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A MIGRAÇÃO COMEÇOU?

Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP

Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real

Alocação em ações e bolsa deve melhorar em 2026, mostra pesquisa - Imagem: gerada por IA

Se o investidor brasileiro viveu uma "contradição" — queria investir em ações, mas os pés se mantinham bem fincados na renda fixa — durante boa parte deste ano, o final de 2025 trouxe uma mudança de postura. Em dezembro, o apetite por risco atingiu o maior nível desde 2024. Mais do que isso: o dinheiro começou, efetivamente, a se mover para a renda variável. 

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É o que indica a pesquisa da XP com 100 assessores de investimento. O levantamento deste mês mostrou que mais do que planejar, o investidor começou a executar a entrada em bolsa e ações.  

Em setembro, a proporção de clientes com até 10% da carteira em ações era de 53%, sinalizando um encolhimento da alocação real em renda variável.  

O cenário de dezembro mostra o movimento inverso: essa faixa de baixa exposição caiu para 37%, enquanto a fatia de clientes com posições maiores, de 10% a 25% de alocação, saltou de 26% (em setembro) para 45%. 

Além disso, a intenção futura também é de maior exposição às ações.  

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Os assessores responderam que 40% de seus clientes querem aumentar a alocação em ação. Este número mostra uma melhora significativa de 11 pontos percentuais em relação a novembro, além de ser o maior patamar desde abril de 2024. 

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O sentimento em relação ao mercado acionário, que já vinha em trajetória de melhora, consolidou-se em patamares mais otimistas.  

A média da percepção dos assessores subiu de 6,2 em agosto para 7,1 em dezembro, considerando uma escala de 0 a 10. Atualmente, 71% dos entrevistados atribuem nota igual ou superior a 7 para o momento do Ibovespa. 

Quanto ao futuro, as previsões também se ajustaram para cima. Os assessores miram o final de 2026 com uma projeção média de 165 mil pontos para o principal índice de ações da bolsa.  

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O número é bastante inferior às estimativas de bancos e corretoras, que miram o Ibovespa na faixa dos 180 mil pontos para cima — com alguns chegando a 230 mil no cenário mais otimista.  

Mas é preciso destacar que a hegemonia da renda fixa continua. O interesse direto por ações ganhou um terreno importante, mas o alto retorno da renda fixa, aliado ao baixo risco, continua predominante nas carteiras.  

Em dezembro, 73% dos clientes da XP declararam interesse em Tesouro Direto e renda fixa, ante 75% em setembro. Na sequência, aparecem os fundos de renda fixa, com 56% do interesse, ante 60% em setembro— uma queda mais significativa do que dos ativos em si. 

Já as ações ganharam fôlego, passando de 37% em setembro para 43% em dezembro. 

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Fundos imobiliários ficaram mais estáveis: 36% em setembro, para 33% atualmente. Já os fundos de renda variável continuam na lanterna, com 4% de intenção de compra.  

Riscos no radar: eleições 2026  

O topo da lista de preocupações continua ocupado pelos riscos fiscais, citados por 40% dos respondentes tanto em setembro quanto em dezembro. No entanto, a instabilidade política ganhou um peso muito maior na reta final do ano. 

Se em setembro a instabilidade política preocupava 29% dos assessores, em dezembro esse temor subiu para 34%. O principal gatilho foi o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) para as eleições presidenciais de 2026.  

O cenário eleitoral, aliás, já é uma realidade nas mesas de operação: 57% dos assessores afirmam que as eleições de 2026 já influenciam o posicionamento de seus clientes de alguma forma. 

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Entretanto, o que o investidor espera para cruzar de vez a ponte em direção à bolsa e as ações é o corte de juros no Brasil. Este é o fator apontado por 63% dos assessores como o principal catalisador de apetite por risco. 

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