Ano eleitoral, juros menores e Ibovespa em alta: o que esperar da economia brasileira em 2026
Cenário global favorável para mercados emergentes deve ajudar o Brasil, e trade eleitoral será vetor importante para guiar os investimentos no próximo ano

No que diz respeito aos indicadores econômicos, 2026 deve ser bastante parecido com 2025 — e isso é uma notícia boa. A economia brasileira vai fechar este ano muito bem. A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) supere os 2% de crescimento diante de uma taxa básica de juros de 15% ao ano.
A taxa de desemprego está nas mínimas históricas, e ainda assim, a inflação engatou uma desaceleração relevante e deve fechar abaixo de 4,5% — dentro do teto da meta. Para efeito comparativo, na máxima do ano, economistas chegaram a projetar a inflação em 6%.
As projeções para 2026 estão muito próximas dos números de fechamento de 2025, mas com alguns detalhes. O PIB, por exemplo, deve ser um pouco menor — afinal, mesmo com atraso, os juros altos já fazem efeito.
Produto Interno Bruto (PIB) menor — mas nem tanto
Em relatório, os analistas do BB Investimentos destacam que o arrefecimento da atividade não deve ser mais intenso devido aos estímulos fiscais do ano eleitoral.
“[Os estímulos serão] capazes de sustentar parte da renda e da dinâmica doméstica. Assim, estimamos um crescimento de 1,7% para o PIB no próximo ano”, diz o texto. E não serão poucos estímulos:
- Efeito da isenção de imposto de renda para salários até R$ 5 mil;
- Aceleração das concessões do novo crédito consignado para o setor privado;
- Programas Gás do Povo e Luz do Povo;
- Benefícios imobiliários, como o Novo Crédito Imobiliário e o Reforma Casa Brasil; e
- Programas próprios dos governos estaduais em ano eleitoral.
A estimativa de 1,7% para o crescimento do PIB é quase unânime entre os bancos locais e corretoras. O Bank of America (BofA), entretanto, é um pouco mais otimista: sua projeção é de 2,0%.
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O viés altista vem da projeção de queda dos juros, que deve melhorar o cenário para as empresas e impulsionar mais crédito para pessoas jurídicas, não apenas pessoas físicas.
Estimativas para o PIB
| Bancos e corretoras | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | 2,3% | 1,7% |
| BB Investimentos | 2,2% | 1,7% |
| BTG Pactual | 2,2% | 1,7% |
| Bank of America | 2,5% | 2,0% |
| XP | 2,3% | 1,7% |
Juros em queda (livre ou lenta?)
A taxa básica de juros vai cair no próximo ano — isso é dado como certo. A questão é quanto e quando vem o primeiro corte.
Diferentemente do PIB, as projeções em relação à taxa Selic diferem um pouco mais entre as instituições financeiras. A maior aposta é nos juros básicos em 12% ao ano em dezembro de 2026. Neste ano, a taxa vai fechar em 15% ao ano.
De acordo com o Itaú — que tem a projeção mais pessimista, de 12,75% — o Banco Central está mais cauteloso, sem pressa para iniciar a flexibilização.
Os analistas do banco avaliam que a autoridade monetária pode estar esperando “uma apreciação da moeda frente aos patamares atuais e/ou uma melhora adicional do conjunto de dados [de inflação, mercado de trabalho e atividade econômica]”.
O BofA, mais uma vez, destoa do consenso. O banco é bastante otimista e tem uma projeção de Selic em 11,25% em dezembro do próximo ano. A avaliação é que os juros estão muito restritivos e vão continuar restritivos mesmo com cortes em todas as reuniões de 2026.
Com a expectativa de atividade mais fraca e inflação sob controle, a leitura é que o Banco Central pode ser mais consistente nos cortes.
Estimativas para a Selic
| Bancos e corretoras | 2026 |
|---|---|
| Itaú Unibanco | 12,75% |
| BB Investimentos | 12% |
| BTG Pactual | 12% |
| Bank of America | 11,25% |
| XP | 12% |
Inflação controlada — mas não na meta
Dos 6% projetados no começo do ano para os 4,5% de agora, a queda da inflação ao longo de 2025 foi uma das principais surpresas econômicas do ano.
Para a XP, essa desaceleração teve alguns vetores importantes:
- Desvalorização do dólar no cenário global;
- Choques positivos na oferta de alimentos;
- Desinflação global (com maior oferta de produtos pela China); e
- Trabalho firme do Banco Central na condução dos juros.
Para 2026, alguns desses vetores devem permanecer, ajudando a manter a inflação mais controlada. Todos os bancos e corretoras mantém as projeções na faixa dos 4% — ainda é distante da meta de 3%, porém se encaminha para esse alinhamento.
O principal vetor que deve sustentar a inflação mais baixa é a continuidade da fraqueza do dólar. A moeda norte-americana caindo globalmente ajuda na desinflação global.
Bens industriais, alimentos e combustíveis são beneficiados por essa dinâmica e estão entre os principais componentes da inflação. O Itaú espera um corte de preços da gasolina já em janeiro.
O risco para toda essa análise não se sustentar é um viés altista para o dólar.
Estimativas para a inflação (IPCA)
| Bancos e corretoras | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | 4,4% | 4,0% |
| BB Investimentos | 4,5% | 4,0% |
| BTG Pactual | 4,3% | 4,1% |
| Bank of America | 4,5% | 4,0% |
| XP | 4,3% | 4,2% |
Dólar de lado
Todas as instituições financeiras têm a mesma leitura para o dólar em 2026: a moeda norte-americana deve manter a tendência de fraqueza. No entanto, as eleições devem adicionar volatilidade à taxa de câmbio e sustentar uma apreciação frente ao real maior do que no comparativo com pares emergentes.
“Historicamente, o prêmio de risco tende a ficar mais pressionado em anos eleitorais, com impacto na taxa de câmbio, compensando, em parte, o ambiente externo mais favorável”, diz o relatório do Itaú.
O BB Investimentos acrescenta que um diferencial de juros menor ao longo do ano, em vista dos cortes na taxa Selic, tende a diminuir a vantagem do real em relação ao dólar.
Por isso, embora as expectativas sejam boas para a moeda brasileira, as projeções ainda apontam algum avanço do dólar frente ao real no próximo ano.
Estimativas para a taxa de câmbio
| Bancos e corretoras | 2025 (R$) | 2026 (R$) |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | 5,35 | 5,50 |
| BB Investimentos | 5,40 | 5,50 |
| BTG Pactual | 5,40 | 5,20 |
| Bank of America | 5,30 | 5,25 |
| XP | 5,30 | 5,50 |
Ibovespa em mais um ano favorável
Existem duas análises para o Ibovespa em 2026 — e nas duas o principal índice de ações brasileiras tem perspectiva de valorização.
Uma das análises é de cenário internacional predominante em relação ao cenário local. Nesta tese, os analistas apontam a fraqueza do dólar como principal catalisador para o Ibovespa.
O desempenho fraco da moeda norte-americana tem levado a uma saída gradual de investidores globais dos Estados Unidos, em busca de performances melhores em outros países. Neste contexto, os países emergentes ganham destaque — e o Brasil entra nesse combo.
Isso, inclusive, é o que o explica a disparada de 32% do Ibovespa no ano: entrada de estrangeiros, visto que os locais estão travados na renda fixa com os juros altos.
Para os gringos, que olham para o desempenho da bolsa brasileira em dólar, o resultado foi ainda maior, de 45% de retorno no ano.
A expectativa é que esse movimento continue e ganhe mais tração a partir do primeiro corte de juros no Brasil.
E aqui temos o gatilho para a segunda análise, que afirma que o cenário local terá mais força que o internacional em 2026. Os dois vetores seriam o corte dos juros e as eleições presidenciais.
Nos dois casos, historicamente, a bolsa brasileira tende a apresentar desempenho positivo. A queda dos juros faz os investidores se abrirem para estratégias mais arriscadas e saírem aos poucos da renda fixa. Já as eleições costumam movimentar "trades eleitorais”, na expectativa pela vitória de um dos candidatos.
Segundo a XP, a América Latina passou por uma sequência de eleições relevantes nos últimos anos (Argentina, Chile e Colômbia), o que reforça a visão de trade eleitoral no Brasil para os investidores locais e globais.
Cenários para o Ibovespa
De modo geral, a expectativa é positiva para a bolsa brasileira como um todo: das large caps (empresas que compõem o Ibovespa) às small caps. Nos cenários traçados pelas instituições financeiras, o “valor justo” do Ibovespa no próximo ano fica na faixa dos 180 mil a 190 mil pontos.
Entretanto, os cenários mais positivos vão longe, alcançando os 230 mil pontos. Esta, porém, é uma possibilidade diretamente ligada à hipótese da vitória de um nome da oposição, comprometido com uma reforma fiscalista das contas públicas.
Já o cenário pessimista, não diretamente atrelado à manutenção do atual governo (embora entenda-se que seja isso), joga a pontuação lá para baixo, de volta aos 120 mil a 130 mil pontos.
Estimativas para a pontuação do Ibovespa
| Bancos e corretoras | Cenário base | Cenário otimista | Cenário pessimista |
|---|---|---|---|
| BB Investimentos | 186 mil | 205 mil | 159 mil |
| Bank of America | 180 mil | 210 mil | 130 mil |
| BTG Pactual | 186 mil | 220 mil | 120 mil |
| XP | 185 mil | 224 mil | 144 mil |
| JP Morgan | 173 mil | 250 mil | 134 mil |
| Safra | 198 mil | 254 mil | 136 mil |
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