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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

BOLSOS CHEIOS

Empresas listadas já anunciaram R$ 68 bilhões em dividendos do quarto trimestre — e há muito mais por vir; BTG aposta em 8 nomes

Levantamento do banco mostra que 23 empresas já anunciaram valor ordinários e extraordinários antes da nova tributação

Monique Lima
Monique Lima
4 de dezembro de 2025
12:15 - atualizado às 11:58
ação dividendos vaca leiteira
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Desde o início de novembro, as empresas brasileiras listadas em bolsa anunciaram o pagamento de R$ 68 bilhões em dividendos. Desse montante, analistas do BTG Pactual identificaram que pelo menos R$ 35,7 bilhões são dividendos extraordinários.  

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Embora os outros R$ 33,1 bilhões possam ser considerados pelas empresas como parte de seus programas de pagamento de dividendos ordinários, os analistas do banco acreditam que provavelmente foram antecipados para evitar a nova tributação

A alíquota de 10% de imposto de renda sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais, pagos por uma mesma empresa a um único CPF, começará a valer em 1º de janeiro de 2026.  

No entanto, a nova lei estabelece que os dividendos declarados em 2025, com base nos lucros obtidos neste ano e nos anos anteriores — ou seja, incluindo lucros acumulados e reservas de lucros — ainda se enquadrarão na regra anterior e não estarão sujeitos ao novo imposto. 

Isso explica a corrida das companhias listadas em aprovar a distribuição de dividendos, ordinários ou extraordinários, antes de fechar o balanço do ano.  

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Dividendos anunciados até aqui...  

Para os analistas do BTG, as empresas imobiliárias são o destaque absoluto em anúncios até aqui. Seis empresas já anunciaram dividendos extraordinários:  

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  • Lavvi (LAVV3): R$ 275 milhões;  
  • Cury (CURY3): R$ 250 milhões; 
  • Eztec (EZTC3): R$ 220 milhões; 
  • Even (EVEN3): R$ 150 milhões; 
  • Trisul (TRIS3): R$ 100 milhões; 
  • Allos (ALOS3): R$ 96 milhões.  

Embora os valores não sejam bilionários, os analistas os apontam como notáveis em relação ao preço das ações dessas companhias. No caso da Even e da Lavvi, os anúncios equivalem a yields de 9,6% e 8,9% no ano, respectivamente.  

Além disso, as blue chips — gigantes da bolsa — anunciaram valores bilionários de proventos.  

  • Itaú (ITUB4): R$ 23,4 bilhões; 
  • Vale (VALE3): R$ 15,3 bilhões;  
  • Petrobras (PETR4): R$ 12,16 bilhões; 
  • WEG (WEGE3): R$ 7,1 bilhões; 
  • Axia (AXIA3): R$ 4,3 bilhões.  

... e há mais por vir  

Ao todo, 23 empresas já anunciaram pagamento de dividendos neste quarto trimestre. No entanto, os analistas do BTG acreditam que há muito mais por vir.  

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As empresas brasileiras sob cobertura do banco tinham R$ 548 bilhões em lucros acumulados e reservas de lucros no final do terceiro trimestre de 2025.  

“Naturalmente, nem todo esse dinheiro será pago, mas nos parece que há muito mais por vir nas próximas semanas”, diz o relatório. 

Os analistas listaram 20 empresas como as mais prováveis de pagar volumes consideráveis de dividendos em antecipação a tributação. Dessa lista, algumas já anunciaram, casos de Eztec, Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Gerdau (GGBR4), Axia, Lavvi, Marcopolo (POMO4) e Blau (BLAU3). 

Entre os que não anunciaram ainda, mas têm chances altas na visão do banco estão: Direcional (DIRR3), Cyrela (CYRE3), Copel (CPLE6), Energisa (ENGI11), Isa Energia (ISAE4), Unifique (FIQE3), Ambev (ABEV3) e Usiminas (USIM5)

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O levantamento do banco mostra quanto essas empresas têm em caixa e podem reverter em distribuição aos acionistas. Os maiores valores são de:  

  • Ambev: R$ 39,95 bilhões;  
  • Isa Energia: R$ 16,17 bilhões; 
  • Copel: R$ 10,62 bilhões;  
  • Usiminas: R$ 10,19 bilhões; 
  • Energisa: R$ 8,33 bilhões.  

Para efeito comparativo, de acordo com o levantamento, a WEG tinha R$ 7,5 bilhões disponíveis para distribuição e anunciou R$ 7,1 bilhões. A Vale tinha R$ 15,6 bilhões e anunciou R$ 15,3 bilhões. 

LEIA TAMBÉM: Quem vai pagar 10% de IR sobre dividendos em 2026? Além de herdeiros e grandes empresários, há mais profissionais na mira do Leão

Outra forma de remunerar 

Os analistas ponderam que nem todo o valor em caixa das empresas deve retornar na forma de dividendos. Parte do dinheiro deve abastecer a bolsa na forma de recompra de ações.  

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“Naturalmente, não sabemos para onde todo esse dinheiro irá, mas seria razoável supor que parte dele será realocado no mercado acionário local, ajudando a sustentar o valuation e o bom momento das ações locais”, diz o relatório.  

Também é importante ter em mente que as empresas têm três anos para pagar (entre 2026 e 2028), o que pode diluir o impacto dos anúncios e das recompras.

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