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A política tarifária do republicano pode facilmente sair pela culatra se acelerar a inflação e reduzir o crescimento, mas o mercado viu as medidas desta quinta-feira (13) com outros olhos
Promessa é dívida e o presidente norte-americano, Donald Trump, tem honrado seus compromissos de campanha. Só que nesta quinta-feira (13) a história não foi bem assim. O republicano assinou decreto sobre as tarifas recíprocas — uma medida com potencial inflacionário —, mas ainda assim a bolsa de Nova York acelerou os ganhos.
Na sessão anterior, um dado de inflação acima do previsto derrubou os principais índices de ações em Wall Street, afastando ainda mais as chances de cortes de juros nos EUA este ano. Então como uma medida com potencial de alimentar a espiral de preços altos por lá fez o Dow Jones renovar máxima intradia e disparar 350 pontos?
A resposta está nas entrelinhas do que Trump assinou. Ao invés de um decreto determinando que os EUA imponham imediatamente taxas iguais às que recebe de outros parceiros comerciais, o presidente norte-americano assinou um memorando presidencial para examinar as tarifas recíprocas sobre nações estrangeiras.
O fato de Trump não ter implementado nenhuma taxa após provocar mudanças na política comercial norte-americana trouxe alívio para o mercado.
Engana-se, no entanto, quem acha que Trump recuou ao não implementar imediatamente as prometidas tarifas recíprocas.
A estratégia do republicano é dar tempo para que os países negociem novos termos comerciais com os EUA, segundo um membro da Casa Branca ouvido pela Associated Press.
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Os EUA têm atualmente uma taxa média ponderada de tarifas de importação de 2% sobre produtos industriais, de acordo com dados do Representante de Comércio dos EUA.
Em declarações no Salão Oval da Casa Branca durante a assinatura do memorando, Trump disse que decidiu, para fins de justiça, que cobrará tarifas recíprocas.
“É justo para todos. Nenhum outro país pode reclamar”, afirmou.
O republicano insistiu que as novas tarifas nivelariam o campo de jogo entre os fabricantes norte-americanos e os concorrentes estrangeiros, embora essas novas taxas provavelmente sejam pagos pelos consumidores e empresas dos EUA, diretamente ou na forma de preços mais altos.
O problema é que a política de tarifas pode facilmente sair pela culatra se a agenda de Trump acelerar a inflação e reduzir o crescimento — uma aposta arriscada para um presidente ansioso para colocar os EUA no que chamou de era de ouro.
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