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A política monetária, com o início do ciclo de cortes da Selic, é um dos gatilhos para o Ibovespa manter o sprint em 2026, mas não é o único; calculamos até onde o índice pode chegar e explicamos o que o trouxe até aqui
Ainda faltam 27 dias para a São Silvestre, mas o Ibovespa já vive a sua própria maratona. O principal índice da bolsa brasileira voltou a romper mais uma marca inédita: nesta quinta-feira (4) fechou aos 164.468,14 pontos, uma alta de 1,68%. Para especialistas, no entanto, essa é só a largada.
A média das projeções colhidas pelo Seu Dinheiro mostra que o Ibovespa pode tocar os 200 mil pontos em 2026 e, se a política fiscal, a política monetária e as eleições não pesarem no índice, os 300 mil pontos podem ser uma realidade em 2027.
A XP Investimentos, por exemplo, elevou a projeção para o Ibovespa ao final de 2026, de 170 mil para 185 mil pontos, diante do início da queda das taxas de juros reais de longo prazo e a expectativa de nova expansão de múltiplos no ano que vem.
"Vemos um valuation ainda atrativo, negociando a 9,3 P/L [preço sobre lucro] projetado", dizem os analistas Fernando Ferreira, Felipe Veiga, Raphael Figueredo e Lucas Rosa.
Já o JP Morgan vê o Ibovespa em 190 mil pontos, o que representa um potencial salto de 18% sobre os níveis atuais. Segundo o banco, o afrouxamento da política monetária deve ser um dos gatilhos para altas no mercado brasileiro no próximo ano.
Nas contas do JP Morgan, o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes na Selic em março com redução de 0,50 ponto percentual, mas não descarta uma redução dos juros já em janeiro.
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Os economistas, por sua vez, estimam redução de 3,50 a 4,00 pontos percentual na taxa de juros ao longo de 2026, o que levaria a Selic a encerrar o ano em 11%— próximo da estimativa do mercado de 12% ao ano, segundo o mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (1).
Vale lembrar que o sprint do Ibovespa rumo ao topo ganhou força no começo de novembro, quando alcançou uma sequência de 15 altas e de 12 recordes que o alçaria então a máximas históricas.
O índice terminou o mês passado com 6,37% de ganho acumulado, no melhor mês desde agosto de 2024. Nos quatro primeiros dias de dezembro, o avanço é de 3,38%. No ano, chega a 36,72%.
Para o Morgan Stanley, a bolsa brasileira disparou mais por fatores globais do que por motivos locais. Segundo o banco, o fluxo de capital migrou por causa da guerra comercial que se intensificou no dia 2 de abril de 2025, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas para boa parte do mundo.
“Esse pontapé inicial causou a migração de US$ 4 bilhões em fluxos globais. Esse montante fez a entrada e saída de capital estrangeiro deixar o campo negativo e ir para o positivo em 2025”, disse Nikolaj Lippmann, estrategista de ações para a América Latina no Morgan Stanley.
Já a Bradesco Asset, que prevê uma alta de 20% para o Ibovespa em 2026, diz que o movimento começou bem antes de abril deste ano, quando o risco fiscal e o dólar forte observados no fim de 2024, junto com uma bolsa deteriorada e juros brasileiros elevados, abriram uma janela de oportunidade para o estrangeiro buscar retornos mais elevados no País.
Na avaliação do JPMorgan, 2026 tem tudo para ser um ano favorável para as alocações em países emergentes, mas no Brasil "o resultado da eleição importa".
O banco tem recomendação overweight (equivalente à compra) para o mercado de ações brasileiro, embora alerte que que o cenário do ano que vem será "binário".
“Um ambiente de taxas de juros mais baixas não irá perdurar se a política fiscal, a partir de 2027, não representar uma completa ruptura com relação ao que ocorreu nos últimos três anos”, afirmam os estrategistas de mercados emergentes Rajiv Batra, Emy Cherman, Anindita Gandhi e David Aserkoff.
No mês passado, Rogério Xavier disse que a eleição de 2026 refletirá o formato "cara ou coroa", que tem caracterizado a polarização política desde 2018.
Na ocasião, o sócio da SPX afirmou que uma eventual vitória presidencial em 2026 de um possível candidato como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, resultaria em uma "explosão" positiva para os preços dos ativos.
Em um cenário de mudança de política econômica, o ASA projeta que o Ibovespa pode alcançar os 300 mil pontos até 2027.
Mas, segundo o head de investimentos Rogerio Freitas, as eleições presidenciais do ano que vem podem interromper esse rali. Isso porque, o “calcanhar de Aquiles” do Brasil é o crescimento do gasto público, um dos pilares da gestão do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Em um cenário de alternância de governo, a consequência seria uma política monetária mais ‘civilizada’”, disse Freitas.
Em um cenário positivo, os ativos seriam impulsionados pela redução da taxa de juros real, que poderia cair entre cinco e seis pontos percentuais, na visão do especialista.
Para Freitas, essa queda faria com que ativos de longa duração, como a bolsa brasileira e os títulos NTN-B longos, atrelados à inflação, se valorizassem.
*Com informações do Money Times e do Estadão Conteúdo
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