O preço da ambição de Rubens Ometto: como os juros altos podem pesar sobre as finanças da Cosan (CSAN3) em 2025
As ações do conglomerado já perderam mais de 55% do valor desde janeiro, garantindo posição de destaque entre as empresas do Ibovespa com pior desempenho em 2024

O apetite voraz de Rubens Ometto pelo crescimento de seu império está prestes a cobrar o preço na Cosan (CSAN3). Para analistas, o alto nível de endividamento do conglomerado atualmente resultará em impactos ainda mais significativos em um ambiente de juros cada vez mais elevados no Brasil.
Por se tratar de uma holding mais alavancada que recentemente fez investimentos ousados, como a aposta frustrada na Vale (VALE3), a empresa de Ometto sentiu os efeitos dessa pressão diretamente no preço das ações em tela.
Os papéis já perderam mais de 55% do valor desde janeiro, garantindo posição de destaque entre as empresas do Ibovespa com pior desempenho em 2024.
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Isso porque existe uma correlação direta entre o impacto sobre a lucratividade das empresas e o patamar de alavancagem, mensurado pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Quanto mais elevado for o patamar de endividamento — cujos débitos costumam ser atrelados ao CDI —, maior o custo da dívida.
Vale lembrar que o Banco Central decidiu adotar uma postura mais agressiva quanto aos juros. Além de elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, o Copom (Comitê de Política Monetária) também deixou contratados dois novos aumentos da mesma magnitude no ano que vem, o que levaria os juros para a marca de 14,25% ao ano ainda em março.
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Para os analistas, com o aumento da Selic, a capacidade da Cosan de cobrir os custos da dívida por meio dos dividendos recebidos de subsidiárias operacionais, como a própria Vale e a Radar, está cada vez mais limitada.
A expectativa do BTG Pactual é que a empresa tenha um déficit de caixa estimado em R$ 800 milhões em 2025.
“Está claro que os investidores estão, basicamente, incorporando um prêmio de risco maior ao valor de uma empresa cuja sustentabilidade do balanço parece depender de ações que levem à redução do endividamento, para que a Cosan consiga suportar custos de juros mais elevados”, disse o banco.
O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação neutra para as ações CSAN3, apesar de os analistas terem saído com perspectiva positiva em relação ao primeiro encontro da nova gestão da Cosan com o mercado no início do mês.
O novo CEO, que assumiu recentemente, destacou a intenção de manter a estratégia de racionalização do portfólio atual da empresa, mantendo o foco nos ativos mais rentáveis e desinvestindo de negócios considerados não são essenciais, reduzindo a alavancagem.
Raízen (RAIZ4), outra empresa do Grupo Cosan (CSAN3) sob pressão
Não é só a holding controladora Cosan (CSAN3) que deve enfrentar uma pressão adicional em 2025. A Raízen (RAIZ4) é outra empresa do grupo de Ometto que caiu sob os holofotes negativamente neste ano e pode continuar a trajetória amarga nos próximos meses.
Diante da forte pressão sobre as finanças, a produtora de biocombustíveis caiu mais de 44% na B3 no acumulado de 2024.
A expectativa dos analistas é de um cenário conturbado para a companhia. Além do peso dos juros sobre o endividamento, a Raízen ainda deve lidar com o apetite reduzido dos investidores por risco — o que afeta diretamente um de seus maiores projetos para o futuro.
Visto como uma das principais apostas de crescimento de longo prazo da companhia, o etanol de segunda geração (E2G) deve ser destino para um dos usos mais relevantes de capital da Raízen para expansão nos próximos anos.
Para os analistas do BTG, a rentabilidade da operação deve continuar em xeque. Nas projeções do banco, a menos que o prêmio de preço do E2G aumente ainda mais em relação ao etanol de milho, o negócio continuará apresentando TIRs comprimidas de um dígito.
O banco vê um risco relevante ligado à capacidade de operar essas novas plantas de forma eficaz em sua capacidade total, o que seria ainda mais prejudicial aos retornos.
Ainda que a Raízen tenha mitigado um risco importante ao garantir contratos de longo prazo para o fornecimento de E2G, assegurando um preço mínimo, o BTG avalia que o crescente custo de capital faz com que esse nível de retorno esteja muito abaixo do requisitado pelos investidores para um empreendimento novo e relativamente arriscado.
*Matéria atualizada em 20 de dezembro para incluir novas informações.
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