Rumo à privatização, Copasa (CSMG3) vê lucro cair no 1T26, mas analistas apontam potencial ‘escondido’. O que fazer com as ações?
BTG Pactual, XP e Itaú BBA recomendam o que fazer com os papéis, enquanto o mercado acompanha a reta final da privatização e a disputa pelo futuro sócio estratégico da estatal mineira

Rumo à privatização, a Copasa (CSMG3) teve resultados razoáveis no primeiro trimestre de 2026, segundo o BTG Pactual. A companhia divulgou o balanço na última sexta (8), com lucro líquido 14% menor em relação ao mesmo período de 2025, de R$ 368,1 milhões. Nesta segunda-feira (11), os analistas repercutem os números.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve um recuo de 3,2% em base anual, para R$ 787,4 milhões, com margem Ebitda de 40,9%, queda de 2,4 pontos percentuais (p.p.) frente ao mesmo intervalo do ano passado — esse indicador mede a eficiência operacional do negócio.
O resultado foi impactado por despesas financeiras maiores do que o esperado, além de efeitos relacionados a derivativos e à variação cambial.
A alavancagem da companhia também subiu levemente: a relação entre dívida líquida e Ebitda passou de 2,3 vezes no quarto trimestre de 2025 para 2,4 vezes no primeiro trimestre deste ano.
A receita líquida cresceu 3,2%, totalizando R$ 2,1 bilhões no trimestre. No segmento de água, esse indicador avançou 1,6%, para R$ 1,264 bilhão, enquanto a de esgoto aumentou 4,2%, para R$ 661,0 milhões.
Segundo a companhia, a alta na receita de água e esgoto foi explicada principalmente pelo reajuste tarifário aplicado em 22 de janeiro, com Efeito Tarifário Médio (ETM) de 6,56% no âmbito da controladora.
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Porém, o impacto foi apenas parcial nos primeiros 30 dias de aplicação e ainda foi parcialmente compensado pela queda de 0,15% no volume medido de água e esgoto, além de um efeito negativo de R$ 21,5 milhões no consumo a faturar.
Para o Itaú BBA, os resultados vieram neutros. Os analistas destacam que as tendências de volume vieram mais fracas, permanecendo praticamente estáveis na comparação anual, impactadas pelo maior volume de chuvas durante o trimestre e pelo menor número de dias faturados, como já havia sido divulgado anteriormente.
Do lado positivo, o desempenho de custos permaneceu sólido, sustentando as estimativas atuais do banco, apesar da piora operacional, enquanto as despesas com provisões para devedores duvidosos vieram mais altas no período.
"A história continua sendo principalmente guiada pelo processo de privatização, com os principais marcos sendo: a conclusão da estrutura da privatização e a inclusão de contratos de esgoto dentro de contratos legados que hoje contemplam apenas água", diz o time de análise do Itaú BBA em relatório.
Mais destaques do balanço da Copasa
No operacional, o volume medido de água recuou 0,4% no primeiro trimestre de 2026 ante um ano, para 170.169 metros cúbicos, enquanto o volume medido de esgoto aumentou 0,3%, para 118.296 metros cúbicos.
No trimestre, os custos e despesas, incluindo custos de construção, totalizaram R$ 1,54 bilhão, alta de 8,3% ante o primeiro trimestre de 2025. O resultado financeiro foi negativo em R$ 72,6 milhões, ante resultado negativo de R$ 21,2 milhões um ano antes.
Do lado das despesas, os custos operacionais — excluindo depreciação e amortização — somaram R$ 1,12 bilhão, pressionados principalmente pelo aumento da inadimplência, além de maiores gastos com serviços, materiais e outras despesas operacionais.
O que fazer com as ações? O potencial 'escondido'
Para a XP, a Copasa está sendo negociada a uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real considerada atrativa, de 9,6%. Na visão da casa, conforme o processo de privatização entra em sua reta final, entender o potencial das ações da companhia passa cada vez mais por identificar quem será o parceiro estratégico responsável por liderar a nova fase da empresa.
A Sabesp (SBSP3) é uma das interessadas em disputar o posto de acionista de referência na companhia, com 30% das ações, e preencheu o cadastro prévio. O documento, no entanto, não se trata de uma proposta efetiva, mas uma demonstração de apetite.
A XP lembra que o prazo para essa inscrição encerrou na última sexta (8). A partir de agora, os investidores devem acompanhar quais grupos demonstraram interesse no ativo e qual poderá ser o perfil do futuro controlador ou sócio estratégico da empresa.
Além disso, o time de análise da casa avalia que ainda existem potenciais ganhos que não estão totalmente refletidos no preço das ações.
Entre eles, estão a possibilidade de expansão para novos municípios e um aumento dos investimentos, especialmente com a ampliação dos serviços de esgoto nas cidades já atendidas pela companhia.
Mesmo em um cenário-base de privatização, o banco afirma ainda enxergar um potencial retorno considerado razoável para a Copasa.
"Essas opcionalidades vão ficando mais claras ao longo do tempo, o que acreditamos que continuará empurrando Copasa para novas máximas", diz a XP em relatório.
O BTG Pactual, a XP e o Itaú BBA recomendam a compra dos papéis.
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