Flávio Bolsonaro presidente? Saiba por que o mercado acendeu o sinal amarelo para essa possibilidade
Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI, falou no podcast Touros e Ursos desta semana sobre os temores dos agentes financeiros com a fragmentação da oposição frente à reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) à Presidência mexeu com os ânimos do mercado financeiro. A notícia, divulgada em 5 de dezembro, derrubou o Ibovespa em mais de 4% e fez o dólar disparar frente ao real, chegando a flertar com R$ 5,50.
Para Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI, a reação refletiu o temor de uma fragmentação da oposição, aumentando as chances de reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso se confirme sua candidatura.
No episódio desta semana do Touros e Ursos, Glatt fala sobre os efeitos dessa movimentação política sobre os investimentos e os possíveis cenários para 2026, com as informações deste momento — dez meses antes do pleito eleitoral.
“O mercado gostaria que acontecesse a candidatura do [governador de São Paulo] Tarcísio [de Freitas]. Quando você traz uma candidatura como a do Flávio Bolsonaro, isso fragilizaria um pouco a posição da direita”, disse Glatt.
O que o “mercado” quer?
De acordo com Glatt, os agentes financeiros que compõe o que se chama de “mercado” têm preferência por nomes “mais moderados”, que eles veem com maior chance de superar o presidente Lula nas eleições do próximo ano.
“Tarcísio tem um nome muito bem-visto por ter um trânsito melhor dos dois lados e não ter esse nível de rejeição tão grande quanto o nome ‘Bolsonaro’”, disse o gestor.
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A busca dos agentes financeiros é por um candidato fiscalista, que se comprometa com pautas atreladas ao controle das contas públicas, privatizações, corte de gastos, entre outras reformas.
Na visão de Glatt, no caso de uma vitória da oposição, os setores mais beneficiados seriam os da economia doméstica, como consumo, varejo, logística, educação e saúde. Isso porque, “um governo mais liberal” tende a reduzir as expectativas de juros futuros, “impulsionando empresas sensíveis ao crédito”.
Por outro lado, a reeleição de Lula manteria os juros em níveis mais altos e um dólar mais valorizado. “Nesse caso, as exportadoras e empresas mais defensivas, como as do agronegócio, seriam os setores mais beneficiados”, afirmou.
A estratégia para investidores se posicionarem na bolsa depende diretamente do desfecho eleitoral.
Onde a GTI está investindo
Glatt avalia a alocação da GTI como diferente da média do mercado. Eles estão mais posicionados em commodities e empresas do agronegócio.
“A gente gosta dessas empresas, como Vale, Gerdau, Suzano. Mais recentemente nos posicionamos também no agro, como SLC, 3Tentos e São Martinho”, disse.
A gestora aposta na geração de caixa dessas companhias, mesmo com os preços das matérias-primas mais deprimidos.
O desempenho dessas empresas está mais atrelado ao mercado internacional. Não por acaso, Glatt aponta que os maiores riscos para 2026 estão no cenário local: fiscal e eleições.
“O cenário de eleições em outubro e o quão ruim o fiscal pode ficar vão nortear a trajetória de juros e o humor do mercado”, disse.
Ele também destacou que o ajuste fiscal será inevitável a partir de 2027, independentemente do candidato vitorioso.
Apesar das incertezas, o gestor vê espaço para valorização da bolsa. “Como a alocação no mercado de ações ainda está muito baixa, há muito tempo, acho que tem uma chance de ter fluxo para a bolsa no ano que vem”, afirmou.
A expectativa é de que a queda dos juros melhore os resultados das empresas e atraia os investidores.
Touros e Ursos da semana
No bloco final do podcast, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Entre os destaques positivos, o primeiro touro ficou com José Antonio Kast, eleito presidente do Chile com um programa pró-mercado e de segurança pública.
Outro touro ficou para a Riachuelo, que praticamente dobrou de preço na bolsa em 2025 e anunciou, recentemente, a mudança do nome de negociação e de ticker a partir de 2026. O nome deixará de ser Guararapes para adotar Riachuelo, com o código RIAA3.
Do lado negativo, o petróleo foi escolhido como urso. A commodity perdeu mais de 4% de valor na última semana e chegou a ser negociado abaixo de US$ 60 o barril. A queda ocorreu após avanços nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que podem aumentar a oferta global da matéria-prima.
Varejistas também apareceram como urso. As empresas seguem pressionadas pela manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano. Apesar do bom desempenho no acumulado de 2025, o tom duro do Banco Central em dezembro esfriou as expectativas de corte em janeiro e pesou sobre os papéis do setor.
Saiba mais sobre os touros e ursos, e sobre as eleições de 2026 no episódio completo:
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