Megainvestidor Ray Dalio fala bem dos estímulos econômicos da China, mas avisa que o país tem outro problema para resolver
Em evento nesta sexta, o fundador da Bridgewater falou sobre desafios do gigante asiático; declarações acompanham divulgação de novos dados econômicos

Ray Dalio, um dos investidores mais renomados do mercado financeiro global, acredita que os esforços da China para recuperar a economia são admiráveis, mas alertou que o país precisa ir além dos estímulos e resolver o problema de endividamento para que não vire um novo Japão na década “perdida” de 1990.
“Uma bela desalavancagem” seria o ideal para o gigante asiático, definiu o fundador da Bridgewater em conferência nesta sexta-feira (18).
“As mudanças que estão acontecendo são ótimas, mas ainda é preciso fazer a reestruturação da dívida”, disse.
As declarações de Dalio vêm no mesmo momento em que a China divulga importantes dados econômicos via Escritório Nacional de Estatísticas (NBS).
Não está tão ruim assim? PIB chinês cresce no 3T24
Mesmo com todos os desafios que o país têm enfrentado nos últimos tempos, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,6% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, a produção industrial e as vendas no varejo também tiveram altas.
Falando especificamente do setor imobiliário, que é o alvo da maior quantidade de estímulos econômicos, os dados foram mistos:
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- As vendas de novas moradias sofreram queda de 24% entre janeiro e setembro ante igual período do ano passado. Entre janeiro e agosto, a queda tinha sido de 25%;
- As construções iniciadas – considerando-se tanto residências quanto propriedades comerciais – registraram declínio anual de 22,2% nos primeiros nove meses do ano, ante recuo de 22,5% de janeiro a agosto.
Segundo cálculos feitos pelo Wall Street Journal, o preço médio de novas moradias nas 70 maiores cidades da China registrou baixa de 0,71% em setembro, na comparação com agosto. Em agosto ante julho, o preço havia caído em ritmo um pouco maior, de 0,73%.
Mais estímulos no caminho
O Banco Popular da China (PBoC, o BC chinês) emitiu diretrizes para que bancos estatais concedam empréstimos para recompras de ações por empresas e grandes acionistas, como parte de esforços para estabilizar as bolsas chinesas, que perderam força nos últimos anos.
Os empréstimos, que só poderão ser concedidos por 21 instituições financeiras designadas, terão taxa de juro máxima de 2,25%, segundo comunicado da instituição.
Nesta sexta, Ray Dalio também tangenciou o tema do mercado de ações chinês. Ele mostrou incerteza quanto à capacidade da China de manter a “vitalidade dos mercados privados” e fomentar o empreendedorismo e a inventividade das pessoas no mercado de capitais.
Nas palavras dele, há dúvidas se ainda é “bom ser rico na China”.
Bolsas asiáticas reagem bem a dados chineses
Ainda no setor financeiro, os principais bancos comerciais da China cortaram as taxas de depósito pela segunda vez neste ano.
A medida pode ajudar a aliviar a pressão sobre os lucros dos bancos depois que as autoridades reduziram as taxas de hipotecas e empréstimos como parte dos esforços para impulsionar a economia.
Os dados e novas medidas estabelecidas pelo governo de Xi Jinping foram bem recebidas: as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta hoje.
O principal índice acionário chinês, o Xangai Composto, subiu 2,91%. O japonês Nikkei teve modesta alta de 0,18% em Tóquio
Na contramão, o sul-coreano Kospi caiu 0,59% em Seul, a 2.593,82 pontos, em seu terceiro pregão negativo.
*Com informações da CNBC e do Estadão Conteúdo.
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