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Tensões entre Brasil e EUA, retomada do decreto do IOF pelo Supremo e dados econômicos mexeram com o Ibovespa, que fechou a semana com queda de 2%, a 133 mil pontos
Quem piscou perdeu pelo menos umas três notícias relevantes nesta semana. Entre diplomacia internacional, tributação local e dados econômicos, os mercados tiveram dias cheios para repercutir nas negociações no Ibovespa.
Ao final de sexta-feira (18), o saldo do principal índice de ações da B3 fechou em queda de 2,1%, aos 133.382 pontos. Já o dólar à vista voltou a encostar em R$ 5,60 e terminou a R$ 5,5876, após valorização de 0,72% na semana.
Para a próxima semana, os investidores terão um calendário cheio de indicadores para ficar de olho: decisões de juros na Zona do Euro e na China, IPCA-15 de julho e confiança do consumidor.
A temporada de balanços do segundo trimestre também está no radar. Nos EUA, Tesla (TSLA34), Alphabet (GOGL34), Coca-Cola (COCA34) e Intel (ITLC34) devem apresentar seus resultados.
No Brasil, Weg (WEGE3), Multiplan (MULT3) e Usiminas (USIM5) iniciam as divulgações.
Além disso, nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, irá discursar na terça-feira (22). A fala é bastante aguardada, em meio às ameaças de demissão do Donald Trump e a incerteza em relação ao início do corte de juros no país.
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Enquanto tudo isso fica na esteira das expectativas, vamos aos destaques da semana anterior que mexeram com o Ibovespa.
O cenário político continua no centro das atenções. As tensões entre Brasil e EUA escalaram ao longo da semana, sem avanços significativos nas negociações.
Até o momento, tudo indica que as tarifas de importação de 50% sobre os produtos brasileiros entrarão em vigor no dia 1º de agosto.
Na sexta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de ordenar uma busca e apreensão da Polícia Federal e algumas restrições.
Analistas políticos ponderam que as medidas podem dificultar ainda mais o avanço das negociações, visto que Trump deixou clara suas intenções de ajudar seu aliado político.
Segundo a XP, este acirramento político provavelmente contribuiu para o desempenho negativo dos ativos brasileiros no dia, com o Ibovespa recuando 1,6% na sexta e o dólar subindo 0,6%.
A decisão do STF de validar o decreto do governo Lula que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também mexeu com as ações. As operações de risco sacado ficaram de fora, mas a leitura geral ainda é de encarecimento do crédito.
Em relação aos dados econômicos, o IBC-Br de maio veio abaixo das expectativas, com recuo de 0,74%. O resultado reforçou os sinais de desaceleração da atividade no segundo trimestre, o que pode ser positivo para a inflação.
A relação Brasil - EUA está difícil, mas as tensões com outros países não estão muito melhores. Os EUA adiaram para 1º de agosto a nova rodada de tarifas por reciprocidade, e notificaram pelo menos 50 países — incluindo União Europeia, Canadá, México e China.
Notícias indicaram ao longo da semana que Trump estaria pressionando por uma tarifa mínima entre 15% e 20% nas negociações com a União Europeia.
A retórica mais dura aumenta a incerteza global e pressiona bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), a manterem cautela diante dos possíveis impactos sobre inflação e atividade.
O mercado continua precificando o próximo corte de juros nos EUA para setembro. Porém, na semana que passou, Christopher Waller, diretor do Fed, sinalizou apoio a um corte já em julho. O que fez o mercado entender que os membros do banco central estão divididos.
Enquanto isso, a temporada de resultados do segundo trimestre ganhou força. Até sexta (18), 58 empresas do S&P 500 divulgaram seus resultados. Segundo a XP, 86% superaram as estimativas de lucro por uma média de 7,8%. Veja o resultado da Netflix.
O destaque positivo da semana no Ibovespa foi o Pão de Açúcar (PCAR3), que viu suas ações saltarem 12,8%. O impulso veio do anúncio de que cinco membros da família Coelho Diniz aumentaram sua participação na companhia.
Os acionistas André Luiz Coelho Diniz, Alex Sandro Coelho Diniz, Fábio Coelho Diniz, Henrique Mulford Coelho Diniz e Helton Coelho Diniz passaram a deter 86.727.900 ações ordinárias, o equivalente a 17,7% do capital da companhia, na última terça-feira (15).
| Empresa | Código | Variação semanal |
|---|---|---|
| Pão de Açúcar | PCAR3 | 12,77% |
| Petz | PETZ3 | 8,22% |
| Weg | WEGE3 | 6,59% |
| Brava Energia | BRAV3 | 5,34% |
| Cyrela | CYRE3 | 3,83% |
Na ponta negativa, Braskem (BRKM5) foi o urso do Ibovespa e registrou uma queda de 15,16%.
Investidores acionaram o modo cautela depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou uma possível venda de uma fatia da empresa ao fundo Petroquímica Verde, ligado ao empresário Nelson Tanure.
Nada está definido até o momento. O Cade determinou algumas condições para que a operação aconteça, e o controle por Tanure também teria que ser negociado com os bancos credores da Braskem. Entenda tudo aqui.
| Empresa | Código | Variação semanal |
|---|---|---|
| Braskem | BRKM5 | -15,16% |
| Usiminas | USIM5 | -8,62% |
| Ultrapar | UGPA3 | -8,19% |
| Embraer | EMBR3 | -8,08% |
| BRF | BRFS3 | -7,27% |
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