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Patrick Fuentes

Patrick Fuentes

Jornalista formado pela ECA-USP, foi repórter de Economia na Folha de S.Paulo e na CNN Brasil. Atualmente, atua na cobertura de empresas no Seu Dinheiro.

É PARA COMPRAR

UBS BB considera que essa ação entrou nos anos dourados com tarifas de Trump como um “divisor de águas”

Importações desse segmento já estão sentindo o peso da guerra comercial — uma boa notícia para essa empresa que tem forte presença no mercado dos EUA

Patrick Fuentes
Patrick Fuentes
9 de junho de 2025
13:10 - atualizado às 16:02
Gerdau (GGBR4) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4)
Funcionários da Gerdau - Imagem: Divulgação

A Gerdau (GGBR4) deve entrar nos seus anos dourados, após o anúncio de tarifas que chegam a 50% sobre a importação de aço nos EUA — um “divisor de águas” para a empresa, segundo o UBS BB.  

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Segundo os analistas do banco suíço, o aumento das tarifas anunciado por Donald Trump deve reduzir a concorrência de produtos importados e aumentar as margens dos produtores nos EUA. Como tem forte presença em território norte-americano, a Gerdau deve se beneficiar do tarifaço

De olho nisso, o UBS BB melhorou a recomendação para as ações da Gerdau para compra — antes neutra —, com direito a novo preço-alvo para dezembro, que passou de R$ 22, ante R$ 17.

O banco suíço projeta que a Gerdau deve registrar R$ 13,2 bilhões de Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026, uma alta de 32% em relação às estimativas anteriores. No consenso do mercado, os números variam entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões.

Com menos investimentos previstos, o fluxo de caixa livre (FCF) da empresa deve crescer significativamente, de acordo com o UBS BB. A projeção é de rendimento do FCF de 12%, com possibilidade de retorno aos acionistas de até 17%, incluindo dividendos e recompra de ações.

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Por volta de 13h, as ações GGBR4 tinham alta de 6,71%, cotadas a R$ 17,82. No ano, os papéis acumulam queda de 0,39%. 

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No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,60%, aos 135.290,60 pontos. 

Negócio nos EUA é a viga de sustentação da Gerdau

A exportação do aço para os EUA já está sentindo o peso das tarifas, o que é uma boa notícia para a Gerdau, atualmente com 12% a 20% de penetração no mercado norte-americano, de acordo com os analistas do UBS BB.

A empresa já sente impacto positivo da guerra comercial, com uma carteira de pedidos superior a 80 dias, indicando aumento de participação de mercado.

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“A Gerdau já está registrando níveis mais fortes na sua carteira de pedidos à medida que começa a ganhar participação diante da redução nas importações de aço. Esperamos ao menos um repasse parcial para os preços, já que os níveis de paridade de importação para atingir o ponto de equilíbrio aumentam”, explicam os analistas Caio Greiner, Arthur Biscuola e Fernanda Sardinha em relatório.

Com o novo cenário, o UBS BB espera que a empresa tenha um aumento de US$ 60 (cerca de R$ 335) por tonelada nas margens metálicas.

No Brasil, destaca o banco suíço, dois projetos devem contribuir com R$ 1,5 bilhão em Ebitda no longo prazo: a mina de minério de ferro Miguel Burnier, com previsão de gerar R$ 1,1 bilhão, e a nova linha de produção de bobinas a quente em Ouro Branco, com R$ 400 milhões.

Espaço para endividamento e riscos no radar

A Gerdau negocia a um múltiplo de 3,3x o valor da firma sobre o Ebitda (EV/Ebitda)  para 2026, bem abaixo da média histórica e de pares nos EUA. 

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  • LEIA TAMBÉM: Ferramenta te mostra uma projeção de quanto é necessário investir mensalmente na previdência privada. Simule aqui

De acordo com o UBS BB, a administração estaria mais confortável em aumentar o endividamento de 0,5x para 1x Ebitda, abrindo espaço para retorno adicional aos acionistas via recompra de ações — diante do desconto que a gestão acredita existir no preço atual da ação.

Apesar do otimismo, o UBS alerta para três possíveis riscos:

  • Reversão da tarifa de 50% nos EUA;
  • Recessão nos EUA, sendo que o crescimento do consumo pode desacelerar ainda mais, pressionando demanda por aço;
  • Pressão sobre margens no Brasil, já que o mercado doméstico segue desafiador e sem expectativa de melhora no curto prazo.

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