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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

UMA AÇÃO PARA CARREGAR?

Por que o BTG acha que RD Saúde (RADL3) é uma das maiores histórias de sucesso do varejo brasileiro em 20 anos — e o que esperar para 2026

Para os analistas, a RADL3 é o “compounder perfeito”; entenda como expansão, tecnologia e medicamentos GLP-1 devem fortalecer a empresa nos próximos anos

Camille Lima
Camille Lima
2 de dezembro de 2025
19:20 - atualizado às 17:00
Fachada da Raia, da RD Saúde (RADL3).
Fachada da Raia, da RD Saúde (RADL3). - Imagem: Divulgação

No varejo brasileiro — um setor acostumado a conviver com volatilidade, competição acirrada e margens cada vez mais pressionadas — poucas empresas conseguiram construir uma trajetória tão consistente quanto a RD Saúde (RADL3), na visão do BTG Pactual. Para o banco, a rede de farmácias é uma das grandes vencedoras dos últimos 20 anos.

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A tese central do BTG é que a RD se transformou em um “compounder clássico”, desses que conseguem entregar crescimento consistente ano após ano, sustentado por estratégia, eficiência operacional e disciplina na execução.

Mais do que isso: o ciclo de expansão que sustenta o apetite dos investidores por RADL3 ainda está longe de se esgotar.

“A RD é vista cada vez mais como um ‘safe compounder’ para investidores estrangeiros e como uma das principais teses compradas no mercado brasileiro”, disse o BTG. 

Na avaliação dos analistas, a RD Saúde não apenas atravessou com habilidade os ciclos de consumo mais difíceis, como também abriu caminho para uma nova fase de expansão a partir de 2026.

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A fórmula, segundo o BTG, está ancorada em três pilares: uma abordagem multicanal robusta, expansão física consistente e rentável; o fortalecimento das categorias de maior margem; e o uso intensivo de tecnologia para ampliar o valor de cada cliente ao longo do tempo (lifetime value)

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Expansão agressiva — e ainda com muito espaço para avançar 

A presença da RD hoje é privilegiada: são lojas em 653 cidades, quase sempre posicionadas a poucos quilômetros da casa dos consumidores.  

Ainda assim, o mapa está longe de estar completo. A empresa identifica “áreas brancas” em grandes centros e municípios menores onde a expansão continua economicamente viável. 

Mas, para o BTG, é o retorno dessas aberturas que chama a atenção. O retorno interno (IRR) das novas lojas, que historicamente orbitava 20%, saltou para mais de 25% nos últimos três anos. Isso reforça que o ciclo de aberturas não está apenas ativo — está mais rentável do que antes. 

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Para 2026, a previsão é de mais 330 a 350 inaugurações, mantendo um ritmo de expansão que poucas varejistas conseguiram sustentar com tanta rentabilidade por tanto tempo. 

Os motores de margem da RD Saúde 

Se a expansão física é a base, as categorias de beleza e marca própria são o combustível que turbina a margem bruta.  

Para os analistas, é aqui que a RD construiu uma vantagem estrutural. Segundo o BTG, essas verticais seguem com fundamentos crescentes, reforçando a força da RD em categorias com margens superiores e maior fidelização.   

Esse movimento ainda tem novas camadas para 2026. Para o BTG, essa é uma avenida de margem que seguirá crescendo — especialmente porque a linha própria de medicamentos OTC (que não precisam de receita) tende a ganhar relevância e escalar rapidamente no próximo ciclo. 

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"Um novo formato físico premiumizado em beleza e bem-estar, previsto para o segundo semestre de 2026, deve aprofundar barreiras competitivas e reforçar a diferenciação omnicanal da RD”, projetam os analistas. 

Ameaça do e-commerce mais controlada — por enquanto 

O avanço de plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee no mercado de higiene e cosméticos (HPC) chegou a gerar apreensão no setor no início de 2025.  

A categoria, que representa cerca de 25% das vendas da RD Saúde (RADL3), de fato enfrentou pressão de preços e de conveniência. 

Mas a fotografia começou a mudar. Nos dois últimos trimestres, as margens de HPC estabilizaram e as vendas voltaram a crescer. Para o BTG, isso indica que o risco competitivo não desapareceu, mas passou a ser mais controlável. Dois fatores explicam essa “estabilização competitiva”:  

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  1. Parcerias mais estreitas com a indústria; e
  1. Uso da capilaridade da rede física para entregar conveniência e rapidez, que o e-commerce por si só não conseguiria replicar. 

A RD, segundo o banco, encontrou um ponto de equilíbrio entre competir no digital e preservar margem no físico. 

Logística e IA: a nova vantagem competitiva da RD 

Além disso, o BTG avalia que a RD Saúde (RADL3) não é mais apenas uma empresa de varejo: está também virando uma companhia de tecnologia e logística. Esse ponto, para os analistas, é fundamental. 

Hoje, são 15 centros de distribuição espalhados pelo país, com mais dois previstos para 2026, além de uma frota sustentável de 60 caminhões elétricos.  

Cada nova unidade melhora a eficiência da malha, construindo uma cadeia de suprimentos robusta e de baixa latência para o varejo omnichannel

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Do lado digital, são mais de 100 casos de uso de IA já implementados — de previsão de demanda a sistemas que resolvem automaticamente 80% das demandas internas. Essa eficiência operacional deve continuar reduzindo custos e elevando margens. 

“Canetas do emagrecimento”: a próxima grande avenida de crescimento da RD Saúde 

Nos últimos anos, um fenômeno recente do varejo farmacêutico global ganhou força no Brasil: as chamadas “canetas do emagrecimento”, medicamentos que replicam o GLP-1, como o Ozempic.  

A RD já obtém cerca de 9% de suas vendas desse segmento — e, na visão do BTG, isso é apenas o começo. O banco projeta que o mercado brasileiro de GLP-1 movimentará R$ 9 bilhões em 2026, impulsionado por novos pacientes e pela entrada dos genéricos.  

Com escala logística e capilaridade física, a RD deve capturar uma participação expressiva desse salto, segundo os analistas. 

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“Combinado à expansão omnichannel e ao alto engajamento digital, esse motor deve sustentar crescimento de receita em ‘mid-teens’ [duplo dígito médio] e recuperação consistente de margens a partir de 2026”, prevê o BTG. 

2026: previsibilidade, margens mais equilibradas e um novo ciclo de lucros 

Apesar dos ventos contrários — como a concorrência e a pressão das vendas digitais —, o BTG acredita que 2026 tende a ser um ano de lucros mais previsíveis para a RD Saúde (RADL3).

A expectativa do banco para o ano que vem é de vendas acima da inflação, margens mais estáveis, maior diluição de despesas, e uma contribuição crescente das canetas e dos genéricos. 

Na avaliação do BTG, embora a ação RADL3 já negocie a múltiplos elevados, de cerca de 25 vezes os lucros estimados para 2026, o valuation é coerente com a trajetória de compounder da companhia.

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"Não há dúvida de que a companhia foi uma das histórias de maior sucesso entre os varejistas brasileiros nos últimos 20 anos, construindo os pilares típicos de um compounder: sólido pipeline de expansão, roteiro completo de investimentos no canal online e retorno crescente", disse o banco.

Para os analistas, a recuperação do crescimento acima da inflação e margens mais equilibradas nos últimos dois trimestres "reforçam os pilares sustentáveis da tese" e mantêm a visão positiva de longo prazo para as ações da RD Saúde.

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