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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

VISÃO DO GESTOR

O Ibovespa está barato? Este gestor discorda e prevê um 2025 morno; conheça as 6 ações em que ele aposta na bolsa brasileira agora

Ao Seu Dinheiro, o gestor de ações da Neo Investimentos, Matheus Tarzia, revelou as perspectivas para a bolsa brasileira e abriu as principais apostas em ações

Camille Lima
Camille Lima
9 de julho de 2025
6:08 - atualizado às 11:36
Matheus Tarzia, gestor de ações da Neo Investimentos.
Matheus Tarzia, gestor de ações da Neo Investimentos. - Imagem: Divulgação

Nos corredores da Faria Lima, o papo entre investidores tem sido o mesmo há meses: a bolsa brasileira está barata. O Ibovespa se encontra abaixo dos patamares históricos, mas será que isso realmente faz com que a bolsa seja uma grande oportunidade agora? Para Matheus Tarzia, sócio e gestor de ações da Neo Investimentos, a resposta não é tão simples.

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Há meses, o Ibovespa tem negociado com múltiplos baixos — a relação preço/lucro (P/L) atualmente gira em torno de 8 a 9 vezes, enquanto a média histórica é de 12 vezes. 

Esse cenário torna a bolsa brasileira aparentemente atraente para quem acredita que os preços estão muito abaixo do seu valor justo. 

No entanto, o gestor da Neo — gestora que administra hoje mais de R$ 4 bilhões em ativos — avalia que essa visão não é suficiente para garantir que a bolsa está, de fato, barata. 

“O múltiplo está baixo em termos absolutos, mas ele não está barato. Porque o múltiplo reflete a situação atual do país, com custo de capital altíssimo no Brasil e grau elevado de incerteza. Na verdade, esse é um valor mais ou menos justo para a bolsa brasileira”, disse, em entrevista ao Seu Dinheiro.

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Por que a bolsa brasileira não está barata?

Embora o valuation da bolsa brasileira esteja abaixo da média histórica, o gestor enfatiza que "há uma razão para estar assim": a combinação de juros elevados e um cenário de incerteza política e econômica.

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“Eu vejo que está todo mundo comprado em bolsa, mas ninguém está tão otimista assim — e nem dá para ficar, quando você analisa o que está acontecendo dentro e fora do Brasil”, disse o gestor.

Internamente, a situação fiscal é uma grande preocupação, com debates em torno da isenção de imposto de renda e a dificuldade de cumprir as metas de déficit primário em 2026. 

Fora isso, a proximidade das eleições de 2026 traz volatilidade adicional, com o mercado reagindo às pesquisas de intenção de voto e à incerteza sobre as futuras políticas econômicas.

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Além dos desafios internos, Tarzia observa que o cenário global também está longe de ser um mar de rosas. 

A saída de capital dos Estados Unidos — que beneficiou o Brasil nos primeiros meses do ano — é um reflexo de um cenário mais instável.

“Esse aumento de incerteza foi um trigger importante para a saída de fluxo de dinheiro dos EUA. As dúvidas sobre como o cenário tarifário se desenvolverá continuam pesando no cenário global”, disse.

O que esperar da bolsa brasileira em 2025?

No curto prazo, Tarzia afirma que o mercado vai continuar volátil, passando por uma “fase de acomodação” até o final de 2025. 

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Ele projeta uma valorização tímida da bolsa, sem grandes surpresas, mas acredita que o cenário global e local vão continuar desafiando os investidores a cada passo.

No médio e longo prazo, o gestor da Neo vê uma oportunidade de reprecificação na bolsa brasileira. Ele acredita que há três possíveis catalisadores para esse movimento.

1 - Selic em queda melhora o apetite por risco

O primeiro é o fim do ciclo de alta de juros, o que poderia resultar em uma mudança nos fluxos de capital, com os investidores migrando da renda fixa para ações. 

A previsão da Neo Investimentos é que a Selic se mantenha em 15% ao ano até o final de 2025, com quatro cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do segundo semestre de 2026.

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2 - Otimismo com eleições começa a fazer preço na bolsa brasileira

O segundo fator relevante citado pelo gestor é a potencial mudança de governo no Brasil, que deve começar a fazer preço nas ações nos próximos meses. 

No entanto, a valorização mais expressiva da bolsa brasileira, segundo Tarzia, só deve ocorrer em 2026, quando os cortes de juros se tornarem mais concretos.

3 - Realocação de investimentos estrangeiros para mercados emergentes

Outro vetor positivo para as ações locais é a continuação da vinda de dinheiro estrangeiro para o Brasil (e outros mercados emergentes). 

O gestor acredita que o que saiu dos EUA “ainda é muito pouco", visto que boa parte dos investidores estavam “sobrecomprados” no mercado americano.

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Para Tarzia, a bolsa brasileira se beneficiará dessa realocação, considerando seu pequeno tamanho no mercado global, com menos de 0,7% do valor de mercado global, enquanto os EUA representam cerca de 70%.

“Os investidores estrangeiros, com uma estratégia de longo prazo, veem o mercado de forma diferente. Eles conseguem olhar além e esperar que as coisas voltem ao normal, que os juros caiam e a inflação se estabilize. Isso levará a um custo de capital mais baixo e ao retorno dos múltiplos aos níveis históricos”, acrescentou Tarzia.

A carteira de ações da Neo: onde investir na bolsa brasileira

Diante desse cenário, a estratégia da Neo Investimentos é focar em empresas resilientes, com teses sólidas e que tenham capacidade de gerar valor no longo prazo, mesmo em tempos difíceis.

As quatro maiores posições do portfólio são:

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  • Cury (CURY3): Empresa de construção ligada ao segmento de baixa renda (Minha Casa, Minha Vida), beneficiada por demanda crônica e constante por habitação e pelo crédito subsidiado mais estável;
  • Equatorial (EQTL3): Companhia do setor de utilities, mais defensiva por fundamento, com disciplina e boa alocação de capital; 
  • Porto Seguro (PSSA3): Seguradora que se beneficia de juros altos e com grande potencial de geração de valor devido ao desenvolvimento de novas linhas de negócios;
  • Vivo (VIVT3): Empresa com fluxo de caixa constante e crescente, com posição estratégica no setor de telecomunicações, oferecendo mais segurança para a carteira.

Embora a maioria das empresas na carteira da Neo esteja mais ligada ao doméstico, o gestor também revelou exposição a empresas com atuação global, como a WEG (WEGE3) e a Prio (PRIO3).

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