negativas no consenso”, diz o BBA em relatório.

O desafio da Vamos é duplo: o agronegócio enfrentou dificuldades para honrar os contratos de locação, o que levou às retomadas. Além disso, a demanda pelos ativos seminovos também está fraca devido aos problemas do setor.

Dos R$ 2 bilhões em ativos disponíveis para venda, cerca de R$ 900 milhões foram retomados diretamente do setor de grãos, e pouco menos de R$ 300 milhões correspondem a carretas específicas para grãos — o que limita ainda mais o universo de compradores marginais.

“Na nossa visão, isso pode gerar revisões negativas para 2026, seja por depreciação maior do que o previsto ou por margens mais fracas no segmento de Seminovos”, diz o banco.

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