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Levantamento do banco mostra que 23 empresas já anunciaram valor ordinários e extraordinários antes da nova tributação
Desde o início de novembro, as empresas brasileiras listadas em bolsa anunciaram o pagamento de R$ 68 bilhões em dividendos. Desse montante, analistas do BTG Pactual identificaram que pelo menos R$ 35,7 bilhões são dividendos extraordinários.
Embora os outros R$ 33,1 bilhões possam ser considerados pelas empresas como parte de seus programas de pagamento de dividendos ordinários, os analistas do banco acreditam que provavelmente foram antecipados para evitar a nova tributação.
A alíquota de 10% de imposto de renda sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais, pagos por uma mesma empresa a um único CPF, começará a valer em 1º de janeiro de 2026.
No entanto, a nova lei estabelece que os dividendos declarados em 2025, com base nos lucros obtidos neste ano e nos anos anteriores — ou seja, incluindo lucros acumulados e reservas de lucros — ainda se enquadrarão na regra anterior e não estarão sujeitos ao novo imposto.
Isso explica a corrida das companhias listadas em aprovar a distribuição de dividendos, ordinários ou extraordinários, antes de fechar o balanço do ano.
Para os analistas do BTG, as empresas imobiliárias são o destaque absoluto em anúncios até aqui. Seis empresas já anunciaram dividendos extraordinários:
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Embora os valores não sejam bilionários, os analistas os apontam como notáveis em relação ao preço das ações dessas companhias. No caso da Even e da Lavvi, os anúncios equivalem a yields de 9,6% e 8,9% no ano, respectivamente.
Além disso, as blue chips — gigantes da bolsa — anunciaram valores bilionários de proventos.
Ao todo, 23 empresas já anunciaram pagamento de dividendos neste quarto trimestre. No entanto, os analistas do BTG acreditam que há muito mais por vir.
As empresas brasileiras sob cobertura do banco tinham R$ 548 bilhões em lucros acumulados e reservas de lucros no final do terceiro trimestre de 2025.
“Naturalmente, nem todo esse dinheiro será pago, mas nos parece que há muito mais por vir nas próximas semanas”, diz o relatório.
Os analistas listaram 20 empresas como as mais prováveis de pagar volumes consideráveis de dividendos em antecipação a tributação. Dessa lista, algumas já anunciaram, casos de Eztec, Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Gerdau (GGBR4), Axia, Lavvi, Marcopolo (POMO4) e Blau (BLAU3).
Entre os que não anunciaram ainda, mas têm chances altas na visão do banco estão: Direcional (DIRR3), Cyrela (CYRE3), Copel (CPLE6), Energisa (ENGI11), Isa Energia (ISAE4), Unifique (FIQE3), Ambev (ABEV3) e Usiminas (USIM5).
O levantamento do banco mostra quanto essas empresas têm em caixa e podem reverter em distribuição aos acionistas. Os maiores valores são de:
Para efeito comparativo, de acordo com o levantamento, a WEG tinha R$ 7,5 bilhões disponíveis para distribuição e anunciou R$ 7,1 bilhões. A Vale tinha R$ 15,6 bilhões e anunciou R$ 15,3 bilhões.
Os analistas ponderam que nem todo o valor em caixa das empresas deve retornar na forma de dividendos. Parte do dinheiro deve abastecer a bolsa na forma de recompra de ações.
“Naturalmente, não sabemos para onde todo esse dinheiro irá, mas seria razoável supor que parte dele será realocado no mercado acionário local, ajudando a sustentar o valuation e o bom momento das ações locais”, diz o relatório.
Também é importante ter em mente que as empresas têm três anos para pagar (entre 2026 e 2028), o que pode diluir o impacto dos anúncios e das recompras.
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