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Na visão dos analistas, o BB pode colher ainda mais provisões no resultado devido a empréstimos problemáticos no agronegócio. Saiba o que esperar do resultado
Embora as expectativas já estejam baixas para o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no segundo trimestre de 2025, o JP Morgan teme que a realidade possa ser ainda pior do que o esperado pelos investidores.
Na visão dos analistas, o BB pode colher ainda mais provisões no resultado, com o banco sendo forçado a aumentar significativamente as despesas com calotes devido a empréstimos problemáticos no agronegócio.
A previsão do banco é de provisões líquidas de R$ 13 bilhões no 2T25, um aumento de 70% em relação ao ano passado e de 31% em comparação ao trimestre anterior.
Para o JP Morgan, o principal desafio está no impacto do ciclo de crédito mais complicado, que pode se estender por um longo período, especialmente no agronegócio, onde a alta de renegociações e refinanciamentos pode pesar no resultado.
“Mais do que apontar para um 2T25 ou 3T25 desafiador, nossa mensagem é que os ciclos de crédito no Brasil podem ser longos”, afirmou o JP Morgan.
O que realmente preocupa os analistas do JP Morgan é a migração de empréstimos para estágios de maior risco, conforme a nova resolução 4.966 do Banco Central. Você confere aqui todos os detalhes sobre a resolução que estremeceu as provisões dos bancos e custou ao BB quase R$ 1 bilhão no 1T25.
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Basicamente, quando os créditos com mais de 30 dias de atraso passam para o Estágio 2, as provisões aumentam.
E se a inadimplência antecipada também se transformar em NPLs (créditos inadimplentes) com mais de 90 dias, a pressão sobre as provisões aumenta ainda mais.
No caso do Banco do Brasil, o JP Morgan prevê que isso ocorrerá no 3T25, pressionando ainda mais o balanço.
Nesse cenário, as provisões do BB para o agronegócio poderiam saltar aproximadamente 20% frente ao primeiro trimestre de 2025, para R$ 6 bilhões.
Em termos de impacto para o lucro e rentabilidade, as projeções para o Banco do Brasil não são animadoras.
Com o agravamento do ciclo de crédito agrícola e o impacto sobre pequenos e médios empreendedores, o banco reduziu suas previsões de lucro líquido.
Para o 2T25, a expectativa é de um lucro líquido de R$ 4,9 bilhões. Já para o 3T25, a estimativa é de R$ 6 bilhões.
Apesar de uma leve melhoria na margem de juros, o custo do risco vai continuar pressionando a rentabilidade.
Mesmo com uma leve melhoria na margem financeira, o custo do risco ainda vai continuar a pressionar a rentabilidade do banco, de acordo com o JP Morgan.
Com isso, os analistas preveem uma rentabilidade ajustada (ROE) de 14% para o ano de 2025, com uma recuperação gradual nos anos seguintes, à medida que o ciclo do agronegócio se normalize.
Na visão do JP Morgan, embora o valuation já tenha se ajustado ao cenário desafiador, o JP Morgan acredita que o mercado ainda pode revisar outra vez suas expectativas.
É por isso que os analistas continuaram com recomendação neutra para as ações BBAS3.
No entanto, o banco norte-americano cortou o preço-alvo da ação para o final de 2026, de R$ 28 para R$ 26. Apesar da redução, a cifra ainda implica uma valorização de 24% nos próximos 18 meses.
Para os analistas, o Banco do Brasil continua sendo uma boa opção para um “trade de eleições”, mas os resultados mais significativos só devem surgir à medida que as eleições de 2026 se aproximem.
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