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GEOPOLÍTICA DIGITAL

Trump vs. Pix: o que pode estar por trás da implicância dos Estados Unidos com o sistema de pagamentos brasileiro

Citação indireta em documento comercial reacende incômodo antigo com o veto ao WhatsApp Pay e pressões sobre o Banco Central

Pix automático
Pix automático. Imagem: Marcello Casal Jr, Agência Brasil. - Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Pix atravessou fronteiras. E não foi só no bolso dos brasileiros. Agora, está no centro de uma disputa geopolítica com os Estados Unidos.

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Nesta quarta-feira (16), o governo Lula usou as redes sociais para rebater, com ironia, o que considerou uma insinuação do governo Trump contra o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central.

A frase “O Pix é nosso, my friend” viralizou. No entanto, o pano de fundo parece ser bem mais sério.

Documentos oficiais da administração do presidente norte-americano, que embasam a abertura de uma nova investigação comercial contra o Brasil, trazem uma crítica velada ao Pix.

No texto, o Escritório da Representação Comercial dos EUA (USTR) afirma que o país “parece se engajar em uma série de práticas desleais” para privilegiar os serviços desenvolvidos pelo próprio governo.

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O recado foi lido como um ataque direto ao Pix, criado pelo BC, e hoje dominante no mercado nacional.

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Mas os motivos dessa ofensiva têm raízes mais antigas, e bem conhecidas por Mark Zuckerberg.

O veto ao WhatsApp Pay

Para entender a menção dos americanos, é preciso voltar a 2020. 

Naquele ano, a Meta (então Facebook) anunciou com pompa o lançamento do WhatsApp Pay no Brasil, o primeiro sistema de pagamentos integrado a um app de mensagens.

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A novidade, no entanto, não durou muito. Poucos dias após o anúncio, o Banco Central barrou o serviço, alegando risco à concorrência e à estabilidade do sistema financeiro.

Nos bastidores, o clima azedou. A avaliação da Meta era de que o veto favorecia o Pix, ainda em desenvolvimento. 

Na época, o BC já articulava os testes finais do sistema de pagamentos instantâneos, que seria lançado poucos meses depois, em novembro daquele ano.

Quando o WhatsApp Pay foi finalmente liberado, em 2021, o estrago já estava feito. O Pix havia tomado conta do mercado e se consolidado como principal meio de transferência no país. Faltou espaço para o concorrente de Zuckerberg.

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Aliança com Trump e revanche digital

Quase cinco anos depois, a frustração da Meta voltou com força. Agora, em um novo contexto: o de uma aliança estratégica com Donald Trump.

O fundador da Meta, que nunca foi exatamente próximo do republicano, reapareceu ao lado de Trump na cerimônia de posse do republicano.

No evento, estiveram também os CEOs da Amazon (Jeff Bezos), Google (Sundar Pichai), Tesla/X (Elon Musk) e Apple (Tim Cook).

A nova acusação contra o Brasil, ainda que indireta, entra no contexto dessa aliança. O argumento de favorecimento estatal ao Pix pode funcionar como munição para pressionar decisões soberanas do país no campo digital.

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Muito além do Pix: STF, IA e Brics na linha de fogo

O ataque americano ao Pix não é um episódio isolado. A ofensiva ocorre em meio a uma série de tensões entre o governo brasileiro e o setor de tecnologia dos EUA.

Entre os principais pontos de atrito estão a decisão do STF que ampliou a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos ilegais; a proposta de regulação da inteligência artificial; e as novas diretrizes do Brics sobre soberania digital.

Nos bastidores, autoridades brasileiras acreditam que a inclusão do Pix nas reclamações americanas tem forte influência de outro grupo de interesse: as grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, que vêm perdendo espaço para o sistema nacional.

Apesar do tom agressivo do documento, fontes do governo brasileiro avaliam que a investigação dificilmente deve avançar. Mas, de qualquer forma, os recados foram dados.

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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