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VISÃO DO GESTOR

“Basta garimpar”: A maré virou para as small caps, mas este gestor ainda vê oportunidade em 20 ações de ‘pequenas notáveis’

Em meio à volatilidade crescente no mercado local, Werner Roger, gestor da Trígono Capital, revelou ao Seu Dinheiro onde estão as principais apostas da gestora em ações na B3

Werner Roger, gestor da Trígono Capital, fala sobre perspectivas para bolsa, ações e small caps.
Werner Roger, gestor da Trígono Capital, fala sobre perspectivas para bolsa e small caps. - Imagem: Divulgação

Quem deu chance às ações das “pequenas notáveis” da bolsa brasileira neste ano foi recompensado com retornos para lá de atrativos no primeiro semestre de 2025. Contudo, a maré está prestes a virar para as small caps, prevê Werner Roger, gestor da Trígono Capital, gestora independente com mais de R$ 2 bilhões em ativos sob administração e especializada em acompanhar empresas com menor capitalização na B3.

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“O cenário está nebuloso, há muita incerteza no radar. Por isso, a aversão ao risco também aumenta”, afirmou, em entrevista ao Seu Dinheiro. “É hora de cautela, e os ETFs [fundos de índice] podem sofrer mais.”

Até a primeira metade do ano, as companhias de menor capitalização da B3 eram vistas como atacantes das carteiras dos investidores brasileiros devido à expectativa de flexibilização monetária pelo Banco Central na época.

Isso porque as small caps — especialmente aquelas mais cíclicas — são muito mais sensíveis aos movimentos de juros do que as empresas de maior capitalização da B3, como a Petrobras (PETR4) ou os grandes bancos, por exemplo. 

Por isso, a previsão de queda da Selic em 2025 impulsionou as pequenas da bolsa brasileira. Nos primeiros seis meses do ano, o índice Small Cap (SMLL) acumulou valorização de cerca de 26% na B3, contra 15,44% de alta do Ibovespa.

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Vale destacar que o ETF da Trígono, o TRIG11, que acompanha empresas do segmento Small Caps, teve o melhor desempenho entre todos os fundos de índice listados na B3 na primeira metade do ano, com um retorno de 36,69%. 

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Porém, como boa parte do mercado, Roger agora é cético quanto a uma queda rápida dos juros — e o próprio BC já sinalizou que a Selic deve permanecer nas alturas por um período mais extenso.

“O voo das small caps teve seus motivos, que foi justamente o princípio de que os juros cairiam em breve. Mas agora não sabemos quando esse cenário deve se concretizar”, disse o gestor.

Essa projeção sinaliza um cenário menos favorável para as small caps, em especial, àquelas ligadas à economia doméstica, como empresas de construção, varejo e educação.

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Small caps: de primeiro semestre estelar a cautela extrema

Para o gestor, o movimento positivo das ações de small caps no primeiro semestre é praticamente todo atribuível à retomada do fluxo de investidores estrangeiros na bolsa brasileira.

Segundo ele, a força compradora tende a se mostrar mais intensamente nas ações com maior peso nos índices, uma vez que o gringo normalmente opta por investir em mercados emergentes por meio de ETFs, fundos que replicam as carteiras dos índices de referência.

É por isso que setores como imobiliário, varejo e consumo, e educação, que foram destaques de valorização no primeiro semestre e são fortemente influenciados pela queda de juros, podem sofrer daqui para frente, segundo o gestor. 

“Em julho, o fluxo inverteu e as small caps já estão sofrendo. No cenário local, você tem os investidores mais cautelosos setorialmente por conta de juros, e o investidor pessoa física tende a seguir com a onda. Outro público importante é o institucional, que são os fundos de pensão, os RPPS [previdência dos servidores públicos] e fundos de gestoras, com um resgate bastante forte. O apetite dos institucionais para renda variável continua bastante limitado, já que eles acabam preferindo títulos como as NTN-Bs, que oferecem retornos atrativos e superam facilmente as metas atuariais sem risco adicional”, disse.

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Para ele, há muitas incertezas em relação aos estímulos fiscais do governo, ao consumo e ao futuro dos juros. 

“Nós, na Trígono, questionamos um pouco esse ímpeto dos investidores a estarem investindo nesses setores mais cíclicos. As cartas estão embaralhadas. O setorial predominou no primeiro semestre; agora, veremos o que acontecerá no segundo semestre”, disse o gestor.

Ainda há esperança para as ações de small caps na bolsa brasileira?

Mas Roger trouxe também um alento aos investidores de renda variável: nem tudo está acabado para as small caps e as ações na bolsa brasileira.

O gestor avalia que, embora o cenário à frente seja de volatilidade, há boas oportunidades para quem souber escolher bem.

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Na avaliação do gestor, há um tripé de critérios de seleção para quem quer investir em small caps em meio ao cenário volátil previsto para o fim de 2025:

  • Dividendos;
  • Endividamento; e
  • Exposição ao dólar.

Para o segundo semestre, uma boa pedida seria buscar empresas capitalizadas e com caixa disponível para agraciar os investidores com bons dividendos. “Empresas pagadoras de dividendos são menos vulneráveis, porque elas têm caixa”, explicou.

Além disso, as companhias dolarizadas estariam protegidas das maiores oscilações da economia ou de uma eventual piora na percepção de risco.

Por fim, as empresas com baixa alavancagem financeira tendem a sofrer menos em um cenário de juros elevados.

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No caso da Trígono, isso se traduz em apostas no agronegócio, no setor industrial ligado ao automobilístico, e em poucas empresas no setor imobiliário, por exemplo.

Uma espiada na carteira de ações da Trígono

Então, o que tem na carteira de ações da Trígono? Ao Seu Dinheiro, Werner Roger revelou algumas das principais apostas da gestora na bolsa brasileira hoje.

Com forte apetite por ações do agronegócio na B3, a Trígono possui quatro grandes teses na carteira. São elas:

  • Kepler Weber (KEPL3): Apesar da queda no preço do aço, que afeta a receita, a empresa se beneficia de uma "supersafra" e tem bom desempenho.
  • 3tentos (TTEN3): Empresa com atuação em biocombustíveis, incluindo biodiesel e etanol de milho.
  • Jalles Machado (JALL3) e São Martinho (SMTO3): Empresas do setor de açúcar e etanol, beneficiadas por boas estratégias de hedge para suas vendas, melhoras no preço do etanol e com ações descontadas na B3.
  • Boa Safra (SOJA3): Ligada ao setor de sementes.

As commodities também estão em alta na carteira da Trígono. No segmento de petróleo e gás, há duas: Prio (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3).

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Do lado da mineração e metais, Werner destaca a Aura Minerals (AURA33), que recentemente desembarcou em Wall Street, se beneficia da alta do ouro, vem reduzindo custos e está subvalorizada em comparação com outras juniores do setor.

Outra boa pedida, segundo o gestor, é a Ferbasa (FESA4), que atua principalmente na produção e comercialização de ferroligas e recebeu isenção total de tarifas nos EUA.

O setor industrial também ocupa lugar de destaque na carteira de ações da Trígono. Algumas das opções favoritas da gestora na B3 são:

  • Tupy (TUPY3): Apesar das incertezas tarifárias com os EUA, tem operações no México e clientes de peso que dependem dela, como Caterpillar, John Deere e Ford, o que deve limitar eventuais impactos da guerra tarifária.
  • Mahle Metal Leve (LEVE3): Atua forte no mercado de reposição, que é resiliente com o envelhecimento da frota, além de pagar bons dividendos e apresentar um forte vetor de crescimento.
  • Schulz (SHUL3): Ligada ao setor automotivo pesado (caminhões) e máquinas agrícolas e linha amarela, que se beneficiam de investimentos em infraestrutura.
  • Marcopolo (POMO4): Empresa com nicho de mercado e forte presença em ônibus rodoviários, paga dividendos e não possui dívidas.

No setor financeiro, a aposta de Werner é a BR Partners (BRPR3), um banco focado em fusões e aquisições e reestruturação de dívidas do agronegócio, menos afetado por questões como inadimplência e os juros tradicionais.

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Já no setor imobiliário, Werner destaca uma seleção de qualidade entre as construtoras. São elas a Moura Dubeux (MDNE3), a Lavvi (LAVV3) e a Cyrela (CYRE3).

Outro papel que integra a carteira da Trígono é a Tegma (TGMA3), uma transportadora de veículos e de logística que possui a BYD como cliente, não é alavancada e remunera os acionistas com proventos.

A Celesc (CLSC4), empresa de energia, e a Unifique (FIQE3), de telecomunicações, completam o portfólio da gestora.

“Se começar a garimpar, tem bastante opção nas small caps da B3”, afirmou o gestor.

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